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		<title>Samuel Lima</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 13:35:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>coletivosls</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;A notícia tem que ser fiel à realidade o máximo possível&#8221; Por:Danielle Lopes, Fernando Vivas e Leandro Moreira O jornalista Samuel Lima, 30 anos, é repórter do A Tarde desde 2006. Antes disso, começou a trabalhar como estagiário no jornal Tribuna da Bahia,em 2002, quando ainda era aluno da Facom (Faculdade de Comunicação da Universidade Federal [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=81&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color:#800000;">&#8220;A notícia tem que ser fiel à realidade o máximo possível&#8221;</span></h2>
<h6><em>Por:Danielle Lopes, Fernando Vivas e Leandro Moreira</em></h6>
<address><span style="font-family:Calibri, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><span style="color:#993300;"><strong><em><span style="color:#000000;"><br />
</span></em></strong></span></span></span></address>
<p style="text-align:center;"><span style="font-family:Arial Narrow, sans-serif;"><span style="font-size:small;"><strong> </strong></span></span></p>
<p><span style="font-family:'Times New Roman', serif;font-size:small;"><a href="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/samuelfoto1.jpg"><img class="size-full wp-image-104 alignleft" title="Samuel Lima" src="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/samuelfoto1.jpg?w=510" alt=""   /></a>O<strong> </strong>jornalista Samuel Lima, 30 anos, é repórter do A Tarde desde 2006. Antes disso, começou a trabalhar como estagiário no jornal Tribuna da Bahia,em 2002, quando ainda era aluno da Facom (Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia). Nos dois jornais, sempre escreveu para a editoria Local, na área de Segurança. Nessa entrevista, Samuel conta como é sua rotina de cobertura dessa área para o jornal A Tarde e avalia algumas matérias publicadas nos outros jornais de Salvador.</span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"> </span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Como surgem as pautas em sua editoria no A Tarde ?</strong></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong> </strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">As pautas surgem de várias formas. Geralmente conseguimos informações através dos contatos que vamos adquirindo durantes as coberturas (policiais, advogados, etc), e através da Central de Telecomunicação das Polícias Militar e Civil (Centel), que é de onde temos, diariamente, pontos de partida para algumas matérias. Na verdade eles nos dão um respaldo oficial, ou seja, se recebemos alguma informação imprecisa sobre um crime ( a ligação de um leitor, por exemplo), confirmamos com a Centel a veracidade do fato.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Quais são os critérios para escolha de pauta? Você pode comparar esta escolha dentro dos jornais A Tarde e Tribuna da Bahia ? </strong></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong> </strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">No meu tempo, lá no Tribuna da Bahia, o pessoal dava muita importância à imagem que causasse maior impacto, por pior que ela fosse. Já aqui no jornal A Tarde, pelo menos quando eu cheguei, já não era assim. Hoje em dia já não usam tanto imagens chocantes (como corpo decepado, esses tipos de coisas), que infelizmente a Tribuna explorava muito. <span style="color:#339966;"><span style="color:#800000;">Eu vejo o A Tarde mais preocupado em não veicular certo tipos de imagens, como essas que citei, e até mesmo os textos acabam sendo mais sóbrios</span><span style="color:#556b2f;">.</span><span style="color:#4e661d;"> </span></span><span style="color:#000000;">É</span><span style="color:#000000;"> claro</span> que colocamos também a parte da emoção, não podemos nos abster disto, mas é utilizada de forma equilibrada. A Tribuna acabava por querer personificar os fatos, criar personagens. Aqui, se fazemos isso, inserimos em um contexto ( por exemplo: houve um estupro em determinado bairro, aí já relacionamos a quantidade de estupros que foram registrados anteriormente, para poder dar uma amplitude maior a matéria).</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Como é sua rotina de trabalho e quantas matérias você produz em media por dia?</strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"> </span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">É assim, tem hora para chegar mais não tem hora pra sair. Chego aqui na redação às 14 horas, e a depender do que vá aparecendo durante o dia você vai ficando. O pessoal da manhã já vai fazendo uma apuração e vai deixando as programações , até mesmo pra não repetir. Eu já cheguei a produzir cinco matérias em dia de fim de semana , mas em média um repórter aqui produz cerca de 2 a 3 matérias diariamente.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Caso aconteçam vários homicídios como funciona a escolha do mais noticiável?</strong></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong> </strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="font-size:small;">Nesse caso o editor vai ter que selecionar: em que situação ocorreu, quem foi a vítima, se é uma pessoa conhecida. Qual teria mais relevância, qual vai causar maior impacto ? Um idoso assassinado a facadas, por exemplo, é um tipo de crime que costuma chocar.</span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Você encontra dificuldades com a disponibilidade de recursos para a atividade </strong></span></span><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>do trabalho (automóveis, equipamentos, etc.)?</strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><span style="color:#556b2f;"> </span></span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><span style="color:#800000;">Como temos um grupo numeroso de repórteres, às vezes precisamos do mesmo equipamento (veículo, na maioria dos casos) num momento de urgência.</span><span style="color:#800000;"> </span>O que mais acontece é isso. Agora, em relação à computadores na redação, ou mesmo de uma solicitação de viagem para matéria, por exemplo, não existem impedimentos. </span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Qual a importância dos anúncios publicitários no A Tarde e como ele influencia na seleção e disposição da noticia ?</strong></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong> </strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">O anúncio é a maior parte da receita financeira do jornal impresso, por conta disso ele vai ter a prioridade na página. Matérias caem por conta do anúncio. A distribuição é assim: a página 4 é sempre bloqueada para publicidade (às vezes, mas muito dificilmente, pode entrar um); a 5, na sequência, geralmente vem com meia página de anúncio; na 7 vem um anúncio grande. A matéria tem que obedecer a distribuição do anúncio, pois é isso que mantém as engrenagens.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Qual seria o perfil do leitor do A tarde? </strong></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong> </strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">Acredito que seja em grande maioria da classe A e B, talvez C. Porém, mais A e B. A população de renda mais baixa talvez tenha contato com o jornal mais pela internet na lan house, ou numa leitura rápida na banca de revista. Acho que a população da classe mais baixa prefere o Correio, que tem um preço mais acessível, e que adotou agora um perfil mais popular.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Qual a linha editorial do A Tarde? </strong></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong> </strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">Eu vejo assim. O jornal às vezes quer ir para o lado popular, mas fica preso às suas raízes, um pouco mais conservadoras, uma visão que se encaixa mais no leitor da elite, até mesmo pelo perfil de seu público. Por exemplo,<span style="color:#800000;"> </span><span style="color:#800000;">uma pessoa foi assassinada no subúrbio ferroviário e, no mesmo dia, um adolescente foi assaltado no Itaigara e tomou um tiro no braço. Lógico que a notícia do adolescente veio na frente, porque o Itaigara tem mais o público do jornal.</span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Até que ponto a sua visão dos fatos interfere na construção da notícia ? E o como você monitora essa interferência? </strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">Suas impressões podem estar no seu texto, mas de uma forma mais implícita. Você tem que ser jornalista, se despir da posição de pessoa indignada e ser objetivo. É claro que existem situações absurdas em que você, como jornalista, não pode fechar os olhos e consegue, não de forma escancarada, deixar no texto seu sentimento de “não indiferença” ao que você encontrou. <span style="color:#556b2f;"><span style="color:#800000;">As aspas servem muito bem à esse expediente. É sempre bom ter declarações de pessoas, criando conflitos de opiniões que levem o leitor a refletir sobre o fato</span>.</span> A notícia tem essa característica de despertar discussões, alimentar debates. </span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Qual sua opinião sobre a reforma ocorrida no A Tarde ?</strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"> </span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">Essa reformulação privilegiou muito a parte visual, ou seja, a arte, a fotografia. Hoje, com a implantação dos novos </span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><em>templates </em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">(modelos pré-estabelecidos de páginas)</span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">, você tem um espaço maior para a imagem. O que ficou um pouco prejudicado foi o lado do texto em relação ao espaço. Como as fontes são maiores, sobra menos espaços para os textos, que ficaram mais curtos e diretos. O objetivo é proporcionar uma leitura mais agradável e dinâmica.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>No dia 25 de outubro o Correio publicou uma notícia sobre o crack na Barra que os outros jornais não publicaram. Por que não saiu no A Tarde ?</strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"> </span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">Nem todos os jornais têm as mesmas fontes, nem todos vão cobrir sempre o mesmo assunto. Existem as apostas. Às vezes você pode ter uma informação e o outro não. É natural no jornalismo. Disso saem os chamados “furos” de reportagem. <span style="color:#800000;">A Tribuna, mesmo com suas limitações, já conseguiu vários “furos”. É comum entre os jornais, é uma questão de apostas e oportunidades.</span> No ano passado fizemos uma matéria sobre o crack no Centro Histórico. O Correio não deu. Isso é a concorrência, isso alimenta o apetite do jornalista em correr atrás da notícia.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>No dia 02 de novembro o Correio publicou manchete com o assassinato do apresentador de TV Jorge Pedra e o A Tarde só publicou a notícia no site. O que aconteceu ?</strong></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong> </strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"> Esse fato aconteceu num domingo. Eu estava em casa e fui informado por uma fonte. Isso lá pelas 21h30, liguei para acionar o repórter de plantão do jornal. Por causa do prazo de fechamento, às 22h00, o repórter já saiu da redação sabendo que não daria tempo de publicar a notícia no impresso. Ela foi publicada no site.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>No dia 05 de novembro A Tarde publicou uma manchete assinada por você e a correspondente da sucursal de Santo Antônio de Jesus. Explique como aconteceu a edição dessa matéria e por que a foto do personagem principal da notícia, o turista francês mutilado por ladrões, ter sido publicada apenas no Correio.</strong></span></span> </span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">A correspondente Cristina Santos começou a apurar a matéria em Itaparica. Fui enviado para lá posteriormente. Coube ao editor juntar o meu texto com o dela, fazendo uma distribuição ótica das ideias. Não é muito complicado, não.</span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong>Quanto a exclusividade da foto: a relevância do caso exigiria que uma equipe fosse mandada de Salvador imediatamente para Itaparica. Mandaram a sucursal de Santo Antônio que não tinha fotógrafo. </strong></span></span></span></p>
<p><span style="font-family:Times New Roman, serif;"><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;"><strong> </strong></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-size:small;">Quando chegamos a Itaparica a equipe do Correio já tinha conseguido fotografar o francês parece que usando o artifício de entrar no hospital como visitante. Repetiram a dose no dia seguinte, no HGE, quando uma estagiária se passou por visitante e fez uma suíte com o francês que tinha sido transferido para Salvador. Talvez ele nem soubesse que estava sendo alvo de uma matéria. <span style="color:#800000;">Acaba sendo uma invasão de privacidade, além do hospital ter suas regras. É aí que eu não sei até que ponto vale tudo pela notícia</span><span style="color:#800000;">.</span><span style="color:#800000;"> </span></span></span></span><span style="color:#000000;">■</span></p>
<p><strong> <strong>Leia em edição de revista : </strong></strong></p>
<p><strong><strong><a href="http://www.scribd.com/doc/23352286">http://www.scribd.com/doc/23352286</a></strong></strong></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/81/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=81&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Alan Lima</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 08:55:53 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Saímos de uma tiragem de 13 mil, já estamos em 25 mil&#8221; Por Ana Carolina Andrade, Letícia Andrade e Mab Jornalista do Correio desde 2007, Alan Lima divide seu tempo entre a coordenação de esporte da TVE e a editoria de economia do Correio*. Já trabalhou em diversos meios: desde a TV Aratu, passando pela Rádio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=46&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color:#800000;">&#8220;Saímos de uma tiragem de 13 mil, já estamos em 25 mil&#8221;</span></h2>
<div id="attachment_47" class="wp-caption alignright" style="width: 583px"><a href="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/img_0011.jpg"><img class="size-large wp-image-47  " title="alan lima" src="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/img_0011.jpg?w=573&#038;h=430" alt="alan lima" width="573" height="430" /></a><p class="wp-caption-text">Alan Lima</p></div>
<h5><em>Por Ana Carolina Andrade, Letícia Andrade e Mab</em></h5>
<p>Jornalista do Correio desde 2007, Alan Lima divide seu tempo entre a coordenação de esporte da TVE e a editoria de economia do Correio*. Já trabalhou em diversos meios: desde a TV Aratu, passando pela Rádio Metrópole, até a TV Camaçari. Foi também aluno da FACOM, onde foi indicado  pelo seu professor Emiliano José, para trabalhar no Jornal da Bahia, iniciando a carreia jornalística antes mesmo de se formar. Alan nos concedeu essa entrevista prontamente, mostrando sempre disposição e bom humor.</p>
<p><strong>Primeiramente, como começou sua carreira de jornalista e há quanto tempo você trabalha aqui?</strong></p>
<p><strong>Alan</strong> &#8211; Comecei como jornalista em 92 no Jornal da Bahia, num domingo, 14 de junho de 1992. Já tinha estagiado na Embasa, estágio que eu não cheguei a concluir. Estava fazendo um trabalho de faculdade na FACOM com a história do jornal da Bahia e, após o trabalho, o editor da época, Wander Prata, pediu para nosso professor, o hoje deputado Emiliano José, que indicasse cinco alunos para estagiar no jornal e eu estava entre esses cinco. Em 92 eu ainda não era formado, me formei em maio de 93. De lá pra cá, trabalhei no Jornal da Bahia até final de 93 ou 94 quando ele fechou. E ainda em 93 eu ingressei no Bahia Hoje, jornal criado naquele ano e que durou até 97. Em 97 o jornal acabou e eu passei para a televisão. Fui para a TV Bandeirantes, até então sempre como repórter. Na TV Bandeirantes eu comecei a editar, além de fazer as reportagens do programa de esporte. Comecei com esporte em 92. Em 97, eu passei pra Band e continuei com o programa de Bobô e, em 99, eu saí da Bandeirantes e fui pra TV Camaçari. Lá eu fazia tanto esporte como geral. Comecei a apresentar, eu já fazia reportagem e edição, passei a apresentar lá em Camaçari e retornei para a TV Aratu em 2000. Em 2000 eu comecei a conciliar os dois e em 2001,2002 eu me fixei só na Aratu. Depois tive uma interrupção na minha carreira por conta de uma cirurgia no joelho. Fiquei dez meses afastado e quando retornei, eu não fiz mais vídeo. Passei a fazer só edição, saí da tela. Nesse meio tempo, também com esporte, trabalhei na Rádio Metrópole, Salvador FM, Transamérica, 104&#8230; Sempre com esporte. Em 2007, eu retornei para o meio impresso, aqui no Correio, fiquei até julho do ano passado [2008]. Por conta da transição do nosso modelo de jornal, eu estava sendo muito exigido e não tinha como conciliar para a TV Aratu. Então, eu pedi demissão e fiquei só na Aratu. Esse ano eu fiz o inverso: pedi demissão do SBT Brasil e voltei pro Correio a convite. Há cerca de dois meses estou conciliando o Correio com a coordenação de esporte da TVE. No Correio eu sou repórter de Economia. Voltei pro Correio em abril e comecei na TVE em setembro.</p>
<p><strong>O que é que sua rotina exige? Você recebe a pauta logo cedo, recebe outra durante o processo&#8230; Como funciona?</strong></p>
<p><strong>Alan-</strong> Então, aqui a gente tem uma divisão básica que é a das editorias. Cada uma tem mais ou menos vida própria. Temos o Vida, que é cultura e variedades, o Bazar, que é semanal, de moda, decoração e etc, o Esporte, que também tem um funcionamento separado. Agora, <span style="color:#800000;">a</span><span style="color:#800000;"> cobertura de Bahia está dividida entre 24hrs e Mais*</span><span style="color:#800000;">. </span><span style="color:#800000;">O Mais* é aquele espaço onde tem de três a quatro matérias diárias mais aprofundadas. É onde há espaço para a reportagem mesmo. </span><span style="color:#800000;">Os assuntos que não têm um volume de informação ou expressividade em termo de manchete pra sustentar uma página dupla [as matérias do Mais* são sempre em página dupla], eles vão para o 24h* como registro. Dentro dessa divisão de Mais* e 24h*, existe a equipe de Bahia coordenada por José Bezerra, que cuida basicamente de política, cidades, manifestações, tudo que acontece mesmo de factual, e a equipe onde eu estou, que cuida de economia e política, além de fechar as seções de Brasil e Mundo.</span><span style="color:#99cc00;"> </span>Mas às vezes pegamos outras matérias. Aquela matéria de atirador de elite que matou um seqüestrador no Rio de Janeiro, quer dizer, é Brasil, e eu fiz. A gente tenta repercutir com alguém daqui, com um especialista local para trazer um olhar mais próximo. Já fiz inclusive uma página A3 de Miss Universo, que a gente decidiu que valia uma página A3, porque a Venezuela está ganhando todos, um atrás do outro. Então, fui pesquisar, já que é basicamente uma matéria de pesquisa (essas matérias de Mundo e de Brasil) e às vezes tem um especialista local para ouvir e, às veze,s não. Fiz uma matéria em cima da indústria de miss que se formou na Venezuela. Eles realmente criaram uma estrutura que eles, no mínimo, nos últimos 10 anos, chegaram entre os cinco.</p>
<p><strong>O que é que define a página A3? </strong></p>
<p><strong>Alan-</strong> A página A3 pode ser de qualquer editoria. Pode ser do Vida, se tiver algum artista em evidência, que já foi gente como Ivete Sangalo, Zeca Pagodinho, já foi de Mundo, como a Miss Venezuela, pode ser de Esporte, como na segunda-feira foi uma foto dos torcedores do Bahia aliviados porque o time escapou da série C [risos]. A página A3 é o destaque do 24hrs. Entre as notícias do dia é a que teve maior repercussão. <span style="color:#800000;">Mas, para ser a A3, tem que ter uma boa foto, porque a A3 é basicamente visual. </span>Metade da página, no mínimo, é foto. Isso quando não tem outras duas fotos como na edição de hoje, quarta-feira, 25 de novembro. As matérias de 24h* normalmente não chegam a uma lauda. As do Mais* chegam, ultrapassam. A divisão é basicamente essa. <span style="color:#800000;">A A3 normalmente é o factual do dia, o que tem de mais quente com uma boa imagem. </span>O factual que só sai em registro, por exemplo, “saiu o resultado da cesta básica”, tem alguma repercussão? Algum produto se destacou? Então é 24hrs. Dá pra desenvolver uma reportagem, dá pra enveredar por uma análise mais crítica? Vira Mais*. Isso é definido cinco horas da tarde.</p>
<p><strong>Até cinco horas é o limite?</strong></p>
<p><strong>Alan-</strong> É. São duas reuniões diárias. Até bem pouco tempo, antes de ir pra TV, eu participava da reunião de abertura. Eu era o representante da minha editoria na reunião de abertura, que acontece às 10 horas da manhã. <span style="color:#800000;">Nessa reunião, a gente traz para o editor-chefe a leitura dos jornais concorrentes para saber se nós tomamos furo e as apostas do dia. </span><span style="color:#800000;">Esse critério de apostas a gente aprimorou há alguns meses com a chegada do novo editor-chefe, Sergio Costa</span><span style="color:#800000;">. </span>O que é que acontecia antes? A gente sentava com a equipe reduzida que nós temos e cobria o máximo de assuntos. Isso não funcionava. Então, nós decidimos que nós apostamos nas nossas pautas. A gente bota na mesa &#8211; &#8220;Está acontecendo isso, isso e mais aquilo&#8221; e, em consenso, todas as editorias participam de todas as pautas e opinam. “-Acho legal fazer isso, acho que isso não vale tanto” e daí sai um consenso do que vai ser feito no dia. Já sai com uma indicação do que vai ser Mais* e do que vai ser 24h*, mas ao longo do dia, de 10 da manhã até cinco da tarde, tudo pode mudar. Pra Band News muda em 20 minutos, então em sete horas imagine o quanto não muda [risos]. Às cinco da tarde, tem uma nova reunião com os editores fechadores, que já são outros editores. <span style="color:#800000;">O elo de ligação é justamente o editor-chefe e o secretário de redação, Paulo Leandro, que participaram da reunião da manhã e à tarde recebem o feedback do que foi feito e do que surgiu nesse intervalo.</span> Matérias que eram Mais* de repente viram 24h*. Matérias que ninguém nem falou de manhã podem ser a manchete do jornal, como o caso da menina do Colégio Militar que foi encontrada na piscina. A gente não sabia disso 10 horas da manhã e virou manchete do jornal. Muda tudo. Aí você pega o que puder jogar pra outro dia e joga pra outro dia. O que puder repaginar, diminuir, aumentar. A idéia é ser o mais “quente” possível.</p>
<p><strong>Qual seria a principal proposta/aposta do Correio?</strong></p>
<p><strong>Alan-</strong> <span style="color:#800000;">A proposta do Correio* com a mudança é ser um jornal popular. </span><span style="color:#800000;">O fato de custar um real sinaliza justamente isso. </span>O formato também é mais fácil de carregar, é um jornal que não existia aqui nesse formato menor. <span style="color:#99cc00;"><span style="color:#800000;">Não escondemos de ninguém que estamos escrevendo para atingir um público que não lia jornal antes. A gente não está tentando tirar público de ninguém, não vou citar concorrência. O jornal que nós fazemos hoje cresce em índices superiores a qualquer outro jornal do país. </span><strong><span style="color:#800000;">Nós saímos numa tiragem de 13 mil no ano passado e já estamos em quase 25 [mil].</span></strong><span style="color:#800000;"> </span></span>O Correio está garimpando novos leitores, gente que não lia jornal, porque não era acessível, tanto financeiramente quanto no conteúdo, e o grande desafio do Correio hoje é fazer um jornal que prenda a atenção do leitor. Isso é um desafio do jornalismo mundial hoje. O jornal impresso é uma coisa em desuso, qualquer pessoa hoje acessa a internet e sabe tudo que precisa saber. Então, a idéia é você trazer pro jornal uma abordagem que desperte a atenção do leitor, se valendo ao máximo da imagem. A gente valoriza muito a imagem, textos curtos, fáceis de entender, com uma linguagem próxima da nossa realidade. <span style="color:#99cc00;"><span style="color:#800000;">Você vê que o Correio*, às vezes, até abusa um pouco dos termos mais populares e mais informais. </span><span style="color:#800000;">A idéia é essa, é estar próximo desse leitor, agora mantendo e respeitando aquela linha divisória que, às vezes, é muito difícil de identificar entre o popular e o popularesco. </span></span><span style="color:#800000;">Tentamos nos manter dentro da linha popular, mas com responsabilidade.</span></p>
<p><strong>O fato da matéria sobre o Crack e o caso de Itaparica terem saído com frequência quer dizer o quê?</strong></p>
<p><strong>Alan -</strong> Quando uma notícia ganha repercussão, o jornal vende mais. Tem algumas coisas que realmente surpreendem a gente, mas que se dá resultado, a gente tem que desdobrar. Alguns fatos interessantes, por exemplo, que já foram comentados na reunião: quando a gente colocou um pôster de Léo, do Parangolé, o jornal esgotou. Então, a gente investiu nisso e fez um ensaio fotográfico. Depois vieram as delegatas e depois os policiais rodoviários, a perfeita. Nós sempre temos algum destaque, assim, com esse enfoque, com alguém de sucesso, que tem uma atuação reconhecida, mas que também é bonito e desperta esse tipo de visão no leitor.</p>
<p><strong>Isso tem a ver com a aposta do dia?</strong></p>
<p><strong>Alan-</strong> Não. A aposta do dia tem mais a ver com o factual, com o que está acontecendo. Mas essas sugestões são colocadas em reunião. No dia que dá pra fazer, a gente faz. “-Olha, Léo vendeu bem, quem é o outro bonitão do pagode, com quem é que a gente pode fazer? Ah, vamos ver mais um cara que tem um fã-clube legal. Ah, não deu, aconteceu alguma coisa, então deixa isso aqui pra depois”. Outra coisa que a gente tem investido bastante: o jornal não tem sucursais (escritórios no interior, representação nas principais cidades, que é normalmente o que se espera). <span style="color:#800000;">Mas, por exemplo, a gente começou a circular em Feira de Santana e tem vendido muito. Não sobra um jornal. Então, temos investido muito. </span>Volta e meia mandamos um repórter pra passar uma semana em Feira. Normalmente ele vai e produz. Ele já produziu matérias nos cabarés de Feira de Santana, com os acidentes de moto que matam muita gente&#8230; Toda vez que a gente sai em Feira, o jornal roda com a página diferente. Imprimem uma capa para Feira. Essa é uma estratégia do jornal para garimpar leitores, ou seja, em Feira de Santana a gente também não tinha nenhum leitor porque a gente não circulava lá. Então, quem está comprando o jornal em Feira, não lia o jornal antes. Não vamos acreditar também que a pessoa deixou de ler um jornal concorrente pra ler o Correio* na primeira vez que viu. Não.<span style="color:#800000;"> </span><span style="color:#99cc00;"><span style="color:#800000;">O fato é que o jornal atinge um outro público, tanto que existem rumores de que a concorrência planeja um jornal popular, mais barato ainda que o nosso, 50 centavos. </span><span style="color:#000000;">I</span></span><span style="color:#000000;">ss</span>o é uma resposta ao crescimento do Correio*. O fato do Correio* ter colocado pra vender nas sinaleiras, com aqueles garotinhos uniformizados e preço ser R$ 1 é uma alavanca.</p>
<p><strong>Isso não gera um pouco de problema publicitário? Não há um problema de faturamento?</strong></p>
<p><strong>Alan-</strong> Veja bem, você botar o jornal a R$ 1, R$ 2,ou R$ 3, o preço que você paga no jornal não paga o papel. O papel do jornal é importado. A impressão do jornal é cara. Então, o preço do jornal, na verdade, é simbólico. O que vale mesmo, que é que os grandes jornais fazem, é trabalhar com assinaturas e produtos associados, coisa que o Correio* também faz. O que sustenta o jornal é a publicidade. O anunciante quer público. Se você vende 22 mil jornais por dia, e você sabe que o seu público é C, D e E, o anunciante de varejo, o anunciante desse público que compra de carnê, por exemplo, sabe que ali ele vai anunciar e obter mais retorno. A estratégia é: aumentar o público e ganhar na publicidade. O preço é simbólico. R$ 1 não paga, como R$ 2 também não pagaria.</p>
<p><strong>Existe uma linha editorial própria do Correio*?</strong></p>
<p><strong>Alan-</strong> Existe. Essa linha é mais voltada pra a população de classe C e D, mas isso não quer dizer que a gente faça um jornalismo rasteiro. A mesma notícia que você dá para o grupo A e B, você pode dar para o público C e D com outra abordagem. Por exemplo, na área de economia, que é onde estou incorporado atualmente, temos uma notícia da redução de IPI para a linha branca. Isso vai representar um impasse de X por cento nas vendas, vai precisar comprar tantos por cento mais barato&#8230; O cara que ganha dois salários mínimos quer saber: o que é que eu ganho com isso? Nossa linha de cobertura em economia é mais na direção de “seu bolso”. Redução de IPI, ok, e quanto custa aquela cadeira que o cara quer comprar no natal? Em quantas vezes ele pode parcelar? Ou se pagar à vista, ele tem vantagens? A gente vê como divide, compara preços, bota um quadrinho ali, ouve um especialista&#8230; Essa é a nossa linha. O que em outro lugar seria a notícia pura e simples, boa pra indústria e pra quem entende de economia, mas pra o leitor, que vai comprar uma geladeira no carnê, o que é que muda na vida? A idéia é essa: traduzir para o leitor médio qual o impacto da notícia na vida dele.</p>
<p><strong>É sempre voltado então para o interesse do público, não é?</strong></p>
<p><strong>Alan-</strong> Isso, público. <span style="color:#800000;">De uma camada mais popular de leitor.</span></p>
<p><strong>Percebemos que o tema mais freqüente, ou pelo menos o que mais sai na capa do Correio* é a questão da violência. É como se isso marcasse o jornal. Traz uma idéia de que o Correio vai trazer sempre uma notícia de violência na capa, com umas cores fortes, como vermelho e preto, para chamar bastante atenção.</strong></p>
<p><strong>Alan -</strong> É. Aí são alguns fatores que precisam ser abordados. A questão gráfica no novo projeto editorial deu liberdade ao Correio*. Nós podemos mudar a cor do nome do jornal, nós podemos mudar a posição, o nome pode vir em cima, do lado ou embaixo, onde a gente quiser.</p>
<p><strong>A exemplo da capa dos aviões, que veio do lado, não foi?</strong></p>
<p><strong>Alan</strong>- Isso, isso. Então essa liberdade gráfica possibilita a gente mexer com as cores e notadamente quando você bota uma tarja preta deste tamanho no jornal, você chama atenção. A violência tem sido, nos últimos anos, um tema recorrente no estado. É um dos pontos chaves da atual gestão. Nosso interesse é noticiar o que está acontecendo e existe um aumento da violência no estado. É inegável. Jornais populares sempre se valeram de manchetes policiais para vender, porque esporte e polícia vendem. Isso também é inegável. Temos, dentro da nossa equipe, alguns repórteres com boas fontes e especializados nesse tipo de cobertura. Então, quando alguma coisa acontece, a gente procura logo ver se tem história. Não noticiamos qualquer morte. Isso eu digo por que nos fins de semana eu assumo a chefia de reportagem. A primeira coisa que a gente faz de manhã é fazer a ronda. Liga pra polícia, vê quem morreu, quantos morreram&#8230; Mortes isoladas a gente não cobre. Agora, morreu um cara, invadiram a casa dele, metralharam ele todo, ele tinha uma filhinha pequena&#8230; Quer dizer, isso tem uma história. Se tem história, vamos investir. Pode ser um Mais*. E se tiver realmente uma boa história, fatalmente vai ser um Mais*. A história toca nas pessoas. Esse público que a gente trabalha é um público que mora nesses lugares desassistidos e que morre de medo quando vê o carro da polícia chegar, quando houve um tiro pipocar no meio da noite. Essas histórias tocam e têm a ver com a vida deles.</p>
<p><strong>Isso aproxima, não é?</strong></p>
<p>Exatamente. É a idéia de aproximação do leitor. Sempre priorizamos o aspecto local.</p>
<p><strong>Como no caso de Economia, que você acabou de citar.</strong></p>
<p>Exatamente. É uma coisa que ele vê na vida dele. Ele sabe que em algumas incursões a polícia mata indiscriminadamente, acontece, já aconteceu e vai continuar acontecendo. É a idéia de você morar no bairro errado. Está lá uma gang e a polícia está atrás de determinadas pessoas e um inocente sobra. Isso já aconteceu várias vezes. Mas quando acontece pra gente é mais uma notícia, mas, pra eles que moram, é um filho perdido, um amigo, um parente&#8230; E quando levantamos essa notícia, trazemos pra perto das pessoas que vivem esse drama na pele.</p>
<p><strong>Aconteceu também um enquadramento maior com a matéria do crack, tema que os outros jornais não abordaram.</strong></p>
<p>É, aí vem a questão do furo, que é muito valorizado na atual gestão. Quando conseguimos uma notícia que é uma manchete e essa manchete dá resultado, procuramos repercuti-la ao máximo. Enquanto houver desdobramento, vamos tentar repercutir. Agora, ela vai perdendo força com o passar do tempo. Uma manchete sai dois dias seguidos, depois ela está num cantinho na capa, depois ela não está na capa, está só dentro, até que ela morre. Essa questão do crack foi um investimento que o jornal fez, com uma reportagem investigativa. Colocamos um repórter do alto de um prédio e tivemos os primeiros flagrantes fotográficos. Depois mandamos nosso repórter para locais perigosos. Ele chegou até a ser ameaçado. Mas nós conseguimos bons depoimentos e boas fotos. Quando você faz um material desse, não adianta a concorrência correr atrás. Como já aconteceu com a gente também. Já aconteceu de o concorrente trazer uma coisa forte, a gente trazer pra reunião e dizer “-Não, eles já deram. Não vamos conseguir dar melhor do que eles”. Nesse caso não existe um factual, não aconteceu nada, não teve nenhuma apreensão de crack, ninguém morreu. <span style="color:#800000;">Fizemos uma matéria sobre o consumo de crack no Centro Histórico, que é uma coisa visível,. Mas quando você mergulha no tema você consegue boas histórias. Aí a gente deu primeiro, ninguém vai dar.Temos que aproveitar isso. Se você sai na frente, você tem que capitalizar o máximo esse furo, porque a pessoa que leu o primeiro e gostou, vai ler amanhã, vai ler depois&#8230; [risos] E o que não falta é história de crack.</span></p>
<p><strong>É como se fosse uma novela.</strong></p>
<p><span style="color:#99cc00;"><span style="color:#800000;">É mais ou menos a lógica da novela: você fica esperando o próximo capítulo</span>.</span> Como foi o caso do Enem. Tínhamos uma coleção voltada para o Enem e um repórter especializado em Enem, que é Felipe Amorim, que fez sinopse de livros que caem no Enem, entrevistou professores de cada disciplina pra dar dicas e etc. Tudo o que é possível falar de Enem, Felipe já falou. Ele sentiu um alívio muito grande nesse final de semana porque o Enem vai ser realizado e ele não vai ter mais que falar de Enem. A “continuidade” é um tipo de estratégia que a gente usa, porque se um estudante que compra o jornal e vê que ali tem dicas legais pra ele fazer a prova do enem, ele quer ler amanhã e depois. Ele pesquisou livros, ouviu especialistas, até chamam ele atualmente de Mister Enem. É um tipo de investida que vale à pena, quando você coloca alguém pra se especializar no tema, ou seja, se qualquer outro jornal for querer fazer algo parecido vai ter que correr atrás, porque a gente já tem uma cara fazendo isso há muito tempo, então ele domina o tema.</p>
<p><strong>E ele já estava com esse tema desde a fraude?</strong></p>
<p>Estava com o tema antes mesmo da fraude.</p>
<p><strong>E foi ele quem cobriu a fraude?</strong></p>
<p style="text-align:left;" dir="rtl">Foi ele, comigo. No dia da fraude, Linda [Linda Bezerra], a chefe de reportagens local, me requisitou pra fazer a cobertura. Tínhamos um plano de cobertura e o Mais* foi todo sobre essa fraude. Como Felipe já tinha feito várias matérias, ele sabia quais as faculdades que aceitam o Enem, quais as faculdades que possuem cotas pelo Enem e etc. Então eu e ele dividimos: ele fez mais a parte educacional (“como é que fica minha preparação pro enem?”), e eu cuidei das faculdades (“vão adiar o vestibular, não vão, vão aceitar o Enem e esperar o resultado?”). Então dividimos e fizemos a matéria juntos. Ele já vinha fazendo a matéria sobre o Enem desde antes, para a semana em que ocorreu a fraude. Na verdade, quando o Enem foi adiado, Felipe quase teve um troço, porque seriam mais algumas semanas para poder falar sobre o Enem, e ele já tinha feito tudo sobre preparação pro Enem! Mas, enfim, foi um assunto que rendeu bastante. Acho que aí, tanto na denúncia quanto no serviço, a gente presta um serviço legal mesmo. De um lado você ajuda as pessoas a se prepararem para um concurso que pode abrir uma vaga na faculdade, e de outro você coloca em debate um tema que aflige muitas pessoas, como o crack. Então, são várias formas de você chegar ao leitor com informação próxima da realidade dele</p>
<p><strong>Esse debate intenso sobre o Enem não termina tomando o lugar de outras matérias também importantes? Como vocês fazem para selecionar?</strong></p>
<p><strong><span style="font-weight:normal;">Esse peso é dado na reunião de 5 horas, quando se define qual o espaço que cada matéria vai ocupar. Mas, por exemplo, numa matéria como o Enem, você não pode chegar num dia e não sair, ou sair no 24h*, porque a pessoa não vai entender. Quando estávamos com a coleção do Enem, tínhamos fascículos com testes que eram respondidos no dia seguinte. Por um erro da editora de quem a gente comprou esse tipo de material, teve um que não saiu no fascículo seguinte, e isso quase não me atrapalhou na redação (sendo irônico).  Choveu ligação perguntando cadê a resposta do fascículo anterior. O povo queria corrigir. Quando você cria algo assim todo dia, você não pode abortar. Mas o jornal é muito flexível em relação a isso. Quando tem assuntos demais e páginas de menos e um dos assuntos é o Enem, aumenta-se o número de páginas do jornal. O jornal roda normalmente com trinta e duas páginas, mas tem dia que roda com quarenta. Ou por determinação de comercial, excesso de anúncio, ou porque a gente precisa de mais espaço mesmo. Aí é a batalha de editor pra editor: o editor vem aqui e defende isso aqui tem que ser Mais*. Aí, eles conversam, uma das duas matérias vai ter que cair. Se os dois forem convincentes e disseram que as duas têm que ser Mais*, eles conversam e decidem se vão abrir mais quatro páginas, porque não podem pular de trinta e dois pra trinta e três, só se pode pular de quatro em quatro. Ah, se não tem anúncio pra preencher as quatro páginas e a matéria só tem duas páginas, bota calhau. Calhau é aquela publicidade institucional.</span></strong></p>
<p><strong>Nossa próxima pergunta era justamente sobre isso.</strong></p>
<p>É. Aí coloca um anúncio da Rede Bahia, bota um anúncio do Festival de Verão, qualquer coisa que seja da casa. O importante é que a matéria saia. Você não vai deixar de dar uma matéria legal, que tem peso, por causa de duas páginas. Como só aumentamos de quatro em quatro e a matéria só tem duas páginas, as outras duas você preenche com calhau, que é o famoso “tapa buraco”. Mas um calhau publicitário, porque a casa tem vários braços, tem rádio tem TV, tem internet, tem eventos&#8230; Então a podemos preencher com qualquer uma dessas possibilidades. A gente pode colocar um anúncio da novela&#8230;(risos). Agora tapa buraco em forma de matéria não.</p>
<p><strong>E no caso de faltar notícia? Isso acontece?</strong></p>
<p>Não, porque a gente tem essa liberdade gráfica. Por exemplo, digamos que a matéria não rendeu o suficiente, que já aconteceu comigo. Uma matéria pra Mais*: eu tenho duas páginas limpas e eu só enchi uma e meia. Eu posso abrir uma foto, posso botar uma ilustração, posso botar um quadro de arte, destacando algum número&#8230; Então, essa liberdade gráfica que permite a gente preencher as páginas, fica até visualmente melhor, porque você coloca imagens, coloca mais cor e não precisa escrever enrolação. Isso não acontece. Pelo contrário, sentimos mais falta de espaço para escrever. Na verdade, temos que cortar nossos textos, temos que nos adaptar a escrever menos, que é a tendência do jornalismo moderno, pra poder caber na página. É raro a gente não ter o que colocar. Normalmente, a gente pede mais espaço. E aí a solução às vezes é preencher os mezaninos. No Mais*, são aquelas noticiazinhas que vêm no alto. Esses mezaninos, normalmente, são temas ligados a sua reportagem. Se eu estou falando sobre consumidor, IPI, eu posso falar de juros, crediário, formas de parcelamento. Mas se eu tenho muito assunto e minha página não comportou, eu transformo em um texto de mezanino. Isso também pode, não é comum, mas se for pra não desperdiçar informação, pode acontecer.</p>
<p><strong> No caso, parece ter sempre mais informação do que espaço. Como vocês fazem pra cortar determinada informação? Como é o corte e a edição? O que tem prioridade?</strong></p>
<p><span style="color:#800000;">Prioridade é a essência mesmo da notícia. Ainda valem aquelas regrinhas do quando, como, onde, quem e por que, lead, sub lead. Mas o lead está sofrendo um processo de transição diferente do que aquele que a gente aprendeu na escola. Mas ainda é um parâmetro que não foi substituído totalmente.</span><span style="color:#800000;"> </span>A questão de cortar o próprio texto é aquela velha história: aqui no Correio temos muita liberdade. O repórter pensa a página, escolhe a foto, dá o título&#8230; Ele praticamente entrega a página pré-editada. Mas, depois dele tem o editor. Então, ou você consegue compactar a informação ou você corre o risco do editor cortar, se você não conseguiu cortar. Mas normalmente temos que entregar a página em azul. Então, se tiver faltando, no sistema fica vermelho. Se tiver passando, ele também fica vermelho. Tem que ter exatamente o tamanho que está ali. Digamos que ficaram faltando duas linhas, então se distribui as frases e tal e ganha espaço. Às vezes estoura uma linha, aí diminui o tamanho da letra, que não é recomendável, mas a gente faz. Ou então corta mesmo, acha algum lugar pra cortar. Agora, quando é muito volume de informação, você tem que negociar. A liberdade gráfica existe, mas uma vez riscada, você tem que seguir o que está ali na pauta. Mas se vai passar muito você diminui a foto, dá um corte na foto, às vezes o texto vai em cima da foto também. Existem algumas saídas.Mas, normalmente, você tem que escrever dentro daquele espaço. Como é você mesmo que risca, você já sabe quanto você tem. Mas alguma coisa eventualmente se perde. Poderia ser um detalhe, um textinho de apoio, entendeu? Mas o principal tem que estar ali. O principal tem que estar nos dois primeiros parágrafos. Isso ainda não mudou muito, pelo menos pra mim. É aquela história: o cara que leu os dois primeiros parágrafos tem que saber do que se está tratando a matéria para decidir se ele vai ler o texto. Mas o que ele precisa saber pra se informar tem que estar no início.</p>
<p><strong>Conversando com você, percebemos que o Correio* dá muita autonomia aos repórteres. Você falou que cobriu uma reportagem do Enem com Felipe Amorim, mas você trabalha também na parte de Economia.</strong></p>
<p>É, nesse dia eu fui recrutado por Linda [Linda Bezerra, chefe de reportagem]. Tinha muito volume e precisava de mais gente pra cobrir. Como eu já tinha trabalhado com Linda, ela me pediu isso.</p>
<p><strong>Então, cada repórter tem um núcleo, uma editoria fixa?</strong></p>
<p>Tem. Até antigamente não, todo mundo era Mais*. Depois da divisão,<span style="color:#800000;"> fi</span><span style="color:#99cc00;"><span style="color:#800000;">car</span><span style="color:#800000;">am seis repórteres em política e economia e 12, se eu não me engano, em cidade. Mas pode ocorrer de migrar também.</span></span></p>
<p><strong>Se alguém precisar de ajuda na cobertura&#8230;</strong></p>
<p>É, porque às vezes tem repórter que está folgando e todo tipo de situação imprevista. Mas não é comum migrar de uma editoria para outra, não. Existe a colaboração, mas não é comum migrar. Cada um cuida do seu quadrado mesmo. A idéia dessa nova gestão é que as pessoas sejam especialistas e responsáveis pelos seus temas. Se acontece alguma coisa em economia e nós não estamos sabendo, vamos ser cobrados por isso.</p>
<p><strong>Até pra aprofundar mesmo</strong>.</p>
<p>Exato, exato. Temos até uma assessora de saúde, Carmen Vasconcelos, que tudo que acontece em saúde é com ela e tem que ser com ela. Se acontece alguma coisa de saúde, é ela que corre atrás. Se alguém mais morreu de meningite lá em Itabuna, ela tem que correr atrás.</p>
<p><strong>Queremos saber dessa questão da noticiabilidade. Exemplo, se você pegar uma notícia, o que vai chamar mais atenção aquilo que é o inesperado, o insólito, uma morte de alguém relevante socialmente&#8230;?</strong></p>
<p>Aí são dois aspectos. Pessoas importantes são notícia independente do que a gente pensa sobre elas, seja de que segmento for. Por exemplo, se morreu um pagodeiro. Um pagodeiro tem uma legião de fãs Independente de você achar se aquilo é bom ou não, você tem que cobrir, afinal o cara é famoso. Da outra situação que você citou, é aquilo que eu falei: se a morte tem história e tem drama, vale como notícia. Aí você não vai mostrar a morte pura e simplesmente, um homicídio simplesmente. Sim, ele foi metralhado e aí? Todo dia tem alguém metralhado em algum lugar, pode ter certeza disso. Ou: foi metralhado e a mulher estava grávida e de repente o filhinho de um ano&#8230; Então, ganha outro texto. Também acontece com frequência, mas você vai mostrar por outra óptica, de quem ficou, de quem sofreu aquela dor&#8230; Eu acho que é mais por aí.</p>
<p><strong>Até usamos um exemplo lá na nossa sala sobre a morte de Michael Jackson. E aí, se morresse Michael Jackson e o vice-presidente do Brasil, quem sairia na capa, seria pelo critério de proximidade, de relevância?</strong></p>
<p>Pela minha experiência, estariam os dois.</p>
<p><strong>Os dois lado a lado?</strong></p>
<p><span style="color:#800000;">Estariam lado a lado, mas possivelmente&#8230; Bom aí eu vou me contaminar pelo meu gosto pessoal. Eu não sei se seria a opinião do editor-chefe, mas na minha página os dois estariam, só que Michael Jackson em foto maior [risos]</span><span style="color:#800000;">,</span> embora o drama do vice-presidente esteja sendo acompanhado por muita gente. Ele já é visto hoje como um lutador, como um herói. Coitado, ele já escapou de várias. E&#8230; A reportagem já está pronta&#8230;!</p>
<p><strong>Nossa! Em </strong><strong><em>off</em></strong><strong> aqui&#8230;Nosso furo, hein?</strong></p>
<p>Reportagens como essas sempre estão prontas. A de Jorge Amado estava, a de Dorival Caymmi estava&#8230; Não está pronta batida, mas a pesquisa já está toda feita. Porque é aquela história, você não pode esperar isso acontecer. Imagina se isso acontece num domingo, com um terço da equipe trabalhando? Daqui que você pesquise fotos, a vida do cara toda, ouça as fontes, você não consegue colocar no jornal pro dia seguinte.</p>
<p><strong>Que nem a questão do apagão. Vocês saíram super na frente.</strong></p>
<p>E aconteceu tarde. Esse tipo de cobertura, por exemplo, do fundador, ACM, que morreu, já tinha praticamente tudo pronto. Foi um caos aqui dentro. Eu estava no dia. Mas, assim, reuniu-se a equipe rapidamente, eu cuidei da parte de educação com umas duas repórteres, outros cuidaram de saúde, outros cuidaram de política, outros cuidaram de obras&#8230; Tudo que o senador fez na vida política dele. Então, fui eu correr atrás de todos os colégios que ele inaugurou, dos projetos educacionais, do Colégio Modelo. O pessoal de saúde, quantos hospitais ele inaugurou, em quantas cidades&#8230; Mas a pesquisa já estava feita só tinha que dividir as tarefas. Imagine se eu deixo pra pesquisar a vida de ACM no dia em que ele morre? Não dá. Lá na TV Aratu foi a mesma coisa quando Dorival Caymmi morreu. A gente deixou gravado, pronto para ir ao ar, há três meses. <span style="color:#800000;">Quando ele morreu, estava pronto. Não dá pra esperar. É um trabalho meio de urubu. Tem que atuar, não é que a gente esteja secando a pessoa, mas você tem que otimizar seu trabalho. </span>O que é que você vai precisar falar da pessoa? A trajetória. Então se você já pode deixar isso pronto, quando ela morrer você vai botar o quê? Você só vai atrás de como morreu e depoimentos. Aí você liga pras pessoas e “Dorival Caymmi morreu, e aí?”, “pó ele era importantíssimo pra música” você vê aí, você ouve Ivete Sangalo, ouve Gilberto Gil, algumas personalidades da música e a história é essa aí. Aí, pronto. Você tem uma história. A história foi contada, com foto,com tudo. Isso é de praxe, não foi a gente que inventou não [risos]. O de José Alencar está semi-pronto. Se bem que eu acho que agora vai demorar um pouquinho, mas teve um fim de semana que era quase certo que ele ia morrer. Ele voltou pro hospital às pressas, lembra? Foi numa sexta-feira. Aí o pessoal do plantão disse “olha, esse cara vai morrer no sábado ou no domingo”. Aí despejem um material, preparem isso aqui, deixem tudo pré-editado. Se ele morrer está pronto. É chato dizer isso, mas se ele morrer&#8230; Faz parte do trabalho [risos].</p>
<p><strong>Você passou por vários veículos de comunicação. Quando você muda, existe alguma dificuldade em se adequar à linha editorial?</strong></p>
<p>Você sente a diferença, mas a adaptação é rápida. Por exemplo, em alguns jornais você escreve mais, aqui no Correio* você escreve menos. A abordagem é diferente, a gente tem um público definido. Agora o fato de a gente ter um público definido ajuda muito. Quando você escreve uma coisa que não é tão acessível quanto pretendemos, o editor muda e ele te mostra. Ele diz “-Olha, esse termo aqui, o morador do subúrbio médio, com uma instrução não tão avançada, não vai ter condições de entender”. Quer dizer, são termos que você usa normalmente em um texto, mas que você vai ter que pensar, poxa, o cara que está lá em Paripe vai entender isso? Tem outra palavra pra botar? Ela é mais simples? Então, bota. Mas isso você pega até nas avaliações diárias, que o secretário de redação faz uma avaliação criteriosa de tudo que a gente e vai pro e-mail de todo mundo, página por página. Aí revisa, vê o que errou, a grafia, a abordagem&#8230; Até pela questão que você falou dos fatos curiosos, que chamam de <em>faits divers</em>. A gente valoriza e estimula muito isso, esse negócio de fatos curiosos. Às vezes não tem texto nenhum, não apurou nada, mas é uma foto de um cavalo no meio da rua, ah, vamos botar lá “um cavalo passeava ontem pelas ruas da Federação”. Tem a foto do leitor&#8230; Isso tudo é muito valorizado. O jornal tem a pretensão de estimular a interatividade. Temos um site e a tendência desse site é que o conteúdo seja cada vez integrado ao conteúdo do Correio*. Deve ser uma ferramenta para nos aproximar mais ainda do leitor. Estimulamos que o leitor mande foto, mande texto, mande sugestão de pauta. A gente publica as cartas, responde quando eles escrevem para se queixar ou sugerir alguma coisa. Então, tudo isso pra gente é positivo.</p>
<p><strong>É por osmose,então?</strong></p>
<p><span style="color:#99cc00;"><span style="color:#800000;">É. Por exemplo, de manhã eu estou na TVE. Eu sei que a TVE é uma emissora do estado, existem certos temas que eu não posso tratar lá, porque vão contra ao estado. Assim como aqui também você tem que ter esses parâmetros.</span> </span>Então você vai pegando no dia-a-dia mesmo, mas não existe um choque muito grande, pra dizer que eu escrevi e mandaram reescrever o texto todo. Não, também já é demais. Você pode ter um enfoque diferente, em vez de comentar assim, você comenta assado, bote logo essa história em cima. Às vezes o cara começa a dizer “- Ontem não sei o quê foi, matou e etc. Aí no segundo parágrafo “fulano de tal”, que é o morto, “estava atravessando a rua. Ele ia encontrar com a esposa que estava no shopping fazendo compras com a filhinha de quatro anos”. Quer dizer, o que fica mais forte, dizer que um carro atropelou o cara e ele morreu? Quer dizer, isso acontece mil vezes, ou dizer que o cara estava indo ao encontro da família quando foi atropelado por um carro.</p>
<p><strong>Toca mais no leitor</strong>.</p>
<p>Pois é. Então “o rapaz saiu do trabalho e estava atravessando a rua a poucos passos de encontrar sua filha e sua esposa no shopping, veio um carro em alta velocidade&#8230;”. Quer dizer, uma mesma notícia, mas você pode contar de formas diferentes. Pra quem começou a ler, vai se interessar por essa história. Podia ser ele, podia ser eu. Agora “um carro atropelou alguém em frente ao Iguatemi e esse alguém morreu”. Quantas vezes isso já aconteceu? Agora se você disser que era um alguém, que tinha uma mulher, que tinha uma filha e que a filha tava na porta do shopping esperando ele chegar e que por causa de 100 m ele não conseguiu encontrar a filha já ganha outro peso. Então, num jornal popular a gente busca isso.</p>
<p><strong>Se existisse, por exemplo, uma morte dramática num bairro popular também contando a história de uma família e uma tragédia num bairro nobre&#8230; Como seria a ênfase? Existiria uma preferência?</strong></p>
<p>Como notícia, como drama humano não muda muita coisa porque a família que está lá na Barra, por mais que more num condomínio de luxo vai sentir a mesma dor de quem perde um filho em qualquer lugar do mundo. Agora, é mais comum a gente fazer esse tipo de história no bairro popular, que acontece mais, agora no bairro nobre também tem essa conotação. Agora é lógico que entra um outro componente, que também não podemos ser hipócritas. Quando acontece num bairro nobre, vem logo o questionamento “- Pô, se tá acontecendo num bairro nobre, imagine o que não tá acontecendo num bairro periférico”. Como da mesma forma a gente abordou a questão da segurança privada: se vocês acompanharam as matérias de segurança, sabem que os porteiros têm ligação direta com a polícia, sistema direto de comunicação. Os condomínios têm um sistema integrado de rádio.Se o porteiro de um condomínio vê alguém suspeito ou desconfia que alguém ta planejando algum assalto por perto, ele comunica diretamente a polícia e a polícia aciona uma viatura. Choveu carta pra gente aqui dizendo “-Ah, eu moro no Nordeste de Amaralina, se eu mandar um telefonema, ninguém vem aqui na minha rua”, mas se for um condomínio da Barra aí dizendo “ah, tem um cara suspeito aqui na minha porta” aí a viatura aparece. E ele tem um rádio diretamente com a polícia, então o tratamento é diferente. Quando acontece um caso desse na Barra ganha outro peso também por causa disso, ou seja, a violência chegou na casa dos moradores classe A. Só que com esse outro componente que é o “-Olha só, ‘acontece até na Barra’, você que mora aí em Peri-peri, em Coutos,  se os cara da Barra tão aí tomando tiro, imagine o que vai acontecer com você”. Mais ou menos a lógica que fica implícita, a gente só não coloca com esses termos.</p>
<p><strong>Além da boa história também&#8230;</strong></p>
<p>Lógico. O drama está presente tanto no trabalhador que saiu de casa pra comprar o leite da filha e foi morto numa abordagem policial numa troca de tiro com o traficante, como o estudante da Barra que saiu pra ir a academia. É um direito dele transitar pelo bairro que ele mora e voltar a pé, mas de repente alguém resolveu tomar o tênis que é importado dele, ele resistiu e tomou um tiro. É um drama. Não é normal a pessoa sair de casa pra ir malhar e morrer por causa de um par de tênis.</p>
<p><strong>E podia ser falsificado!</strong></p>
<p>[risos] Tá vendo? Já tem a ironia própria dos colegas, que só faz aperfeiçoar nas redações, viu? <span style="color:#000000;">A gente acaba tratando os assuntos com uma certa frieza que depois espanta, mas tudo bem. <span style="color:#800000;">E o que está no jornal é apenas 10% do que acontece na realidade, não dá pra cobrir tudo.</span></span></p>
<p><strong>Vamos finalizar com a pergunta bate bola, jogo rápido: pra você, numa síntese, o que você olha e diz assim: isso daí dá notícia com certeza?</strong></p>
<p><span style="color:#800000;">Eu acho que o que toca mais é tudo que tem a ver com família. Aí eu falo por mim. Eu sou pai, tenho filho pequeno, e o que me choca mais é notícia que envolva criança. O pai que morre, ou criança que morre de meningite, por exemplo. O que toca na família é notícia porque a família ainda é a célula mãe da sociedade. Quando mexe com alguém da sua casa, seu parente, do seu sangue, acho que não tem nada que te toque mais. O drama família ainda é o que pesa mais.</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/46/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=46&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Bruno Wendell</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 14:57:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;A população tem uma ligação afetiva com a bizarrice&#8221; Por Alexandro Mota e Luana Ribeiro Bruno Wendell, 29 anos, soteropolitano, é graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Unibahia, repórter de Segurança do Correio* há três anos e meio, tendo passado pela redação da Tribuna da Bahia. Falante e bem-humorado, mostrou de forma bastante concreta [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=67&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color:#800000;">&#8220;A população tem uma ligação afetiva com a bizarrice&#8221;</span></h2>
<p><strong>Por Alexandro Mota e Luana Ribeiro</strong></p>
<p><a href="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/dscn70131.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-94" title="DSCN7013" src="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/dscn70131.jpg?w=300&#038;h=224" alt="" width="300" height="224" /></a></p>
<p>Bruno Wendell, 29 anos, soteropolitano, é graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Unibahia, repórter de Segurança do Correio* há três anos e meio, tendo passado pela redação da Tribuna da Bahia. Falante e bem-humorado, mostrou de forma bastante concreta os bastidores da construção da notícia e sobre a nova fase do Correio*, incluindo sua nova linha editorial, com consequentes novos critérios de noticiabilidade.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Como vocês ficam sabendo desta história ? [A entrevista foi realizada em 25/11/09. Neste dia a matéria de capa do CORREIO se tratava da denúncia de corrupção da Agerba e foi feita por Bruno Wendell]</strong></p>
<p>Normalmente quando ocorrem essas operações, a gente fica sabendo através de informantes ou então alguém que liga para o jornal ou os colegas de imprensa, através da comunidade. São operações que eles usam muitas viaturas, então sempre acaba chegando pra gente.  É uma operação de fraude, um esquema de vendas de concessões de verbas estaduais, envolvendo muitos empresários, funcionários da Agerba e do alto escalão. Geralmente essas matérias são manchetes por que as pessoas envolvidas estão acima de qualquer suspeita, não é um “pé de chinelo”, são pessoas de políticos, acima de qualquer suspeita, envolvidas em escândalos bilionários e num esquema de fraude.</p>
<p><strong>Neste caso da Agerba, que “vazou” a informação para toda a imprensa, como conseguir o diferencial de cobertura? </strong></p>
<p>Na verdade é feito um esquema de cobertura. Ontem mesmo Jorge Gauthier acompanhou de manhã a operação e ficou no COE, para onde foram levados todos.  À tarde eu fui render ele, eu fiquei das 15h às 16h40 por que tinha coletiva do caso lá na SP. Mariana já estava lá pegando a coletiva, eu  saí de lá do COE fui para a coletiva pra fazer os bastidores, enquanto Felipe Amorim estava na 1ª vara crime pra ter acesso ao processo e Jairo Costa Júnior estava aqui na redação pra fazer a repercussão da política. Então o jornal não sai só com a prisão da operação. A gente sai com algo a mais, algo que é o diferencial do jornal. Por que o jornal compete com outros veículos, óbvio que compete com outros jornais, mas compete com a internet, com a televisão… O que exige algo a mais.  O telespectador vai ter a informação mais visual, na internet as coisas têm que ser rápido só que o jornal ele tem por obrigação de levar mais conteúdo para o leitor, é o nosso diferencial. Não podemos, por exemplo, “houve a prisão…” e a gente vai dar a prisão. A  internet vai estar dando isso direto, a televisão vai abrir com isso, a gente tem que vir com um algo a mais.  Que é a questão política, que é a questão dos bastidores, correr atrás de outras coisas, com escutas telefônicas, imagens de prisões, esses detalhes que a TV e a internet não bolem, não têm acesso por conta do instantâneo.</p>
<p><strong>Quando você está escrevendo, qual a imagem que você faz do público do CORREIO? Quem são esses leitores?</strong></p>
<p><span style="color:#800000;">O público do Correio*? [risos] Você tem um jornal que é de R$1. Vamos pensar assim: foi feito uma pesquisa de que, a cada dez baianos, cinco compram jornal, desses cinco você tem Correio*, A Tarde… Entra a questão da concorrência. A outra metade não tinha acesso ao jornal por N fatores, um deles é o valor. Hoje muitos estudantes do segundo grau lêem o correio por que custa R$1. Quer dizer, as pessoas têm acesso ao Correio*  por conta do preço, não liam antes. Já tinha aquele problema do estigma do carlismo. </span>Fizemos todo um trabalho pra tentar desconstruir essa imagem. Temos também um público hoje do jornal pelas capas, pelas matérias. O jornal tem enfatizado muito serviço e também a questão da violência. O público está variado, mas está mais para C e D.</p>
<p><strong>O que mudou com a reforma ocorrida há cerca de um ano e meio? (Bruno Wendell trabalha no CORREIO há três anos e meio.)</strong></p>
<p>Sei onde vocês querem chegar…<strong> </strong>Alguns assuntos que antes a gente não podia veicular, por causa de uma questão que todo jornal, toda TV, toda rádio tem a sua linha política. Hoje em dia está mais fácil de fazer um trabalho de você poder divulgar e falar, que é a proposta do jornal, e tentar ser o máximo possível imparcial. Se bem que não existe isso, porque todo veiculo de comunicação segue a interesses. Isso é o CORREIO, o A Tarde, Tribuna,  a TV Bahia, A Record, Globo, Sbt… Todos têm. Um mais do que os outros.</p>
<p><strong>E fora a questão política, e as questões de exigências, rotinas de produção mesmo, não organizacional, mas de produção? </strong></p>
<p>O nome, o logo não é fixo. Ele brinca com a capa.Porque no jornal antigo o nosso texto era um texto “massudo”, não podia brincar com o texto, era aquele texto já batido.  Hoje o jornal quer se aproximar mais do leitor, ele brinca com a capa, o logo do jornal pode estar em diferentes posições. Tudo isso para aproximar o leitor e os textos também tem que ser assim. O leitor vê “oh, essa senhora aqui, de tantos anos, sofreu disso e disso… oh, parece muito com a minha vida…”. Então aproxima o leitor da situação, do problema.</p>
<p><strong>Mal-estar com a publicidade?</strong></p>
<p>Acontece muito isso, você está com aquela matéria que você diz assim “essa é a matéria”, cheia de informação, você faz o seu texto na hora que você bate, chegada na hora entra o anúncio  no meio da página. Aí você tem que pegar o seu texto e cortar o máximo possível. Na verdade o jornal não vive sem publicidade, isso é fato. O anúncio é importante e a gente tem que adequar,não pode dizer “Olhe, minha matéria tem cinco laudas e não vai entrar anúncio”. Chegou um anúncio a gente tem que tirar as gorduras do texto, não dá? Joga no “meza”(notas de topo), joga uma abertura “no 24”(24h) e o restante vem para o “Mais”, quando não tem mais jeito algum aí agente corta. Claro que não vai cortar tirando as informações essenciais, não vai cortar o que você acha relevante.</p>
<p><strong>Casos de cair a matéria por causa do anúncio?</strong></p>
<p>Já.</p>
<p><strong>Mas o que norteia essa idéia do que é mais importante?</strong></p>
<p>Geralmente o que acontece dessas matérias que caem são matérias frias,  quando é matéria do dia dá-se um jeito. Abre mais páginas, joga o calhau. Ou então pega outro assunto e tenta aquilo que poderia ir para o “24h”.  Pede ao repórter para ligar para outras fontes, tentar render mais o assunto. Como exemplo dessas matérias frias é uma que vai sair agora no domingo, minha e do Bruno Villa, por que não vai sair nessa matéria agora, que fala da morte de um policial, que foi reconhecido, o cara é um atirador de elite e aí a gente tem uma matéria perfeita. Que não saiu agora mais vai sair no próximo domingo, é uma matéria fria, pode sair a qualquer momento. Mas capital em hipótese alguma você pode deixar de lado. As matérias de capital têm que ser dadas, até por que o leitor vai cobrar no dia seguinte. Se ele não vê no CORREIO, ele ver no A Tarde ou na Tribuna, ele já vai ver na internet, já vai ver no jornal da noite. Então no dia seguinte, ele vai cobrar isso do jornal. Ele vai dizer “poxa o CORREIO não deu  isso aqui, mas essa matéria é boa”. Ele está no pensamento do que aconteceu ontem e ele vai querer isso no jornal. Mais detalhes, o público procura isso, mais detalhes no jornal.</p>
<p><strong>Percebemos que o CORREIO tem uma quantidade de matérias sobre violência maior que os outros jornais.</strong></p>
<p><strong>Você acha que isso é reflexo de uma cidade que realmente é violenta ou é um “alarme”, uma vontade de o CORREIO priorizar isso?</strong></p>
<p>Eu não digo priorizar, mas se você pega nas manchetes do jornal, todas as matérias cerca de 90% delas estão ligados a homicídios. Hoje Salvador vive realmente uma situação muito delicada. E eu mesmo sou repórter de Segurança há três anos e meio, e ano passado mesmo teve muitas chacinas varias em série. Esse ano só está diferente por conta dessas chacinas, mas tem muito homicídio, crimes contra a vida cresceu assustadoramente. Então o jornal não prioriza, ele tenta mostrar um pouco mais dessa realidade.(…) Eu, vendo como leitor… você pega o A Tarde e “Puxa, essa matéria aqui eles não deram”.Então é uma coisa editorial do jornal, de não dar algumas matérias. E olha que a gente não tem editoria de Segurança aqui no CORREIO. Porque se a gente fosse dar todos os crimes de Salvador, isso aqui (mostra páginas) não daria para encher com o mundo do crime. A gente não tem nem noção. Você liga pra Centel, Central de Telecomunicações da Polícia Militar e passam 15, 20 homicídios durante o dia. Depois você constata, com uma fonte ou outra, que foram, sei lá, 5, 10 a mais. Eu fiz uma matéria sobre os 10 mais procurados. À época, foi recorde de venda do jornal; as pessoas se interessavam pelos dez procurados porque muitas vezes conheciam alguém: “Olha, fulano aqui e tal”. As fotos estavam na capa… Hoje, é uma das edições mais vendidas do jornal e coincidência ou não, a maioria dessas capas está relacionada à violência. Porque a população tem uma ligação afetiva com a bizarrice. E se você tem um produto e sabe há uma procura por este produto, você vai repaginar. O CORREIO, em algumas situações, tem dado preferência a alguns assuntos, mas não que sejam assuntos que não precisem dar destaque – porque merece realmente dar destaque – mas a gente tem a visão de que os outros jornais preferem dar destaque por opção editorial.</p>
<p>Não é que a gente vá mandar corpos carbonizados na capa, porque chama atenção, porque vende. Já teve fotos aqui bizarras, a gente não deu. A gente não dá. Não é assim não.</p>
<p><strong>Quanto às pautas, elas são somente passadas aos repórteres ou há espaço para discussão, participação…</strong></p>
<p>Não, outro dia nosso chefe, tem pouco tempo, me chamou e a Mariana também para dar sugestão de capa, opinião…há um diálogo muito forte.Sempre tem reunião de pauta, a partir das 14h, com coisas como as matérias dos dias anteriores, da semana…Nosso ‘Cigano’, (que passava no momento) que passou aqui, secretário de redação, todo dia lê o jornal e vai pra gente sugestões e correções, elogia, e chama atenção. E há um espaço aberto, num email para todos, todos (enfatiza), a gente tem livre-arbítrio de contestar, enfim, não há uma ditadura “vai ser assim, eu quero assim”, há uma participação. Porque na realidade, o repórter é aquele que vai pra rua. Às vezes algo foi falado na reunião, o repórter estava na rua e chega com uma nova informação que ou ajuda muito na segunda reunião: “Trouxe uma informação, a respeito daquela matéria, eu acho que deveria ter um destaque maior…” e acaba sendo manchete, com um destaque maior ou então uma matéria que era pra ser manchete, quando o repórter vai checar, poxa…não rende manchete. Então há um diálogo, até o fechamento ainda há o diálogo entre repórter, editor…</p>
<p><strong>Em relação a solicitação de recursos, como carro…como funciona isso no CORREIO.</strong></p>
<p>(risos) Ah…por exemplo, chuva mesmo. Tem que se preparar pra se molhar mesmo, porque não tem bota, raridade é uma. Mas já foram solicitadas. A gente tem telefone celular, da empresa, hoje; são pouquíssimos minutos, mas você ligar pra um colega da redação, a tarifa é zero. Carro…carro não tem ar-condicionado. Imagine você…fui fazer uma matéria em Crisópolis e não tinha ar-condicionado. Mas segundo a direção, já vai providenciar…</p>
<p><strong>E já se perdeu matéria por falta de recursos? </strong></p>
<p>Não, não, não! Isso nunca! (enfático) Porque a arma do repórter é papel e caneta. Não tem por que. Papel, caneta, carro, fotógrafo.</p>
<p><strong>Você citou a quantidade de homicídios, no exemplo da Centel. Como você faz pra selecionar o que é ou não notícia?</strong></p>
<p>Foram dez homicídios no dia. A gente vai na delegacia, pra saber a situação “ah, foi tráfico de drogas, artigo 5º, seqüestro relâmpago, chacina…Depois vai ao IML, entrevistar os parentes, que é a tarefa mais árdua. O cara perdeu o filho, fuzilado e tal, você chega lá tem que incomodar alguém…naquele momento de desespero, você chega com toda a educação e tem que explicar muitas vezes o crime. Naquele momento, muitas vezes uns outros entendem,outros não, natural, mas o contato é mesmo com os familiares e os vizinhos. É os que fazem, dão o perfil da vítima. É aí que você começa a montar a história. Normalmente crianças, mulheres gestantes são manchete, travestis, homossexuais,crime envolvendo policiais, chacinas.</p>
<p><strong>E como driblar a questão da “lei do silêncio”?</strong></p>
<p>É, existe. Infelizmente o bandido muitas vezes está ali do lado, mora ali pertinho do cara, da vítima… A gente precisa convencer a pessoa a falar em off, a gente não vai dar nome, nada. Mas se não conseguir com um, vai conseguir com outro, mas a base do meu trabalho é o convencimento. Você tenta ganhar o personagem, mostrando que você não está ali pra fazer a sensação de estar estampando em televisão, mas tentar ajudar. Eu dou meus telefones às minhas fontes. Às vezes me ligam até de madrugada, e tento manter contato pra criar um vínculo. Uma fonte interessante são as associações de bairro, que têm pessoas mais preparadas e podem fazer essa ponte entre você e a comunidade.</p>
<p><strong>E você recolhe mais informação na rua ou através de ligações?</strong></p>
<p>Fonte, você tem que ir no local. Só consegue cativar se for lá. Eu mesmo defendo repórter “turista”. Cidade e Segurança, não adianta. Porque a fonte não vai dar uma informação preciosa pra alguém que ela não conhece, que não é de confiança. A fonte tem um interesse, por trás, então tem que ir no local, cativar a fonte.</p>
<p><strong>E o caso Jorge Pedra (que Bruno Wendell estava cobrindo), como foi para descobrir as informações a mais?</strong></p>
<p>Fonte! No caso Jorge Pedra, já fui me encontrar com travesti, com outros garotos de programa… e nessa coisa toda, descobri que tinha uma pessoa de quem estavam puxando rosto do retrato falado. Liguei pra uma fonte, que confirmou, “botei na parede”, ela não pode dizer que não e a gente conseguiu o retrato falado.</p>
<p><strong>Então, neste caso, você se envolveu em um meio perigoso. Quando você chega lá, você se identifica como sendo repórter? Como funciona isto? Até quando a identificação atrapalha ou ajuda?</strong></p>
<p>Às vezes ajuda. Você faz uma operação policial, os caras estão loucos, à flor da pele, e você se identificando, o cara pensa: “Tem imprensa ali, vamos maneirar”. Eu faço contato prévio por telefone. Mas quando há a necessidade prévia de você ocultar sua identidade, de agir na surdina, nem com carro plotado você vai. A gente tem um carro aqui, nem vou dizer a cor nem o modelo (risos), sem plotagem do CORREIO, pra você trabalhar tranqüilo. Aí você não usa crachá, conversa com um, conversa com outro, bebe uma cachacinha aqui com um, com outro e assim vai.</p>
<p><strong>Então de certa forma o repórter também faz um trabalho investigativo?</strong></p>
<p>Não, todo repórter é investigativo. Você não pode se dar ao luxo de ficar esperando que as informações venham até você, recolhendo só o oficial. Repórter tem que desconfiar de tudo. Quando tem um assunto, mandam um nota pra você, é óbvio que querem esconder alguma coisa, “Olha, estão mandando aqui porque é alguma merda, então corre atrás”.</p>
<p><strong>Você também trabalhou no Tribuna. Qual a diferença que você sente, em relação ao CORREIO?</strong></p>
<p>No Tribuna você aprende a ir a campo, a se virar, mas o texto, você aprende, você se molda aqui. No Tribuna, pega o repórter joga pra lá, “vai pra rua, se manda, traz a informação”. Você se bate, mas o editor não pode exigir muito, porque na época eu era estagiário, fazia trabalho de repórter, me desdobrava no horário, quase perdi o semestre na faculdade, não tinha muito que se cobrar, mais o empenho. No CORREIO, você tem que vir preparado, Você se molda aqui: texto, apuração. A exigência aqui é muito maior.</p>
<p><strong>E o que você pensa em relação a certa desvalorização do (jornalismo) impresso, justificada por ser supostamente “ultrapassado”. Você concorda?</strong></p>
<p>Eu não vejo assim. Minha frustração, na verdade é que só temos 3 jornais. Dois e meio, na realidade. Mas infelizmente. Isso prova também que as pessoas estão lendo muito pouco. Você tem aí mais emissoras de TV, rádio e dois jornais e meio, talvez do mercado de trabalho é que venha da galera um pouco de aversão, mas também tem aquela coisa do midiático, de ser “global”…o sonho, né? Que depois se torna frustração. Porque pouquíssimos chegam ao patamar que é o desejado. E se você pensa que impresso se ganha muito menos que em TV realmente ganha, mas a diferença não é tão grande assim não.</p>
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		<title>Carmem Vasconcelos</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 13:22:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>coletivosls</dc:creator>
				<category><![CDATA[Carmem Vasconcelos]]></category>
		<category><![CDATA[Correio*]]></category>
		<category><![CDATA[critérios de noticiabilidade]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Os critérios [de noticiabilidade] levam em consideração o interesse do público&#8221; Por Agnes Cajaiba, Gustavo Domingues e Tais Bichara Um breve histórico profissional. Carmem Vasconcelos: Eu sou graduada pela Universidade Federal da Bahia. Quando eu saí da graduação, eu trabalhei como assessora de imprensa do Conselho Regional de Odontologia, da Associação Baiana de Medicina, do [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=63&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color:#800000;"> &#8220;Os critérios [de noticiabilidade] levam em consideração o interesse do público&#8221;</span></h2>
<div id="attachment_102" class="wp-caption alignleft" style="width: 655px"><a href="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/s73021832.jpg"><img class="size-large wp-image-102  " title="Carmem Vasconcelos" src="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/s73021832.jpg?w=645&#038;h=484" alt="" width="645" height="484" /></a><p class="wp-caption-text">Carmem Vasconcelos trabalha no Correio* há doze anos</p></div>
<p><em>Por Agnes Cajaiba, Gustavo Domingues e Tais Bichara</em></p>
<p><strong>Um breve histórico profissional.</strong></p>
<p><strong>Carmem Vasconcelos:</strong> Eu sou graduada pela Universidade Federal da Bahia. Quando eu saí da graduação, eu trabalhei como assessora de imprensa do Conselho Regional de Odontologia, da Associação Baiana de Medicina, do Centro de Estudos e Terapia do Abuso das Drogas da UFBA, o SETAD, e depois de um ano mais ou menos trabalhando com assessoria, eu comecei a trabalhar em jornal. Vim pro Correio*, isso em 1997, e estou aqui desde então. Aqui no Correio* eu comecei como repórter da editoria de Local, depois pedi um tempo pra sair e fiz pós-graduação. Conciliar a vida de jornalista com a vida de estudante é um tanto quanto complicado e pra mim na época era inviável. Pedi pra sair, fiz pós, passei a lecionar, voltei aqui pro jornal ocupando o cargo de chefe de reportagem, trabalhei com jornalismo especializado, jornalismo científico, trabalho até hoje com jornalismo especializado, dou aula na FIB. Trabalhei com agência de publicidade um tempo, passei dois anos trabalhando numa agência de publicidade, sou especialista em relações públicas&#8230; Basicamente isso.</p>
<p><strong>Então você está mais ou menos há 12 anos aqui no Correio. Como chefe de reportagem tem quanto tempo?</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Como chefe de reportagem&#8230; Eu assumi a chefia de reportagem em 2005, fiquei na chefia até meados do ano passado, meados do ano passado o jornal sofreu uma reestrutura total e esse cargo foi extinto. Nesse período, eu voltei pra reportagem, depois fui trabalhar como subeditora no caderno Vida, fui coordenadora do caderno Vida, voltei pra reportagem e assumi agora uma editoria, que é a editoria de Saúde.</p>
<p><strong>A gente queria saber um pouco do que é a rotina de produção no jornal, principalmente com relação à editoria de local, que você já trabalhou.</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> A rotina de produção de um jornal pra local é bem especifica. Se você me perguntar exatamente como é que as pessoas fazem pra poder trabalhar, eu vou te dizer o seguinte: geralmente as pessoas chegam aqui no jornal, quem faz a abertura chega muito cedo, dá uma vasculhada em todos os sites, lê todos os jornais locais e nacionais, pra ter uma idéia do que está acontecendo no dia. A gente costuma dizer que é fundamental fazer a ronda em serviços específicos, por exemplo, você liga pra Polícia, você liga pros Bombeiros, você liga pra Defesa Civil, enfim&#8230; Pra saber como é que está a cidade.</p>
<p><strong>Quem faz esse trabalho são os próprios repórteres?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Esse trabalho é desumano pra ser feito por uma pessoa só, embora ele seja feito também por uma pessoa só, mas esse trabalho é geralmente dividido. Hoje, dentro da nova organização do jornal, ele é feito da seguinte forma: Linda faz essa abertura, junto com ela o pessoal do radar (aquele pessoal que tá na salinha de vidro ali do canto). Ela faz essa ronda, digamos assim, junto com esse pessoal. Isso tem inicio por volta de 7h da manhã. Umas 8h você já tem uma idéia mais ou menos de como é que vai a cidade e é quando começam a chegar os primeiros repórteres. Chegam os primeiros repórteres, ela já tem uma idéia do que vai mandar cobrir, do que está acontecendo, ela passa as pautas para esses repórteres, esses repórteres vão nas ruas, cumprem as suas pautas, cumprem a pauta que foi determinada, voltam pra redação, discutem com ela o que apuraram e a partir daí começam a elaborar suas matérias. Isso acontece ao longo do dia. Chegam repórteres às 8 horas, às 10 horas, meio dia, 1 hora da tarde, às 2 horas da tarde&#8230; Ao longo do dia vão chegando pessoas pra começar suas rotinas de trabalho e elas vão pegando as pautas que lhe são passadas pra que comece a trabalhar. Aqui, na rotina de jornal como um todo, essa é a rotina de Local. Às 10h há uma primeira reunião, onde as apostas do dia, o que é colocado, digamos assim, pra que transformem em matéria, elas são discutidas com os super desk, os coordenadores, que são essas pessoas que sentam ai nessa área um pouco mais elevada. Essas apostas são discutidas, é pensado em novo viés, em novo gancho em novo recorte pra matéria, ou é aprovado o corte que foi dado inicialmente, e ai o trabalho vai caminhando.</p>
<p><strong>É um processo bem coletivo mesmo&#8230;</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> É um processo bem coletivo mesmo, não tem como ser diferente. Hoje, a despeito do que eu lhe disse, de tá assumindo uma editoria em particular, a cada tempo da minha escala de plantão, por exemplo&#8230; Porque a gente tem  uma escala de plantão profissional no final de semana, então dentro da minha escala de plantão, o trabalho que ela [Linda Bezerra] faz, quem faz sou eu. Então, nos finais de semana, esse trabalho que eu to lhe falando, quem faz sou eu.</p>
<p><strong>Os assuntos que são tratados em Local, são assuntos que também podem pertencer a outras editorias. Politica, Violência, Saúde&#8230; Mas existe uma equipe especifica de Local, ou esses repórteres migram?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Existe uma editoria especifica de Local, essa editoria compõe o caderno chamado Mais*. Nesse caderno, todas as editorias colaboram. Vocês podem ver tem assunto de local, tem assunto de economia, de mundo, de variedade, tem Brasil, tem esporte, então todas as editorias dão contribuições pra esse caderno. O Mais* congrega a equipe de cidade, a equipe de local. Esse Mais hoje tá dividido em duas equipes: uma equipe cuida dos assuntos relacionados a Bahia e Salvador. Então tudo que disser respeito a assunto de Bahia e Salvador ficam com essa equipe. E o outro grupo, que também integra essa editoria, é o grupo que cuida das noticias de nacional, mundo, economia e política. Quando você pergunta que tem assuntos que podem ser vinculados a outras editorias, tem. Mas isso já ficou de uma forma tão clara, que não se bate mais cabeça por conta disso, não se tem mais conflito por conta disso. Então, deixa eu te dar um exemplo: um assunto de hoje, saiu uma pesquisa falado que Itabuna é uma das cidades baianas com maior violência e a gente sabe que quem cuida disso é a editoria de Bahia. Saiu um assunto com “Quadrilha roubou caixa eletrônico de mercado”, certo? E tá em local, em Salvador. E esses assunto já estão bastante claros em relação à dimensão da noticia. “Prostituta envolvida com Berlusconi lança livro”. A gente sabe que isso é mundo, são as agencias de noticia que nos abastecem com essas informações. Então assim,  como as pessoas já sabem quais são suas determinações, não há muito choque em relação “eu vou cobrir ou não vou?”. Então é mais tranquilo.</p>
<p><strong>E com relação as pautas, você falou dessa pessoa que chega mais cedo e dá uma checada nos assuntos. Ela passa esses assuntos, que teoricamente são possíveis de ser pauta pra os reportes diretamente, ou passa por uma pessoa, que eu acho que no caso seria o editor, o chefe de reportagem?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Ela atua como chefe de reportagem</p>
<p><strong>O cargo foi extinto, mas ainda existe essa pessoa que dá uma coordenada&#8230;</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Existe porque alguém precisa fazer a abertura, alguém precisa fazer esse início. Selecionar, filtrar essas notícias, o que é mais interessante, o que interessa de fato, apostar, fazer as apostas. Por exemplo, suponhamos que hoje às 8 horas da manhã tivessem acontecido três fatos teoricamente importantes ao mesmo tempo e você não tem equipe pra mandar pra esses três locais, então você vai selecionando por ordem de importância o que você prefere cumprir. E essa ordem de importância obedece àqueles critérios de noticiabilidade que vocês já devem ter visto. Localidade, proximidade, identidade, interesse público, enfim. <strong> </strong></p>
<p><strong>No período que a gente analisou os jornais, que no caso foi do período de 26 de outubro ate 15 de novembro, a gente notou uma seqüência maior com relação aos três assuntos que a gente analisa, que são saúde, violência e fraude, a gente notou no Correio uma freqüência de notícias relacionadas à violência. Existe um foco mais recente, de fato, da editoria local do correio, a essa denúncia de violência local ou é por conta da quantidade de noticias que chega pra redação?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Existe um direcionamento para que esses assuntos da violência sejam abordados como prioridade.</p>
<p><strong>E existe uma explicação, um motivo definido pra isso?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Quem pode te dar uma explicação mais consistente sobre isso é o editor chefe. Ele pode te falar por que. Mas há uma questão do público que o Correio* atende, de interesse público, as pessoas compram o jornal e elas obviamente querem ver o que está acontecendo na cidade, é uma forma até delas se informarem, tomarem uma postura diante disso. Há uma cobrança por parte do leitor pra que esses assuntos sejam mais tratados dentro do jornal. Teoricamente a prioridade é isso.</p>
<p><strong>A gente notou também uma freqüência de matérias de educação nesse período. Teve prova do ENADE e UFBA. No caso, essa atenção dada pra UFBA nesse sentido é também uma prioridade&#8230;</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Hoje o Correio* faz uma.. <span style="color:#800000;">Ele tenta estar cada vez mais em contato com o público leitor. Então as pautas surgem dessa demanda do próprio público.</span> O público quer saber sobre determinada coisa, pede sobre determinado assunto, então essa prioridade é dada de acordo com o interesse do público</p>
<p><strong>Então vocês acreditam que existe uma grande procura do público jovem?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> <span style="color:#800000;">A maior parte é publico adolescente. O Correio* antigo, nas pesquisas, era pontuado muito isso: quem é o público leitor? E o público leitor está constituído de uma faixa-etária mais jovem.</span></p>
<p><strong>O correio tem agências de pesquisas de público? Essa pesquisa é feita continuamente?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Tem, e mensalmente são realizadas reuniões com gazeteiros, os meninos que vendem jornais, com os donos de banca, com leitores&#8230; Enfim, nisso ai o Correio* deu um <em>up</em>, um pulo de qualidade. Ele tá buscando realmente um feedback, um retorno, porque é muito solitário. Você decide, você elege os critérios de noticiabilidade, cria, elabora o jornal&#8230; se você não souber de fato quem tá lendo&#8230; De repente o que você prioriza, não é o que seu público quer saber de fato. E isso é uma tendência dos meios de comunicação de um modo geral, as revistas querem estar mais perto dos seus públicos, jornal, a TV quer estar mais perto do seu público. Assim sucessivamente.</p>
<p><strong>As revistas têm um público mais especifico. O Correio* trabalha nisso ou trabalha mais com a expansão do público?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Acredito que mais com a expansão, até porque o jornal diário tem uma expectativa bem diferente de uma revista. Uma revista trabalha com segmentação de mercado e o jornal diário quer abranger o maior numero de pessoas. São diferenças de propostas.</p>
<p><strong>Sobre as matérias que são publicadas na sessão 24h, elas são escolhidas após você receber as notícias já prontas ou o jornalista chega na redação sabendo que aquela matéria é pro 24h?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Não, geralmente isso é escolhido depois. Porque você só vai ter a dimensão do assunto na verdade, depois que você vai apurar. Você começa a investigar. Às vezes tem assuntos que a principio irão com mais. Você pensa que rende mais, quando o jornalista chega no local, você vê que é uma coisa menor. Que rende um 24h. Tem assuntos que já saem daqui com essa perspectiva de serem 24h mas na maioria das vezes são determinações que são feitas depois. Depois você tem a dimensão. Ou o contrário. Saem assuntos que seriam pro 24h e ai depois que o jornalista chega até o local, apura, investiga, ele percebe que é uma dimensão muito maior e que ela ganha fôlego pra ser um Mais. Pra ser uma matéria de 2 pgs, de abertura, enfim.</p>
<p><strong>E o fechamento do jornal?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> <span style="color:#800000;">O jornal tem dois </span><em><span style="color:#800000;">deadlines</span></em><span style="color:#800000;"> diferenciados. Tem o primeiro fechamento que ocorre logo no início da noite. Os cadernos são rodados diferentemente. O Vida, que é um caderno mais frio, que é um caderno de variedades, esse é rodado primeiro. Às 18h30 ele está indo pra gráfica. Os outros cadernos podem estar na primeira rodada, que deve ser rodada ate às 20h30, então algumas páginas do 24h e do Mais* são rodadas nesses horários. E, por fim, onde tem a capa, é a ultima coisa a ser rodada, que ai vai pra mais tarde mesmo.</span></p>
<p><strong>Você poderia dar um apanhado dos critérios que são usados pra se escolher o que vai ser manchete, o que vai ser nota, o que vai ter uma dimensão maior ou menor no jornal? Ter um acompanhamento de um fotojornalista, esse tipo de coisa&#8230;</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Só pra você ter uma noção: os critérios de noticiabilidade adotados são <span style="color:#800000;">os critérios que levam em consideração a proximidade com o público e com isso o interesse do público, dentro daquilo que eu tava te falando.</span> Os leitores dizem o que lhes interessam mais. Em relação à relevância: um assunto é relevante, um assunto tem repercussão? Então esse assunto é eleito. Geralmente esses critérios são adotados por todo e qualquer jornal, mas o martelo final de fato é batido depois que todo mundo coloca o que tem no dia. Acontecem duas reuniões. Uma às 10 horas da manhã e outra às 17 horas, quando se fecha na verdade o que é que vai sair no jornal, e isso ai vai depender muito desse processo que é muito dinâmico. Suponhamos que hoje de manhã a gente faz um planejamento. A gente faz um planejamento prévio. No dia anterior todos os coordenadores de suas áreas têm uma idéia do que será colocado no jornal do outro dia. É um planejamento. Mas obviamente, até pelo dinamismo da própria atuação, ele sabe que no outro dia outra matéria vai cair, no outro dia uma matéria vai entrar no lugar da outra que ele planejou. <span style="color:#800000;">Os critérios de noticiabilidade como proximidade com a notícia, interesse do leitor, relevância, impacto, proeminência do assunto, ligado a dinheiro, a segurança pública, aspectos ligados ao lúdico, ao esporte, ao pitoresco.</span> Então esses aspectos que levam em consideração o interesse do leitor. E isso geralmente é definido, fechado  nessa reunião das 17 horas.</p>
<p><strong>Na editoria Local, com relação à disponibilidade de recurso de infra-estrutura, equipamento, qual é a disponibilidade, qual é o acesso que o repórter tem? Acontece de um repórter não conseguir cobrir um assunto por falta de suporte técnico?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Raramente. Acontecendo aqui em Salvador, não. Posso lhe garantir. Porque cada repórter da editoria de Local tem um celular, com os créditos dele do mês. Ele usa esses créditos, ele tem acesso aos telefones, a linhas da redação, cada repórter trabalha no seu próprio computador. A gente tem uma equipe de carros que saem pra compor a equipe de reportagem, a equipe de fotógrafos, a editoria de fotografia, ele tem estrutura aqui necessária pro trabalho&#8230; Tem orçamento previsto pra viagem, esse tipo de coisa, despesas que por ventura surjam. Sempre surge uma coisa extra e tem essa previsão orçamentária.</p>
<p><strong>E com relação à equipe em si? Você comentou que numa tarde você tem três assuntos muito importantes e não tem equipe suficiente&#8230;</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Eu acho que jornal nenhum do mundo hoje trabalha com equipe muito folgada. A gente tem trabalhado dentro de estruturas que são estruturas muito enxutas. Se você me perguntar se seria interessante ter mais pessoas pra trabalhar, é claro! Lógico, óbvio, em todos os sentidos. Desafoga o grupo que ta trabalhando, deixa o trabalho mais leve, você trabalharia com um nível menor de tensão. Agora se você pergunta se essa equipe que tá aqui dá conta do recado, dá. A gente já viveu situações de tá com a equipe muito mais reduzida do que a gente tem hoje.</p>
<p><strong>Mas recentemente acontece de perder algum furo/cobertura por conta de falta de equipe?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> Não.</p>
<p><strong>E com relação a estagiários, o Correio* busca muito esse trabalho do estagiário como renovação da equipe?</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>O setor de Recursos Humanos tem um programa de <em>trainee</em>. Se você perguntar se o Correio* busca muito estagiário, não, não busca muito. Tem uma equipe de trainee, eles são entrevistados, a seleção é feita pelo setor de Recursos Humanos e ai eles vão se encaixar em diferentes áreas. Eu acho que aqui, em cada editoria, deve ter um ou dois estagiários, que aí eles podem ser ainda estudantes ou recém formados. Mas assim, não existe uma situação como em outros veículos que a redação é completamente formada por trainee ou por estagiários. Não é o caso.</p>
<p><strong>Acompanhando o jornal esses dias a gente notou uma redução tanto da quantidade  quanto do tamanho das noticias na parte do 24h com relação a saúde, meningite, dengue&#8230; Existe um motivo?</strong></p>
<p><strong>CV:</strong> <span style="color:#800000;">A gente tá com uma editoria de saúde, que eu trabalho nela. Uma página que é publicada todos os domingos, essa página é recente e a gente tá buscando um formato pra ela, mas geralmente a gente trata um tema e outras notas.</span> Quando são notas muito urgentes, quando são fatos que tem relevância, são fato do factual, a gente aborda no 24h. Mas quando são assuntos que podem ser tratados com um pouco mais de calma, ai elas vão pra essa coluna. Talvez seja por isso que vocês tenham percebido essa diminuição. É um trabalho recente. <span style="color:#800000;">O nome da editoria é Bahia Saúde e por enquanto ela é semanal. </span>Eu me pauto, eu faço as matérias , eu edito a página, então&#8230; Eu não tenho uma equipe pra trabalhar comigo. Com equipe seria beleza. A gente podia fazer uma página por dia sem nenhum problema. Engraçado que quando eu fui convidada a fazer essa página, eu inicialmente fiquei pensando assim “nossa vou ter que procurar, ter que dar um gás pra fazer um elenco de pautas interessantes, e fiz esse elenco de pautas, e se eu usei 2 ou 3 desse elenco, foi muita coisa. Porque tem muita coisa que é factual, tem muita coisa que é pedida. Por exemplo, eu atendi uma solicitação que eu tinha colocado no meu campo de pautas mas eu não imaginava que eu precisasse usar isso tão recentemente. Foi um pedido de um leitor pra que a gente tratasse de síndrome do pânico. Essa leitora falava que no meio dos amigos dela tava se tornando um assuntos muito comum, as essas falarem, serem diagnosticadas com síndrome do pânico. Então ela queria que esse assunto fosse tratado. Um assunto que na minha cabeça só viria mais tarde e tal. E coloquei na ordem do dia.</p>
<p><strong>Então existe uma relação direta com o leitor e a seleção de pauta&#8230;</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Sim</p>
<p><strong>Dentro da editoria de local e do 24h prevalece o furo ou da notícia agendada?</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>O furo, sem dúvida alguma. Claro.  A gente não pode perder de vista uma coisa que é muito própria da atividade jornalística. É claro que o planejamento é bom, exigido e necessário, mas nada nada nada supera o valor da notícia. É nossa matéria prima principal. Então se alguma coisa surgiu no dia, é quente, tem relevância, é importante, é prioridade. A gente não faz um jornal frio. A frieza dos assuntos é o propósito das revistas semanais. O próprio nome da publicação indica isso. Ele faz uma revisão de tudo que foi falado. Mas a responsabilidade do dia é do jornal diário.</p>
<p>Nos plantões de cada fim de semana a gente trabalha como representante de cada uma das editorias, de cada um dos cadernos. E nesse plantão especifico, todo mundo trabalha fazendo tudo. O fato de durante a semana você estar dentro de uma editoria como o Vida, por exemplo, que é o caderno de entretenimento, não impede que você faça uma matéria de cidade. Não impede que você vá pro Local, que você vá cobrir a morte de alguém, não impede que você vá dar um reforço pro pessoal de esporte. Na verdade, o jornalista é aquele especialista em generalidades, então por mais que você se identifique com uma área, por mais que você se especialize em uma área, pra você ser um bom profissional, você precisa ter a flexibilidade de saber que a apuração é igual em qualquer que seja o assunto. Então você precisa ter essa flexibilidade de trabalhar em qualquer editoria.  No plantão todo mundo faz tudo.</p>
<p><strong>E isso acontece no dia a dia ou é só na situação do plantão?</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Sim, sim no dia a dia. Existem contribuições.</p>
<p><strong>E o fechamento do Correio* não é definido&#8230;</strong></p>
<p>Tem horário de fechamento, mas é aquela velha história. Tem que ter horário de fechamento se não você entra a madrugada esperando pra rodar o jornal na gráfica. Geralmente fecha às 22 horas. É a última rodada. Mas eventualmente, um quadro de um jogo, uma situação&#8230; suponhamos que 9:30 aconteceu uma situação, uma coisa como a morte de Michael Jackson, por exemplo. Que foi às 17 horas, estávamos em reunião. E toda a edição do dia foi mudada por conta daquilo dali.</p>
<p><strong>Nessa situação de um furo muito maior, que precisa ser capa&#8230; é feito isso com contribuição de toda a equipe?</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Todo mundo. O trabalho é em mutirão, todo mundo trabalha junto. Não tem essa coisa de “em editoria eu faço a coluna social e não vou colaborar com nada”. Não existe isso, todo mundo faz tudo. No dia a dia, na rotina, cada um tem suas atribuições, mas é muito natural que, seja nos finais de semana, seja nos plantões especiais, como plantões de feriado e tal, as pessoas sabem que elas vão sair de suas funções habituais e vão fazer o que for necessário pra que o fechamento do jornal aconteça dentro de um tempo hábil, com qualidade necessária, atendendo aos critérios de noticiabilidade certinhos e tal.</p>
<p><strong>Por conta desse ambiente de trabalho o chefe de reportagem foi extinto? Isso aconteceu com as outras editorias?</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Com as outras editorias também, porque aqui sempre se teve um chefe de reportagem. O período que eu fiquei na chefia de reportagem eu atendia muito mais ao Local, porque ai você define pauta e essas coisas todas. Como nas outras editorias havia um trabalho menor, essa definição geralmente era feita pelo editor, mas você terminava participando de tudo. Você cobria um pouco de tudo e a chefia de reportagem extinta não é uma característica do jornal Correio. A maioria dos jornais do Brasil não tem mais a figura do chefe de reportagem. As estruturas de redação tão ficando cada vez mais enxutas. Então algumas figuras terminaram assumindo mais função.</p>
<p><strong>Então no caso o editor cumpre mais essa função de chefe de reportagem também&#8230; E o que difere um chefe de reportagem de um editor?</strong></p>
<p><strong>CV: </strong><span style="color:#800000;">O chefe de reportagem é a figura que cuida do planejamento, ele é um gestor. Ele é um jornalista, mas ele é um gerente. De quê? De informação. </span>É ele quem vai fazer um apanhado do que é o dia, vai selecionar os assuntos mais interessantes, vai dizer ao repórter o que é que ele quer, vai pautar o repórter, vai cobrar do repórter o retorno daquilo que foi combinado e vai passar esse material pra que o editor, uma vez que o texto esteja pronto, coloque ele na página, dê a redação final, escolha fotografias, legenda, título, diga qual é a importância, se aquilo é embaixo da página, em cima da página&#8230;</p>
<p><strong>A função do editor então é a pós-produção.</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Isso. E o chefe é pré-produção. E hoje, por exemplo, nas editorias, nos jornais, o que se quer é que o editor faça tudo. Que ele seja o pré, o durante e o pós. Que ele cuide desse processo inteiro. Outras figuras dentro do jornal foram sumindo também, você não tem mais muitos jornais com revisores, com equipe de revisão. Espera-se que o texto vá pronto e acabado. Sem a necessidade de revisar.</p>
<p><strong>Esse movimento é com relação a corte de custo ou uma praticidade?</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>O que move o mundo é o dinheiro. É uma questão econômica. É caro manter um jornal impresso e essa estrutura precisa ser sustentada. A gente tem tantos jornais fechando no mundo muito por causa disso. Você tem que criar uma estrutura que de lucro, que seja rentável e opere de forma mais enxuta possível mais sustentável possível.</p>
<p><strong>E é algo que acaba influindo na qualidade física do produto&#8230;</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Não tenha dúvida. Porque se eu sou um jornalista que todos os dias eu tenha uma pauta pra fazer, eu tenho tempo pra apurar, eu sei que depois minha apuração do meu texto vai passar pra um sub-editor, um revisor vai ver meu texto.. É muito mais confortável. O leitor quando pegar o produto final, esse produto final tem qualidade muito mais garantida que um texto que tá sendo feito por uma pessoa que também tem outras tantas mil coisas pra fazer, um editor que tem mil outras coisas pra fazer, claro que a qualidade é melhor. Um dos nossos grandes desafios é esse. Lidar com tempo curto, a gente trabalha num tempo super espremidinho e a gente conseguir uma qualidade dentro desse tempo curto. Quando você tem tempo pra escrever, você escreve um bom texto. Quando você não tem, o desafio é esse. Num tempo pequeno você dar qualidade aquilo ali. Apuração, investigação, e a expressão daquilo ali que você investigou.</p>
<p><strong>E realmente a proposta do Correio* é o que o nome já diz “o que a Bahia quer saber”.</strong></p>
<p><strong>CV: </strong>Sim, a proposta é essa. A proximidade cada vez maior com o público baiano, o público leitor.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/63/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=63&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Helga Cirino</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 05:46:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>coletivosls</dc:creator>
				<category><![CDATA[Helga Cirino]]></category>
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		<category><![CDATA[concorrência]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Se descobriu finalmente que o leitor não gosta de ler&#8221; Por Anaíra Lôbo, Marília Mariotti e Vitor Matheus Helga Cirino é jornalista do jornal A Tarde, repórter da editoria de local. Cirino já trabalhou no Correio da Bahia e na Tribuna da Bahia, ingressando no  A Tarde em fevereiro de 2006. Formada em jornalismo pela [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=41&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color:#800000;">&#8220;Se descobriu finalmente que o leitor não gosta de ler&#8221;</span></h2>
<p><em>Por Anaíra Lôbo, Marília Mariotti e Vitor Matheus</em></p>
<p><img class="size-medium wp-image-44 alignright" title="Helga Cirino" src="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/hpim27611.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></p>
<p>Helga Cirino é jornalista do jornal A Tarde, repórter da editoria de local. Cirino já trabalhou no Correio da Bahia e na Tribuna da Bahia, ingressando no  A Tarde em fevereiro de 2006. Formada em jornalismo pela UFBA, Helga Cirino define &#8220;a curiosidade como a válvula mestra do jornalismo&#8221;, <strong><span style="color:#800000;">afirma que o repórter ideal é aquele que se pauta e diz que o A Tarde está passando por uma crise de identidade e deve ter um jornal popular para concorrer com o Correio*. </span></strong></p>
<div class="mceTemp"><strong><br />
</strong></div>
<div class="mceTemp"><strong>Como é a rotina no recebimento de pautas, enfocando em aspectos como a liberdade na escolha dos assuntos?</strong></div>
<div class="mceTemp"><strong><br />
</strong>Depende da editoria em que a gente trabalha. Aqui em editoria local o chefe de reportagem já entrega as pautas bem cedo para os jornalistas. Eu já trabalhei em editoria de segurança, e é um pouco diferente, você acaba &#8220;se pautando&#8221;. Segurança hoje em dia está dentro de local, não existe mais página de polícia ou página de segurança, agora é tudo local. E era um pouco diferente, o repórter setorista acabava produzindo suas próprias pautas. Aí eu chegava de manhã, fazia uma ronda, ligava pra os órgãos de polícia, delegacias, de telecomunicações, para fazer uma pré apuração do que estava acontecendo na cidade, e a partir daí eu me pautava. Fazia uma avaliação do que era mais importante e ia para a rua com um fotógrafo. Sempre dando um retorno para a redação, para a chefe de reportagem, recebendo indicações sobre a matéria,se o assunto mais importante não era outra coisa, indicações do que eles gostariam que a gente fizesse. <span style="color:#800000;">Já na editoria local é diferente. Você recebe a pauta já pronta. A pauta maravilhosa é aquela cheia de fontes, cheia de telefones e informações. Mas nem sempre é assim. Às vezes você chega na redação e recebe como pauta um texto de duas linhas. E dessas duas linhas você acha o gancho da matéria, você faz uma pré apuração e define o que é realmente importate. </span>Daí você vai para a rua e passa a manhã inteira dando indicação para a chefe de reportagem do que você está produzindo, volta pro jornal e bate a matéria.</div>
<p><strong>Que horas mais ou menos vocês fecham a editoria de local?</strong></p>
<p>Depende. Afinal, existe o horário de fechamento normal, entre nove e meia e dez horas da noite. Nesse horário o jornal tem que estar &#8220;na página&#8221;, pronto para o editor passar e mandar rodar. Mas algumas ocasiões especiais atrasam, algo que só a gente tem, uma investigação por exemplo. Aí a gente acaba atrasando a edição.</p>
<p><strong>O jornalista tem algum papel na escolha das pautas, ou a decisão cabe apenas ao editor?<br />
</strong></p>
<p><span style="color:#800000;">O jornalista, o repórter ideal, é aquele que pauta. É o repórter que chega na redação e tem o poder de observação da cidade. Quando você está na rua fazendo uma pauta é você que está investigando. O chefe de reportagem está na redação. Quem está enxergando o que está acontecendo na rua é você. </span>Vou dar um exemplo de dois colegas da gente,<br />
no jornal de anteontem. Eles estavam fazendo uma apuração de uma matéria especial, que não tinha nada a ver. E eles<br />
passaram na Avenida ACM, e observaram que um gari tinha parado um carro de polícia. O que é normal, poderia ter sido uma besteira. Mas eles ficaram curiosos, e para mim a curiosidade é a vaúvula mestra do jornalismo&#8230; o jornalista tem que ser curioso. Se você não tiver curiosidade, não quiser saber das coisas, nem adianta ir para a rua fazer alguma pauta, você não vai produzir nada. E os dois colegas pararam atrás do carro da polícia e perguntaram o que estava acontecendo, se estava tudo bem. E os policiais disseram que o gari estava falando que tinha uma caixa se<br />
mexendo, do lado de um prato de &#8220;macumba&#8221;. E os repórteres resolveram entrar no mato para investigar, e acharam um bebê recém nascido. Daí fizeram fotos, uma reportagem, entrevistaram o gari, e os próprios repórteres ligaram pra SAMU. E isso virou a matéria de aposta do jornal. Ou seja, de um pontinho do nada, surgiu uma mega matéria.</p>
<p><strong>Pelo que analisamos, o jornal A Tarde tem como uma grande característica o uso de denúncias,</strong> <strong>muitos furos de reportagem. Mas na questão do apagão, o A Tarde botou  como últimas notícias, fizeram uma reportagem breve e depois aprofundaram.  Já no Correio, logo no dia seguinte, eles conseguiram divulgar a notícia já pronta, com o uso de agências de notícias. Quanto a isso, foi realmente uma escolha aprofundar quando tivesse mais dados, ou foi um furo do Correio?</strong></p>
<p>Era a agência de notícia, já que a matéria era nacional e não local, que disponibilizava a notícia. O que estava para um estava para todos. Eu creio, não tenho certeza, já que quem decide isso é a chefia, que tenha sido uma escolha editorial. Não foi um furo do Correio. Como o Correio ia mandar repórteres para o Rio de Janeiro na hora do apagão? Então é a agência que manda, e ela disponibiliza a matéria para todos os veículos de comunicação. Então o que mudou foi a escolha editorial.</p>
<p><strong>Um ponto importante do jornal é sua organização, seu modo de se apresentar. E uma característica do A Tarde é a questão dos cadernos, desde a organização até uma linearidade da edição. Como você analisa as escolhas de editoração de um jornal?</strong></p>
<p><span style="color:#800000;">Eu acho que o jornalismo baiano está passando por um momento muito conturbado, um momento de &#8220;crise de identidade&#8221;. O Jornal A Tarde, há uns dois anos, passou por uma reforma.</span> Antes você abria o jornal e via uma grande quantidade de palavras, mas hoje em dia os jornais passam por uma reformulação. Se está investindo muito mais em imagem. <span style="color:#800000;"><strong>S</strong></span><span style="color:#800000;"><span style="color:#800000;"><strong>e descobriu, finalmente, que o leitor não gosta de ler. </strong></span>Ele quer saber da notícia,se informar, mas não quer ler, não quer ter trabalho. Então a gente tem investido cada vez mais em imagens e bandeiras, os recursos gráficos de destaque. </span>E se você tem um texto com muitas informações, você pode dividir em subtextos, distribuir em recursos gráficos, botar uma infografia, que diga através da arte aquilo que você quer dizer no texto. O Correio* investiu massissamente nisso, e mudou um pouco o público do jornal. E o A Tarde quer conquistar esse público também, mas também manter seu público atual. O Correio* custa apenas R$ 1, e apresenta uma leitura rápida. <span style="color:#800000;"><span style="color:#000000;">O</span></span><span style="color:#800000;"><strong><span style="color:#000000;"><span style="font-weight:normal;"> jornal A Tarde está tendendo para isso.</span></span> Existe uma proposta do A Tarde de não acabar e fazer outro jornal, como o Correio* fez, mas criar um impresso que atenda a esse público. </strong></span>Por exemplo, no Rio de Janeiro o que acontece é que um mesmo jornal possui duas versões, uma para o público de massa e outra para outros públicos.</p>
<p><strong>A composição do público interfere diretamente na linha editorial, na escolha dos temas?<br />
</strong><span style="color:#800000;">É a crise de identidade do jornal A Tarde, ele quer atender a gregos e troianos. Ele não apresenta um público específico, quer atender a todas as classes sociais. </span>Então ele quer apresentar uma informação de qualidade, aprofundada, mas também quer vender como o Correio vende.</p>
<p><strong>Os Jornais apresentam especialistas encarregados de pesquisar opinião de público?<br />
</strong>A gente trabalha meio isolado aqui, o que eu acho um erro. O jornal deveria dialogar mais com outros setores. A redação ás vezes é um pouco alienada no cantinho dela. O que não deveria ser, já que é um órgão de comunicação, a gente trabalha com informação, deveria ter um maior diálogo.</p>
<p><strong>A editoria de local apresenta uma maior proximidade com o leitor, em comparação a outros setores do jornal. Então na editoria de local você sente um maior retorno da população?<br />
</strong>O Jornal A Tarde busca cada vez mais isso, uma proximidade com o leitor. O jornal quer que o leitor dialogue, que o leitor fale com a redação. Então há um investimento em interatividade. Quase sempre a página 4 sai com uma linha em cima de interatividade, que é a resposta do leitor sobre determinado assunto. Na parte online a gente também quer trabalhar com a interatividade. E aqui a gente tem na redação uma Central de Interatividade, que é uma equipe de jornalistas que recebem a informação, a filtram e ás vezes produzem a partir dali as matérias ou encaminham para as editorias. E eu acho que é isso, o caminho é para a interatividade, para uma conversa, um diálogo, para saber do leitor o que ele quer ler. E o Correio está fazendo muito isso, ou seja, &#8220;já que é uma notícia totalmente populesca que eles querem ler, vamos dar isso a eles&#8221;. O A Tarde ainda tenta primar ainda pela &#8220;moral e bons costumes&#8221;(risos).</p>
<p><strong>Uma fator muito importante também é a questão dos critérios de noticiabilidade. Cada jornal apresenta um &#8220;enfoque&#8221;. Observamos que O Tribuna, nesses últimos tempos, abordou diversas matérias sobre a miningite e dengue. E  uma repórter, em entrevista, declararou que era devido a interesse público&#8230;<br />
</strong></p>
<p>Eu acho que nesse caso foi devido, sim, a interesse público. A repórter que te falou isso estava certa. Mas nós trabalhamos em uma empresa particular, que é o jornal. A gente trabalha com interesse público, mas trabalha com interesse privado também. Nós trabalhamos com as chamadas IPs, que são as matérias de interesse do patrão. Muitas pessoas quando entram na faculdade de jornalismo acham que vão mudar o mundo, que vão denunciar, que vão lutar contra as mazelas [risos], mas não é bem isso que acontece.</p>
<p><strong>Sobre a expressão política do jornal como instituição, os editores estabelecem nas pautas o que deve ser pautado, uma opinião política, uma rigidez no que é escrito?</strong></p>
<p>Não. Você vai pautar o fato, apurar esse fato. Mas claro que quando se escolhe um fato, você já está orientando o que você quer daquela matéria. Por exemplo, em um trabalho de um político em uma comunidade, se ele for benéfico, você já está indicando o que quer daquela pauta, e se for maléfico acontece da mesma forma. E isso não só na parte de política. Eu canso de dizer que jornalismo ás vezes é muito cruel. Às vezes você sai da redação para provar tese. Você sai pra dizer o que o chefe de reportagem quer ouvir.Não porque tem interesse político por detrás, mas porque a gente vive da notícia, de publicar. E eles têm bem claro na cabeça o que é que vende, o que vai dar retorno para o jornal.Por exemplo, você sai da redação com a pauta sobre o aumento do roubo de carros em Salvador. Aí você volta e diz que não houve aumento do roubo de carros, teve diminuição, e que o texto irá falar isso. Mas então a editora fala &#8220;mas no lead tem que ter que o roubo ainda é muito alto&#8221;. Aí você sai pra provar tese de que Salvador é insegura, o número de roubos de carro é astronômico. Tem vários exemplos de coisas que nem é que você não concorde, é que você nao vê nas ruas. Repórter não tem que achar. Ele tem que ver, apurar e botar o que viu. O jornalista não escreve o que quer, ele deve escrever o que viu, de acordo com fontes, dados e números que comprovem.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Existe de um jornal para outro uma pesquisa na observação dos dados? Por exemplo, o Correio* tem um furo de reportagem ontem, daí o A Tarde pesquisa, apura sobre isso para publicar?</strong></p>
<p style="text-align:left;"><span style="color:#800000;">Existe, claro. A gente cansa de dizer que tanto o Correio* vive à sombra de outros jornais, como o jornal A Tarde vive à sombra de outros jornais também</span>. No dia seguinte que sai uma matéria nos jornais, os editores cobram informações<br />
que foram ditas em outros jornais. Então um vai estar sempre analisando o concorrente&#8230;</p>
<p><strong>A concorrência também influi.<br />
</strong></p>
<p><span style="color:#800000;">Influi demais! Influi nas pautas, no trabalho, no dia a dia. Influi na sua apuração.</span></p>
<p><strong>Quando é que uma matéria de outra localidade da Bahia merece destaque no caderno de local? </strong></p>
<p>O A Tarde é o único impresso que cobre a Bahia toda. Nós temos sucursais nos interiores, sedes que encaminham materiais para nós apurarmos naquele interior. Mas o que vai definir se a pauta de lá é mais importante<br />
do que a pauta daqui é o fato, sempre o fato. Sempre o que vai definir o que é mais importante é o critério de<br />
noticiabilidade. Aí você me pergunta, &#8220;<span style="color:#800000;">o que é o critério de noticiabilidade, o fantasma do critério da noticiabilidade?&#8221;<br />
</span><span style="color:#800000;"> Simplesmente é a avaliação das pessoas sobre o que elas gostam mais de ler.</span></p>
<p><strong>Quando as matérias de gaveta devem ser acionadas?<br />
</strong></p>
<p>Eu acho a matéria de gaveta uma invenção fantástica. Eu sou totalmente a favor de matérias de gaveta porque nós<br />
não temos fatos do cotidiano fortes ao ponto de termos uma manchete, e a matéria de gaveta salva o jornal nesse<br />
momento. Por incrível que pareca, aqui no A Tarde a gente não tem matéria de gaveta, nossa equipe é muito pequena, aí não dá pra deixar repórteres encarregados com as matérias de gaveta. Estamos sempre fazendo sobre o dia ou sobre uma investigação bombástica. Mas a gente acionaria a matéria de gaveta quando não houvesse nenhum fato importante que justificasse uma manchete.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/41/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=41&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Luísa Torreão</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 20:20:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[&#8220;Escrever é a arte de cortar palavras” Por Mayara Azevedo, Ruan Melo e Camila Queiroz Repórter há cinco anos do jornal A TARDE, Luísa Torreão fala um pouco sobre sua rotina na redação, como é trabalhar na editoria local e confessa que a concorrência às vezes atrapalha o rendimento do jornal. O fato de ser a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=24&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color:#800000;">&#8220;Escrever é a arte de cortar palavras”</span></h2>
<h5><em>Por Mayara Azevedo, Ruan Melo e Camila Queiroz</em></h5>
<p>Repórter há cinco anos do jornal A TARDE, Luísa Torreão fala um pouco sobre sua rotina na redação, como é trabalhar na editoria local e confessa que a concorrência às vezes atrapalha o rendimento do jornal. O fato de ser a repórter mais jovem a ser entrevistada pela nossa equipe, Luísa Torreão não fica atrás das concorrentes. Demonstrando inteligência e sagacidade, ela fala sobre assuntos polêmicos na redação, concorrência e dificuldades que enfrenta no dia-a-dia, tudo isso trabalhando há cinco anos no jornal A TARDE, sendo três anos como repórter da editoria local. Luísa conta um pouco das suas pautas preferidas e de casos que já enfrentou na rotina de trabalho.</p>
<p><strong> Fale um pouco da sua trajetória enquanto profissional:</strong></p>
<p>Bem, fiz faculdade na FACOM e me formei em meados de 2006. Eu já estava estagiando no A TARDE há dois anos no on-line, tanto do jornal, quanto pro cine-in-site, antes de me formar. Entrei no A TARDE no quarto semestre da faculdade. Entrei com a ajuda de um colega meu que estava em um semestre mais avançado  e ele trabalhava aqui na época. Passei dois anos estagiando. Fiz minha monografia e quando me formei voltei pra cá. Só que dessa vez voltei pensando no impresso, não mais na internet. Vim e procurei a coordenadora da editoria local, que eu já conhecia porque quando estagiei no online fiz algumas matérias para o impresso. Então estavam precisando de gente porque era um período próximo às eleições. Quando é período de eleições muitos repórteres de Local são deslocados para cobrirem apenas as eleições. Então surgiram vagas, e eu entrei. Já estou há três anos no jornal impresso.</p>
<p><strong>Você mesma sugere a sua pauta ou sempre recebe uma pauta para cobrir?</strong></p>
<p>Geralmente a gente já encontra uma pauta pronta. Mas, os editores incentivam bastante a gente a sugerir a nossa pauta. Isso não acontece sempre, mas sempre que eu tenho uma pauta eu sugiro.  Se eu tiver interessada, nós planejamos e vemos um dia pra fazer. Em geral já tem pautas prontas, porque vem muita coisa para os editores, sugestões chegam através do e-mail, fax, da central de interatividade. Os editores vão fazendo a triagem e veem o que realmente vale apena. As vezes também, você tá com a coisa pronta e surge algo urgente e você precisa largar tudo pra cobrir a notícia inesperada.</p>
<p><strong>Qual o tipo de pauta mais difícil de cobrir?</strong></p>
<p>O assunto mais delicado e difícil é quando é relacionado a denúncias, que demanda uma maior investigação. Em Local, a gente tem muitas pautas factuais, que são pautas fáceis porque são coisas que estão acontecendo na cidade e você vai lá cobrir, uma passeata, um acidente, assassinato, uma personalidade que está na cidade. Cobrir isso é mais fácil porque é uma coisa definida. A gente vai lá, volta, é mais tranquilo. A pauta investigativa demanda mais tempo e até mesmo inteligência de você ver por onde tem que ir, quais os rumos que você tem que tomar naquela pauta, você tem que ter certeza do que está apurando. Quando é denúncia você corre o risco de colocar no jornal algo que não é verdade e pode comprometer a credibilidade, a pessoa que foi citada. É uma pauta mais delicada.</p>
<p><strong>Pra você, o que deve ser notícia em um jornal?</strong></p>
<p>Tem o básico que a gente aprende na faculdade: O QUE, ONDE, QUANDO, POR QUÊ? Esse básico é o essencial. Se você está cobrindo uma passeata, você tem que saber o que é essa passeada, qual o motivo que trouxe essas pessoas aqui. Você tem que saber o que levou àquele acontecimento. A gente também tem que observar o entorno e as razões que levaram aquilo que está acontecendo. Temos que ouvir pontos de vistas distintos. Nós sempre procuramos ouvir os dois lados. Temos que ter uma observação apurada para saber o que levou àquele acontecimento.</p>
<p><strong>Como é a sua forma de apuração das notícias?</strong></p>
<p>A depender da pauta a gente vai no local ou não. Se acontecer alguma coisa em um determinado lugar da cidade, temos que ir lá pra ver. Uma passeata a gente tem que ir lá porque dá para apurar por telefone. Tem pautas de repercussão  como a minha de hoje, por exemplo, que  é a seguinte: o ILÊAIÊ, que sai todo carnaval com um bloco exclusivamente negro, anunciou que vai sair no próximo carnaval além do bloco negro, com um outro bloco em que todos poderão participar. É uma característica que não faz parte do ILÊAIÊ, é uma inovação, novidade. Então é mais uma matéria de repercussão. Eu vou procurar fontes que possam me dar opiniões diversas sobre isso. Vou procurar ouvir um historiador, um sociólogo, alguém que entenda dessa questão de carnaval, do movimento negro. Porque tem gente que acha que vai quebrar com a tradição. Essa é uma pauta que eu não preciso necessariamente ir no lugar. É claro que eu acho que depende da pauta, porque tem entrevistas que só precisam pegar uma fala da pessoa para completar. Isso você pode fazer por telefone, tranquilamente. Mas têm outras que você tem que fazer ao vivo porque a pessoa vai te explicar muitas coisas, geralmente ela tem documento para te mostrar, além de uma série de outras coisas. Portanto, depende muito de cada pauta.</p>
<p><strong>Como vocês lidam com a concorrência?</strong></p>
<p>A mim não me afeta tanto a questão da concorrência. A gente procura dar a notícia da melhor maneira possível. Não gostamos de encontrar no outro jornal uma notícia melhor do que a que a gente fez. Em termos do jornal essa coisa existe, é muito forte. Para os editores é mais ”forte”, porque os repórteres vão muito para a rua. Os editores estão sempre olhando os sites, avaliando o que foi notícia nos outros jornais. Na nossa rotina produtiva a concorrência existe “muito forte”. A gente sempre está tentando desbancar o concorrente. Às vezes tem notícias que o jornal daqui não deu por algum motivo, e sai no concorrente. Então no outro dia a gente procura dar a notícia. Damos a notícia baseada no que foi dado na concorrência. Eu acho que isso atrapalha um pouco a nossa rotina produtiva, porque temos que correr atrás porque o concorrente deu. Não temos o “furo” mas temos que noticiar para não passar “em branco”. Às vezes não tem novidade naquele caso e acabamos repetindo um pouco aquela notícia. Eu não gosto de pegar esse tipo de pauta. Mas se pegar eu tento procurar um novo outro ângulo, um novo olhar sobre aquela notícia. Porém, é difícil você ter que procurar uma novidade.</p>
<p><strong>Como você lida com a questão da ética? Você já passou por alguma situação em que alguém lhe deu uma informação em off e você não pode publicar?</strong></p>
<p>Nunca recebi uma informação que não podia ser divulgada e que eu acabei divulgando. Quando uma fonte não quer se identificar usamos a informação sem utilizar o nome da fonte. A gente não pode dar uma notícia como se ela tivesse saído da nossa cabeça. Tentamos sempre preservar as fontes. Quem não quiser divulgar seu nome, não será divulgado e a gente não divulga, senão perdemos a notícia e a fonte. Acabar não divulgando isso não aconteceu comigo.</p>
<p><strong>Você tem alguma pauta preferida?</strong></p>
<p>Meu tipo de pauta preferida é mais uma pauta com um sentido social. Uma pauta que eu sinta que exista uma função naquilo que eu estou ajudando a divulgar. Exemplo da que eu fiz sobre o parto humanizado, a experiência de ter filho em casa etc. Muitos médicos são contra, já outras pessoas acham que o parto feito no hospital parece um procedimento médico&#8230;São pautas que me agradam porque eu acho que estou lançando uma questão positiva e tem uma função social.</p>
<p><strong>Atualmente, um dos assuntos mais discutidos pelos professores na faculdade é sobre o jornalismo on-line. Você acredita que a internet poderá acabar com o jornalismo impresso?</strong></p>
<p>Pelo que eu vejo no jornal A TARDE, o jornalismo online tem tomado uma posição de destaque. Porém, pelo menos no A TARDE, o jornal impresso continua sendo o “carro chefe”e sempre está a frente. Eu acho que podem conviver, jornal impresso, internet, TV. Eu não acho que o jornal impresso vai acabar, pelo menos não por enquanto. Eu prefiro não fazer esse tipo de previsões.  Acredito que vai durar um bom tempo. Não é uma coisa que está em declínio, ele está sempre se renovando. O jornal A TARDE está sempre buscando se renovar.  Não é fácil manter o mesmo padrão de qualidade, a mesma tiragem, a mesma vendagem.  Então o CORREIO se renova, o A TARDE se renova, é sempre um processo continuo. O jornalismo online tem uma característica de dar uma notícia mais instantânea. Nesse sentido o A TARDE online está na frente. Por outro lado, o impresso já aprofunda mais. O online não vai muito para rua, ele tem a urgência de dar logo a notícia. O impresso que tem mais tempo, e por isso a gente vai à rua.  Às vezes passamos um dia inteiro procurando uma notícia. Enfim, eu acho que dá pra conviver cada um no seu papel.</p>
<p><strong> Nos últimos anos o jornal passou por uma grande mudança estrutural, seja ela ligada a design, tablóide etc. O que significou pra você essa mudança?</strong></p>
<p>Eu considero importante. Eu acho que deu uma renovada e modernizada, desde mudanças que a gente pode considerar pequenas, como a fonte usada, a cor que estão em alguns elementos da página. São mudanças que poderiam passar despercebidas, mas que no conjunto aquilo provoca uma mudança no leitor. Eu acho que foram mudanças que deram uma agilidade, tanto na leitura, quanto nas imagens, nos destaques do texto que já chamam atenção para o que está na matéria. Eu acho que ajuda na leitura. Para nós da produção não mudou muito. Mudou um pouco no sistema. Antigamente a gente escrevia uma matéria e a página tinha que ser desenhada pelo jornalista gráfico. Agora temos um programa de computador que dá modelos prontos. Por outro lado isso também ajudou no trabalho dos editores, porque já tem os modelos prontos e só tem que ajustar pequenas coisas.</p>
<p><strong>Qual foi o maior impacto que você teve ao sair do mundo “teórico” da faculdade e passar pra rotina da redação?</strong></p>
<p>Às vezes a gente vem, se empolga com uma pauta e quer escrever sobre tudo que apurou. Porque achamos que todas as informações são importantes. Mas não dá para colocar tudo. No jornalismo em si, o escrever já é uma edição. Nem tudo que você ouviu de uma fonte você vai colocar no papel. Tem muitas coisas interessantes mas, infelizmente,  não cabem todas. Por si só você tem que fazer uma edição e essa edição, ainda passa pelo editor. Às vezes você escreve muito e seu texto vai ser cortado. É como dizem: “escrever é a arte de cortar palavras”.</p>
<p><strong>Qual o diferencial do jornal A TARDE?</strong></p>
<p>A começar pela estrutura. É inegável que o jornal A TARDE tem uma estrutura maior, tem um número de repórteres maior. É claro que ele também passa por suas dificuldades. Acontece de a gente ir pra rua e faltar carro. Além da estrutura tem a qualidade dos profissionais que trabalham aqui. Fica quem tem uma maior habilidade. Além disso, eu acho que uma qualidade que diferencia o jornal A TARDE é que ele consegue se manter  um pouco mais neutro, imparcial em termo de interesse político, de quem é que manda, do que você deve ou não dizer. Quando eu pensei em trabalhar em jornal, eu pensei em trabalhar por isso. Eu não gostaria de estar em um lugar que tivesse uma notícia importante e eu não pudesse noticiar por algum motivo pessoal. Possa ser que haja o aconselhamento, falar para tomar cuidado com a forma que vai colocar. Mas não há uma censura e eu acho que é isso que dá uma credibilidade maior ao jornal.</p>
<p><strong>Muitos pensadores afirmam que impossível para o jornalista manter a imparcialidade na produção de uma matéria. Porém, uma das características, dita universal sobre os jornalistas, é justamente a imparcialidade, o relato puro dos fatos, a neutralidade. O que você tem a dizer sobre isso? É possível produzir matérias sem que seus valores interfiram? Até que ponto o jornalista deve ser parcial ou imparcial?</strong></p>
<p><strong> </strong>Eu acho que a imparcialidade total ela não existe. Todos nós somos seres subjetivos. Nós temos que procurar a objetividade ao máximo na hora de escrever, ser os mais claros e concisos possíveis na hora de passar a informação sem colocar a opinião profissional. A matéria tem que ser baseada apenas no que você apurou. Sempre existe a parcialidade de alguma forma porque eu vou escrever de um jeito, você vai escrever de outro jeito a mesma notícia. Eu tenho um estilo de escrever. Então, um outro jornalista vai escrever de uma outra forma da minha. São visões diferentes de uma mesma notícia. Eu acho que a gente tem que buscar a objetividade ao máximo possível. Temos que buscar dar ao leitor um texto atrativo, mas que não seja abstrato e subjetivo demais.</p>
<p>Entrevista no scribd:<br />
<a href="http://www.scribd.com/doc/23257220">http://www.scribd.com/doc/23257220</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/24/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=24&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Karina Baracho</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 19:19:42 +0000</pubDate>
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			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color:#800000;">&#8220;Eu queria mudar o mundo&#8221;</span></h2>
<h5><em>Por Mayara Azevedo, Ruan Melo e Camila Queiroz</em></h5>
<p>Foi fazendo faculdade de administração de empresas em Brasília, que a jornalista Karina Baracho, nascida em Itabuna, descobriu sua paixão pelo Jornalismo. Se mudou em 2004 para Salvador, concluiu o curso de Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e desde então, trabalha como repórter no jornal Tribuna da Bahia na editoria local. Karina fala sobre o sensacionalismo presente na Tribuna, mas diz considerar a mudança grafica do jornal muito válida, teria ficado mais leve, mais colorido e mais agradável para o leitor.  A reporter conta sua rotina na redação, discute questões éticas, problemas do dia-a-dia e explica os critérios que utiliza ao cobrir uma pauta.</p>
<p><strong> Você mesma sugere a sua pauta ou sempre recebe uma pauta para cobrir?</strong></p>
<p>Normalmente a gente recebe a pauta. Quando chegamos ao jornal, a pauta já está pronta. Ela é feita pela pauteira e entregue pela manhã. Após receber a pauta nós vamos ensaiar. Raramente a gente sugere alguma pauta, não é o normal. A gente pode sugerir, mas não é normal. Só existem situações como a de hoje. Eu fui cobrir uma passeata que aconteceria agora a tarde por causa dos meninos morreram de Meningite. Mas quando cheguei lá não houve a passeata. Então tive que construir alguma coisa em cima desse tema. Fomos ao colégio recolher depoimentos para fazer a matéria só que focando outra coisa.</p>
<p><strong>Quais os critérios que você usa para cobrir uma determinada matéria?</strong></p>
<p>Sempre o diferente. A gente tem que ter o fillen de pegar algo que normalmente não acontece e que tem credibilidade. A gente tem que pegar o que chama mais atenção nas pessoas. Por exemplo, na matéria de hoje a gente focou muito que não tem vacina para Meningite e que se você quiser vacinar, tem que ser em hospital particular. Então isso tem credibilidade porque é um assunto importante. Tem que pegar o que você percebe que vai chamar mais a atenção do  leitor.  A partir daí você faz um lead legal para que as pessoas leiam o resto da matéria. Porque se você fizer um bom lead, as pessoas leem o todo o conteúdo da matéria.</p>
<p><strong>Qual o tipo de pauta mais difícil de cobrir?</strong></p>
<p>Enterro. É quando as pessoas estão muito tristes, abaladas com alguma situação, geralmente a morte de um ente querido. Porque você tem que chegar pra falar com as pessoas e elas estão tristes e comovidas.  É difícil. Nessa situação não é interessante você chegar para um pai, para um filho e entrevistar. É muito complicado. Eu não suporto fazer.</p>
<p><strong>Qual foi o maior impacto que você teve ao sair do mundo “teórico” da faculdade e passar pra rotina da redação?</strong></p>
<p>Saber que eu não ia mudar o mundo. Quando eu saí faculdade eu queria mudar o mundo. Pensava que iria poder escrever o que queria e o que realmente está acontecendo. Em qualquer veículo de comunicação a gente vê que não é assim porque existe o interesse do próprio veiculo e o das pessoas que anunciam nos veículos. Não só é aqui, mas em qualquer jornal impresso de salvador, nas TVs etc. A gente tem que saber se podar, se moldar e aprender a escrever nas entrelinhas se quer que uma determinada informação saia. O maior impacto que a gente tem é que não podemos mudar o mundo. Eu comecei a estagiar aqui antes de terminar a faculdade. Foi bom e foi complicado, porque quando eu via na faculdade a professora falando aquelas coisas mirabolantes sobre o dia-a-dia na redação, eu sabia que não era nada aquilo. A realidade era outra.</p>
<p><strong>O que deve ser notícia no jornal?</strong></p>
<p>Tudo é notícia. Para todos os temas tem gente que quer cobrir A gente só tem que verificar as informações bem e sair um pouco do sensacionalismo. Portanto, <span style="font-family:ArialMT;">que sair um pouco disso. A gente tenta ao máximo fazer isso, mas tudo é notícia. Tudo a galera quer saber, e tem que saber mesmo.</span></p>
<p><strong>Como vocês lidam com a concorrência?</strong></p>
<p>Local é muito tranqüila. Não tem muito disso. Agora no de Polícia, tem. A gente se dá muito bem né? O pessoal dos outros veículos, a gente se conhece, se fala na rua mas em questão de furo, ninguém passa para o outro. Se eu sei de uma coisa&#8230;a gente fala de Polícia porque as coisas são muito imediatas. Se eu soube de uma morte que teve em tal lugar, e se eu perceber que a coisa é “pesada” eu não aviso para os meus colegas e nem eles me avisariam se tivessem. A gente pode se encontrar, mas não avisa não.</p>
<p>Como é seu relacionamento c om  s e u s  c o l e g a s  n a redação?</p>
<p>É tranqüilo, ótimo. Aqui na TRIBUNA, tem um diferencial entre os outros dois jornais baianos, por ser um jornal menor, então a gente se dá muito bem. Os outros são um pouco maiores, as pessoas têm o ego muito elevado. Eu gosto muito daqui.</p>
<p><span style="font-family:ArialMT;"> </span></p>
<p><span style="font-family:ArialMT, Bold;"><strong>V</strong><span style="font-family:Georgia, 'Times New Roman', 'Bitstream Charter', Times, serif;"><strong>ocê acredita que para conquistar um leitor, um jornal tenha que usar do sensacionalismo?</strong></span></span></p>
<p>Não, muito pelo contrário. O sensacionalismo não prende a maioria dos leitores. Quer dizer, prende, mas não é a maioria. Também eu acho que as pessoas que são atraídas pelo sensacionalismo são menos seletivas. Elas estão muito preocupadas na desgraça dos <span style="font-family:ArialMT;">outros, para filmar, vender pra TV, fotografar, vender pra jornal impresso. Eu acho que esse tipo de jornalismo não dura muito porque é uma coisa que cansa, que desgasta, além de ser uma coisa horrível. É uma coisa feia. Você abrir um jornal e ver uma  m a t é r i a  e x t r e m a m e n t e sensacionalista. Eu não gosto. Conheço os outros meninos que fazem os programas desse tipo mas, eu não assisto. Se você me perguntar o horário que passa, eu não sei.</span></p>
<p><strong>Como você lida com a questão ética? Você já passou por alguma situação em que alguém lhe deu uma informação em “off&#8221; e você não pode publicar?</strong></p>
<p>Ás vezes quando a gente recebe a informação em “off”, a gente publica mas não tem o nome da fonte. Quando eu fazia Polícia eu recebia muita informação assim, e não publicava. Inclusive uma vez, eu entreguei um cara que estava sendo procurado, ai o pai desse cara veio aqui, fazendo e acontecendo, liguei pra minha fonte, ele passou todo o histórico do cara, etc. Ai ele disse que ia entrar com uma ação, mas tudo tava na minha mão. Polícia é complicado (risos)</p>
<p>Atualmente, um dos assuntos ma i s  d i s c u t i d o s  p e l o s professores na faculdade é sobre o jornalismo on-line. Você acredita que a internet  p o d e r á  a c a b a r  c om o jornalismo impresso?</p>
<p>Ainda não. Na minha época já falavam sobre o fim do jornalismo impresso e ele não acabou. Eu sempre quis trabalhar no jornalismo impresso. Eu acredito que tem o seu espaço, o online também. Eles podem coexistir. Eles têm suas formas distintas de abordar a notícia. Na TV não saem tanto os detalhes que saem no impresso ou em um site. A gente do impresso tem que enxugar a notícia, mas de uma forma que tenha mais detalhes.</p>
<p><span style="font-family:ArialMT;"> </span></p>
<p><strong><strong>C</strong><span style="font-size:small;">omo é que você lida quando o jornal te delimita um espaço para a sua matéria?</span></strong></p>
<p>Quando a gente sabe que tem que escrever aquilo é mais fácil porque você mesmo faz a sua seleção e coloca só o que é importante. Hoje mesmo, minha matéria ficou com duas fontes de fora porque já tava grande demais. Com o tempo você vai aprendendo, articulando as palavras. Uma frase que é grande você reescreve de outra forma sem reduzir o impacto que ela causaria. Quando a gente não sabe a quantidade de linhas é complicado porque às vezes escrevemos uma grande matéria e ela é cortada. Mas tem vezes que você termina de fazer a matéria e o editor pede pra você reduzir. É um problema porque você já está com tudo pronto e tem que mudar muitas coisas ou refazer. Mas é pior quando eles mesmos cortam. Quando você abre o jornal e tá lá sua matéria decepada. A gente sempre pergunta quantas linhas e eles dão mais ou menos uma média. E <span style="font-family:ArialMT;">também do peso, tem matéria que não rende muita coisa. Você faz as vezes, um esforço pra fazer 25 linhas de alguma coisa.</span></p>
<p><strong>Você fez curso de administração antes de jornalismo. O que te fez desistir desse curso e seguir a carreira com comunicação?</strong></p>
<p>Você leu o que meu? (risos) Meu deus! Números, números. Na real idade eu t inha feito comunicação e coloquei como Segunda opção o curso de Administração. Ai não passei em comunicação e pensei: “Vou tentar. Vai que eu gosto e tô falando que não gosto”. Mas eu não conseguia ir pra faculdade. Morava do lado e não ia. Era muito chato. Sou muito ruim de número, você não sabe como sou péssima. Até na hora de receber o troco eu tenho vergonha de contar. Se o cara for me roubar, ele vai me roubar, porque se eu contar e não contar, vai dar no mesmo. Quando eu chego em casa, eu vou fazer as contas na calculadora, mas ai, ele já vai ter me roubado. E não é minha praia. Eu adoro escrever, gosto do contato com as pessoas quando eu fico três dias trancada na redação eu fico desesperada. Peço pelo amor de deus, pra me darem uma pauta pra cobrir na rua, pra eu sair. Então, não ia conseguir f a z e r  n a d a  d i s s o  e m administração.</p>
<p><strong>Como é que você definiria a linha editorial do seu jornal? Qual é o diferencial dele para os outros?</strong></p>
<p>O jornal mudou. Teve uma mudança bem legal. O formato do jornal mudou. Você abria o jornal e ele tinha um peso. Agora tá mais leve, mais colorido e <span style="font-family:ArialMT;">chama atenção. Empolga o leitor  para ler.</span></p>
<p><strong>O que significou pra você a mudança no visual do jornal?</strong></p>
<p>Ai eu amei. Ficou mais bonito, mais atraente, a tarja de cima muda. Hoje é azul, ontem foi vermelho. Você leu a edição de aniversário? Dava pra ver bem a mudança. Mostrava como era o jornal, tinha até uma exposição no shopping. Antes era muito preto, muito texto&#8230;agora tem muita foto, a gente tá valorizando muito a imagem já que o texto casa com a imagem. Eu, o fotógrafo e o motorista, somos uma equipe. Se o texto não tá legal, desvaloriza a foto. Assim como se a foto não estiver boa, o texto vai ser desvalorizado também. A gente usa muito isso agora, pra ficar harmonioso.</p>
<p><strong>Já que você viveu em Brasília por um tempo, qual a diferença do jornal de lá para o daqui?</strong></p>
<p><span style="font-family:ArialMT,Bold;"> </span></p>
<p><strong><span style="font-family:ArialMT;font-weight:normal;font-size:13px;">L</span><span style="font-size:x-small;"><span>á os jornais são mais voltados para política. A política sempre pesa mais. O correio brasiliense é muito parecido com a Tribuna da Bahia na forma de lidar com as matérias.</span></span></strong></p>
<p>Entrevista em modo revista:</p>
<p><a href="http://www.scribd.com/doc/23254960/entrevistakarina"><span><span style="color:#000000;"><span style="text-decoration:none;">http://www.scribd.com/doc/23254960/entrevistakarina</span></span></span></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/19/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=19&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Valmar Hupsel Filho</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 19:47:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>coletivosls</dc:creator>
				<category><![CDATA[Valmar Hupsel]]></category>
		<category><![CDATA[A Tarde]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Maria Garcia, Paula da Paz e Raisa Andrade O repórter e “defensor do diploma” Valmar Hupsel Filho nos recebeu na sede do jornal A Tarde, onde trabalha, entre a correria da busca pelas notícias e as paradas na redação. Valmar tem 32 anos, graduou-se em Jornalismo pela FIB no final de 2006 e veste [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=9&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-family:Calibri, sans-serif;color:#404040;"><span style="font-size:medium;"><strong><br />
</strong></span></span></p>
<h5><span style="color:#404040;"><span style="font-family:Calibri,sans-serif;"><span style="font-size:medium;"><strong><a href="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/foto-valmar.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-138" title="foto Valmar" src="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/foto-valmar.jpg?w=510" alt=""   /></a><em>Por Maria Garcia, Paula da Paz e Raisa Andrade</em></strong></span></span></span></h5>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;">O repórter e “defensor do diploma” </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">Valmar Hupsel Filho</span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> nos recebeu na sede do jornal A Tarde, onde trabalha, entre a 	correria da busca pelas notícias e as paradas na redação. Valmar 	tem 32 anos, graduou-se em Jornalismo pela FIB no final de 2006 e 	veste a camisa do A Tarde desde 2007, já tendo passado por diversos 	cadernos, e hoje fazendo parte do caderno Local. Além disso, é  assessor de imprensa da Assembléia Legislativa, atuando nesta 	também cobrindo as sessões para o Diário Oficial.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Qual é a rotina de trabalho da empresa?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Rotina não existe. Na editoria de local, onde eu trabalho, a gente tem um fotógrafo que chega à 6 horas da manhã e fica até as 13 horas, mais ou menos. Tem um repórter que chega à 7h, outro às 8h. O processo é escalonado, justamente para ter repórter sempre, não ter aquele espaço no meio do dia sem ninguém. Aqui a gente trabalha até 7 horas, mas nunca trabalhamos exatamente esse período – sempre é mais. Porém, claro que, às vezes, quando você quiser sair mais cedo para resolver seus problemas, você sai. De manhã, umas 10 horas mais ou menos, fazem a reunião de abertura. É o seguinte, todos os editores e editores coordenadores se reúnem e discutem mais ou menos o que tem no dia, o que tem na pauta, e já sinalizam desde aí uma aposta, como a gente chama, uma aposta para manchete. Essa aposta vai ser desenvolvida, se ela for de local, ela vai para a página 4, ou na 5, às vezes. Vocês aprendem na faculdade que a página 3 é a mais importante porque estudos de recepção notam que o leitor tem uma tendência de olhar de cima para baixo, e , quando abre, tende a olhar para a página direita. Para a gente, porém, a quarta é a mais importante. A 5 é o complemento da 4 ou da editoria local. Essa discussão é feita às 10h, e já se tem a noção. Às vezes eu chego à tarde e fico com a manchete, por um motivo ou por outro. Ai o repórter que está com a manchete sai, junto com um fotógrafo, às vezes mais que um e ai vai se desenvolvendo. À tarde, por volta das 17 horas, acontece outra reunião dessa mesma turma. Geralmente os mesmos editores, porém de fechamento. Os editores e coordenadores fecham a primeira edição. E nessa reunião, cada um discute o que tem em cada editoria. Já se discute o fechamento do jornal em si.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>As escolha da cobertura de cada repórter é feita de forma aleatória ou tem alguém que pauta?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Depende. Hoje, eu fico um pouco mais livre. São raros os dias que eu pego uma pauta, normalmente eu sugiro uma, que, aliás, é uma sugestão que dou para vocês. O repórter que não pauta é pautado. O editor, na maioria das vezes, é uma pessoa mais experiente, faz a apuração na internet e tal, mas o repórter também faz essa apuração e conversa com as pessoas na rua. Isso é sugestão de pauta quase todos os dias.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;">A pauta surge desde o gari que conversa com você até o prefeito que solta alguma coisa ou no site que você vê ou no acompanhamento diário da notícia. Às vezes você recebe informações mais não consegue contextualizá-las. Às vezes você tem uma bomba. Mas se você não estiver acompanhando o noticiário e ver que aquilo não foi dado, não vale nada.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;">A pauta surge de diversas maneiras. Às vezes cai nos seu colo, no email ou fuçando mesmo, ligando para pessoas, procurando na internet. Ou é encontrando na rua mesmo. Surge da forma de você vê, pelo seu faro jornalístico, que tem algumas coisas absurdas. É o feeling. Porque você não é jornalista quando bate ponto aqui e deixa de ser quando sai. Não tem como. Você acaba condicionando o seu pensamento dessa forma. O teu olhar crítico, tudo. Uma postura, inclusive, ética. Você acaba vendo a realidade de outra forma e fica policiando sua postura também. Se você fizer merda, está indo de encontro com o que está pregando. A pauta surge de qualquer lugar. Aqui no jornal, a função do pauteiro foi abolido. Eu até peguei essa época.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Há pontos na cidade onde os jornalistas fazem as suas coberturas? </strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Depende. Antes isso existia, mas foi abolida. Um repórter que cobria a assembléia legislativa, a pauta dele era ir pra lá. Lá ele ficava. Isso mudou. A gente não fica em um determinado campo para conseguir uma informação de última hora. Normalmente, quando você cobre política. Eu tenho até a minha agenda aqui, tenho anotado, no papel impresso, com o telefone fixo e celular de todos os deputados e de todos os vereadores. Quando você faz a cobertura da câmara, por exemplo, você já tem essa relação, já trocou idéia com vários deputados e vereadores. E, naturalmente, essa é uma vantagem para a gente aqui no jornal que, muitas vezes, as fontes seguram para o maior veículo. É meio que uma negociação também, a fonte dá o material e etc. Mas isso depende da situação. Por exemplo, o Correio* já furou a gente duas vezes na semana passada, por conta de uma fonte só. Algum repórter, algum editor, tem uma fonte muito boa, privilegiada, no complexo penitenciário de Mata Escura e eles deram o furo do documento de livro de conduta do Ravengar e depois deram que ele cobrava por proteção também.</span><span style="color:#800000;"> É uma fonte só que acaba conseguindo a notícia em primeira mão. Esse é o nobre do jornalismo, você dar uma informação que ninguém tem. É a questão da relação com a pauta que é muito delicada. </span></p>
<p><span style="color:#800000;"> </span></p>
<p><span style="color:#800000;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong><span style="color:#000000;">A questão do </span></strong></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em><strong><span style="color:#000000;">off</span></strong></em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong><span style="color:#000000;"> é muito importante no jornalismo. Ela também é bastante debatida. Às vezes você tem</span></strong><strong> informações que não podem ser publicadas&#8230;</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> &#8230; A questão é de ética do repórter. O cara me pediu </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>off</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">, é claro que há informações e informações. Mas acho que essa questão é importante ser respeitada. Porque muitas vezes você não publica aqui, mas logo depois você vai ter uma informação privilegiada e, não necessariamente, nem tudo aquilo que você apura é aquilo que você publica. Você apura mais informações do que publica. Certas informações você precisa comprovar com documentos. Às vezes você publica uma coisa e o processo tá ali. Eu mesmo acho que sou recordista de processos em função disso (risos). Quando você faz uma denúncia, o cara tem o total direito de se sentir lesado. Então precisa fundamentar essa informação em </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>off</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">. É mais a questão do feeling do repórter mesmo de dizer se publica ou não. É geralmente complicado. Político adora um </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em>off</em></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">. São informações que servem para você apurar, não publicar. Eles vão soltando algumas pistas para você investigar. São fontes privilegiadas que sabem de coisas que até Deus duvida.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Como são feitas as coberturas de notícias inesperadas?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> De várias formas. Acontece via jornal, acontece via internet. Tem sites que cobrem acontecimentos do dia, fazendo aquelas notinhas do dia, de plantão. Tem certos lugares onde você acha informação. Por exemplo, choveu pra caramba, liga pra Sucom. Pode ligar pra Sucom 10 vezes naquele dia, você tem novidade. Diariamente o repórter que é responsável pela ronda, ele fica solto e sem pauta. Ele liga para a central de comunicações da polícia militar, a central (PM, civil e bombeiros), verifica se tem informação do homicídio que aconteceu agora, do balanço do dia. Enfim. As próprias pessoas ligam para o jornal. E muitas vezes acontece de você estar na rua e as coisas acontecerem. Ou você estar na rua e alguém te ligar dizendo para ir a algum lugar porque aconteceu tal coisa, porque aqui na redação alguém recebeu a informação de alguma forma. Se tiver com o fotógrafo, a sorte é ainda maior. </span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Vocês costumam circular pela cidade em busca de notícia?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Sair para circular não. No movimento Polícia Legal a pauta era você circular pela rua e ver como está a questão da segurança, se os módulos estavam com policiais. Eu fiz isso, circulamos em bairros periféricos.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Quais são os recursos usados pelos jornalistas e eles são suficientes?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Carro, motorista e fotógrafo. Fotógrafo sempre é insuficiente. É uma briga diária, várias vezes você chega e não tem fotógrafo nem carro. O jornal passou por um processo de enxugamento na redação e hoje a gente tem menos fotógrafo e repórter do que a gente tinha há um tempo atrás e o jornal continua do mesmo tamanho e faz a cobertura da mesma forma. Mas também, imagina que se tiver 10 a mais, sobra. Mas é uma equação que é meio complicada, porque tem dias e horários mais complicados aqui. Mas falta, sempre. É raro um dia que sobra. É um recurso complicadíssimo. </span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Vocês costumam sair sem a identificação?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Depende da pauta. Há algumas pautas que saímos sem identificação, é bom. Eu prefiro sair com identificação. É a sua segurança que tá ali. Mas tem vezes que não tem jeito, por exemplo um homicídio não sei onde. Talvez muita gente não saiba, mas há muitos lugares em Salvador que você não entra. Então, você ta identificado, você tem não tem segurança nenhuma, mas já é uma coisa do que você sair, com três homens dentro de um carro sem identificação em um lugar sujeira. Eu brinco que onde tem câmera tem confusão. </span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Na prática, são adotados os critérios de noticiabilidade estudados?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Alguns são. Por exemplo, a questão da proximidade é essencial. Tem certas editorias aqui, como economia ou até política, em que acontecem certas coisas em nível nacional e muitas vezes a pauta é “repercuta isso localmente”. Claro que na conversa os critérios não são falados, mas a conversa em si já é direcionada dessa forma. As pessoas já sabem mais ou menos o que é notícia e o que não é, e esse conceito de notícia acaba sendo transmitido até para o motorista, que sabe mais ou menos. Quando você vai para prática, os critérios já ficam meio intrínsecos, meio natural. Como é algo que fica na cabeça, você não pensa qual o critério que tem que usar. O critério é mais um guia, uma forma pedagógica de se começar o conceito de notícia. Só que é mais pelo feeling mesmo, pela experiência.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Quais são os prazos para as pautas recebidas?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Os prazos são variados. Você pode receber pauta de um dia para o outro. Na segunda-feira, alguns repórteres recebem a pauta do dia, e outros já recebem a pauta de domingo. O saudável é que ele só fique com essa pauta no Domingo, ai ele apura na terça e na quarta, na quinta começa a “bater”, na sexta ele fecha e acabou. É muito mais em função da periodicidade da notícia mesmo. Têm outras que a gente leva, e isso vai da postura de cada um, você vai conversando com repórteres e vai apurando essas matérias em paralelo com as que você faz nos dias da semana e que são matérias que vão durar mais, requerem uma apuração maior, requer falar com mais pessoas, uma busca maior de documentos. Tem pauta que demora um mês. Mas é claro, não se iluda que você vai ficar livre um mês para fazer uma matéria. É ideal, mas o jornal não tem condição de fazer isso. A equipe é pequena, então vai depender do repórter. Se você quiser fazer do seu dia-a-dia, seu feijão com arroz, você faz. Mas se você quiser fazer outras coisas também você ultrapassa nosso horário, trabalha em casa, vai da postura de cada um. </span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Qual é o horário que normalmente fecha o jornal e, caso aconteça algo imprevisto após esse horário, como é o procedimento?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> O jornal fecha mais ou menos, em dias tranqüilos, entre as 22 e 23 horas. Pode passar desse horário um pouco, uma meia hora, mas normalmente tem que fechar nessa faixa de horário porque tem a primeira edição que vai pro interior e é necessário imprimir logo. Por isso tem esse prazo. Mas já aconteceu, algumas vezes, por exemplo, no dia do anúncio do fim do policia legal, foi uma coletiva que o comando da policia militar deu nos Aflitos às 11h da noite. A galera ficou louca aqui no jornal. A minha editora já estava me ligando dizendo que ia fechar o jornal sem essa matéria. Ao mesmo tempo em que a entrevista tava rolando eu perguntei: “vem cá, você é louca? Você vai fechar o jornal sem a manchete? Por que isso é manchete”. Terminou a reunião e já foi passando informação, cheguei aqui e já tava o computador aberto, a página aberta, tava tudo parado me esperando para eu escrever a matéria. Acontece isso, porque já eram 11h da noite. Mas já trabalhei em plantão, já estava acostumado. Já aconteceu de um ano atrás cair uma chuva que nunca tinha visto. Eram entre 22 e 23 horas. Eu me lembrei que eu entrei aqui 8h da manhã e sai 11h da noite. Tava meio tonto já. E começou a chuva. Fiquei preso aqui. Luiza, que estava em plantão aqui, circulou com um carro e um fotógrafo. Eu até me prontifiquei, mas ela não achou uma boa idéia, porque o espaço do jornal tava pequeno, mas ela acabou fazendo a manchete e o jornal fechou 1h da manhã. Ela chegou e ainda fez a matéria depois das 11h da noite. Mas isso é um caso extraordinário, fechar depois do horário, por conta da distribuição.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Caso algo imprevisto e que envolva uma pessoa notória ocorra, o que acontece?</strong></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Abre o jornal. Aí é questão do plantão. Plantão você chega às 6h da tarde até 1h da manhã. Apesar de já ter mudado esse horário, agora é das 5h as 12h. É o cara que ta ali para fazer o que tiver. Quase nunca o plantão tem pauta. Normalmente é uma pauta à noite, para sair nas últimas notícias. Ou você faz a ronda para ver se tem algo à noite. O jornal fechou e mesmo assim ele fica lá, de bobeira. Se o jornal fecha às 23h e alguém notório morre depois, você liga para o editor. Tem um editor que fecha a página das últimas. E ele também fica lá até meia-noite. Sempre fica até 1h da manhã um repórter, um editor, um diagramador e o cara que fica meio revisando a segunda edição. Porque fecha a primeira para entregar, depois ele faz uma grande revisão, porque o horário de fechamento aqui na capital é 12h30min, então ainda dá tempo dele fazer o pente fino. Se tiver algo enorme, o pessoal liga para edição, pros repórteres. Quem atender é escalado para vir, não tem isso não. A informação é mais importante que qualquer outra coisa.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Houve uma mudança no jornal A Tarde no segundo semestre de 2009. O que foi que ocorreu realmente?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> O jornal, na verdade, veio mudando. Uma mudança intensa foi em 2001, quando o Noblat veio aqui, mudou muito. Depois disso houve mudanças de adequação. Essa normalmente se deu em função da redução de custo mesmo. Essa mudança estrutural fundamental foi a implantação de templates, que é a pré-formatação da página. Antigamente os repórteres chegavam com o material e o editor já ia dialogando com o diagramador sobre as coordenadas desejadas. O diagramador, a partir disso, fazia o desenho da página, com espaço para texto, foto, etc. Como forma de agilizar o processo e de redução de custos – essa mudança foi até seguida pela demissão de alguns diagramadores – a editoria de arte levou dois meses pré-formatando essas páginas. Hoje, o editor recolhe as notícias dos repórteres, senta com o diagramador e vai procurando o template que vai caber pela necessidade, pelo que ele quer. É mais rápido e menos trabalhoso. Tem gente que achou melhor, outro pior. Teve suas vantagens e desvantagens. Às vezes você não pode colocar tal resolução de foto porque o template não permite.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Houve alguma mudança no conteúdo das notícias?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Foram suprimidos alguns cadernos. O Caderno 10, o rural, entre outros. Foram criados novos cadernos. </span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Antes da reforma, notamos que as notícias eram mais “frias”. Hoje podemos notar que o padrão das notícias mudou. Qual o motivo desse novo posicionamento?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Acho que quem sentiu mais isso foram as pessoas de fora. Não teve orientação. Acho que o jornal ainda é bem solto quanto à sua própria identidade. Não há como saber se ele é popular, elitizado, etc. Ele é uma colcha de retalhos. O jornal já teve mais essa questão de opinião, e já se ausentou muito também. Já foi muito morno. Eu ainda considero que o A Tarde é muito morno. Tem que ser mais incisivo, combativo, o chamado “de campanha”. A imparcialidade é um conceito abstrato. Você erra quando peca no imparcial. Como exemplo, pegar uma matéria com um pedófilo, que esquartejou uma menina de 5 anos, você fará uma notícia imparcial? Senão, você estará errado. Não há como condenar, adjetivar. Mas você tem a obrigação de fazer um texto que emocione. Que passe a dramaticidade da coisa. Em questão disso, tem certas coisas do Correio que eu discordo, assim como tem coisas do A Tarde que eu discordo também, mas o Correio tem se voltado para isso, ultimamente. Eles estão com uma linha de fazer algo mais popular. A imparcialidade é importante, no caso em que, em uma matéria, você precisa ouvir todo mundo e não pode colocar sua opinião na história. Mas você não pode ser imparcial em certos momentos, principalmente nas de questão humanas. Você tem que humanizar. O que se pede muito aqui é para humanizar a história. Porque o jornal é feito para pessoas por pessoas. Então, você tem que humanizar. Imparcialidade não é sinônimo de fazer aquele texto mecânico e distante. É importante dá uma aproximada na pessoa, sentir o cheiro da história e contar isso mesmo.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Você acredita que a imparcialidade no campo da política é importante em um jornal?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> Claro. Em questão de política, é muito importante. Você tem que ter respaldo e credibilidade para falar mal de todo mundo, falar mal de quem está errado. Os caras são um problema mesmo. Eu já cobri política e sei. O processo é corrupto. Em questão de política, a gente tem que tomar cuidado. Em época de eleição mesmo, alguns dizem que estamos beneficiando um, outros que estamos beneficiando o outro. As pessoas não são imparciais na política, que nem em esporte. Então o cara que apóia Geddel, vai ler uma matéria de crítica a Geddel e dizer que nós estamos apoiando o governo. O cara que apóia o governo diz que estamos apoiando Geddel ou Paulo Souto, ou quem quer que seja. Porém, eu gosto muito. Você tem que estar preparado, ler muito, porque os caras lhe enganam muito. Ainda mais se observarem que o repórter é novo e despreparado. Mas é uma cobertura boa, você tem que ficar sempre ligados nesses caras.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Como vocês conseguem informações do Congresso Nacional, em Brasília? </strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> A gente tem uma correspondente lá, Ludmila, que trabalha com a questão de proximidade. Ela pega lá as matérias e vê o que é interessante para cá. Ela faz uma cobertura que não é de Brasília ou Brasil, é de Brasília com o olhar Bahia. Então é necessário colar na bancada baiana, colar em secretários e ministros, geralmente ministros baianos, ou ver assuntos que tem interesse para o Estado.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> </span><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><strong>Existem peculariedades no caderno local que podem diferenciá-los das demais dentro da estrutura do Jornal a Tarde? Quais seriam essas características?</strong></span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;"> O caderno local é a editoria que mais se trabalha. Nos outros, que nem caderno 2, já tem normalmente algo pré-formatado. Política pelo menos tem mais ou menos uma agenda. Local não tem isso. Já tem pautas pré-definidas, mas as pautas dos acontecimentos do dia ficam pra onde? Pra editoria local. Às vezes acontece uma notícia aqui e acontece outra, tem que partir pra outra. É quem chega antes e sai depois, geralmente. Política se acaba também. Chegam mais tarde, porém fecham mais tarde. E o salário independe da editoria, é mais relacionada ao cargo.</span></p>
<p><span style="font-family:Arial,sans-serif;">*Sobre a reformulação gráfica do jornal, falamos também com </span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;"><em><strong>Pierre Themotheo</strong></em></span></span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">, editor de arte do A Tarde</span></span><span style="font-family:Arial,sans-serif;">, responsável pela recente mudança geral. Segundo ele, o projeto inicial já existia desde 2006, mas apenas agora foi colocado em prática, em setembro deste ano, quando foi reformulado para atender necessidades mais atuais. Os principais motivos das mudanças foram corte de custos e redução de tempo na diagramação do jornal. Agora, são adotados templates básicos pré-formulados, escolhidos a depender da necessidade de cada página, com indicação dos editores. Com essa mudança, o tempo de diagramação de cada página foi amplamente reduzido de cerca de 2 horas para 10 minutos, em média, e o tempo economizado pode ser investido em outros pontos essenciais e não tão “mecanizados” como a diagramação, como a escolha e melhoria das fotos a serem veiculadas. Pierre também </span><span style="color:#000000;"><span style="font-family:Arial,sans-serif;">destacou que, nos últimos anos, a empresa intensificou o aperfeiçoamento do design gráfico das páginas do jornal, sobretudo com a qualificação dos profissionais e integração dos diversos setores.</span></span></p>
<p><span style="font-family:Calibri,sans-serif;"> </span></p>
<p><span style="font-family:Calibri,sans-serif;"> </span></p>
<p>Entrevista com o jornalista Valmar Hupsel Filho do Jornal A Tarde, caderno Local.</p>
<p><a href="http://www.scribd.com/doc/23268860/Entrevista-Valmar">http://www.scribd.com/doc/23268860/Entrevista-Valmar</a></p>
<p>Realizada por Maria Garcia, Paula da Paz e Raisa Andrade.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/9/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=9&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Linda Bezerra</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 13:36:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>coletivosls</dc:creator>
				<category><![CDATA[Linda Bezerra]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Eu quero seduzir o leitor&#8221; Por Gustavo Baraúna, Lorena Vinturini e Tarsilla Soares Linda Bezerra se formou em jornalismo pela UFBA. Um ano antes de concluir o curso, ela trancou a faculdade e foi em busca de experiência no mercado de trabalho, já que, na sua opinião, a FACOM não oferecia um curso efetivo prático. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=7&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color:#800000;">&#8220;Eu quero seduzir o leitor&#8221;</span></h2>
<h5><strong></p>
<p><a href="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/img_00011.jpg"><img class="size-large wp-image-38  " title="Linda Bezerra" src="http://teoriasdojornalismoufba.files.wordpress.com/2009/11/img_00011.jpg?w=573&#038;h=430" alt="" width="573" height="430" /></a></p>
<p></strong><strong>Por Gustavo Baraúna, Lorena Vinturini e Tarsilla Soares</strong></h5>
<p><strong> </strong><br />
Linda Bezerra se formou em jornalismo pela UFBA. Um ano antes de concluir o curso, ela trancou a faculdade e foi em busca de experiência no mercado de trabalho, já que, na sua opinião, a FACOM não oferecia um curso efetivo prático. Nessa época trabalhou na TV Bandeirantes como apuradora, função que hoje é conhecida como produtora. Considerou uma fase importante na sua carreira porque apurar é, por essência, a profissão dos jornalistas. Nesse papel de apuradora, acabou dividindo a chefia de reportagem. Com isso, assumiu um pouco o papel da chefia: coordenar equipe, indicar as fontes, ouvi-las, sugerir pautas etc. Depois disso, tornou-se chefe de reportagem do Correio Repórter, caderno já extinto, que destacava a história da Bahia. Na TV Band, onde permaneceu durante onze anos, além de produtora local, foi também produtora nacional quando trabalhou com nomes como Carlos Nascimento  e Ricardo Boechat e pauteira nacional. Já no período final, próximo a sua saída, foi editora local e editora nacional das matérias que encaminhava para São Paulo. Atualmente, é chefe de reportagem do Correio, responsável pela abertura do jornal.</p>
<p><strong>Como é a sua rotina de produção?</strong></p>
<p>Eu chego aqui às 6h30. Minha função é de editora de abertura da editoria Bahia Salvador, eu faço a cobertura geral da cidade. Geral porque é amplo. Posso fazer tudo, a única coisa que não faço é política e economia. No caminho para a redação, já venho ouvindo o rádio. Quando chego leio todos os jornais &#8211; o nosso e os concorrentes -, vejo a internet nacional e local, blogs e sites locais, <span style="color:#800000;">vejo os cerca de 1mil emails que recebo. Vejo todos mesmo porque, às vezes, têm idéias de pautas interessantes. </span>Depois que faço tudo isso, eu sigo para o segundo passo, que é escolher o assunto que eu vou trabalhar nesse emaranhado de acontecimentos do dia. Quais deles eu vou me dedicar, qual eu vou colocar um olhar sobre.</p>
<p><strong> Sabemos que de acordo com a teoria, existem critérios de noticiabilidade, questões de enquadramento e agendamento. Na prática como funciona essa rotina de escolher o que vai ser noticiado? Especificamente aqui no correio?</strong><strong> </strong></p>
<p>Eu uso os critérios clássicos, mas o meu ponto é o leitor. <span style="color:#800000;">Eu trabalho para ele e estou a seu serviço. Eu penso em escolher os assuntos que acho que são do interesse do leitor, tanto do ponto de visto de serviço, quanto do ponto de vista da extensão das notícias; se aquela notícia interessa muita ou a pouca gente, se afeta ou não a sociedade. Se uma notícia vai interessar a 1mil pessoas e a outra a 200, eu opto pela de mil para aprofundá-la.</span> Nesse passo que eu estou escolhendo, eu paro e penso como é que eu vou noticiar isso; de que modo eu vou dar essa informação. Isso porque tem a internet, o rádio e inúmeros veículos que vão informar tudo sobre todos os assuntos, o tempo todo. Então, como é que eu vou dar essa notícia amanhã para chamar atenção do meu leitor?</p>
<p><span style="color:#800000;">Para escolher os assuntos que vou noticiar, a primeira coisa que considero é o leitor, a segunda é a seleção do que é interessante, com base nesses critérios de noticiabilidade: interesse público, interesse social</span>, dentre outros. O terceiro passo é como eu vou contar essa história. Porque a função do jornalista é, nada mais nada menos, que contar bem uma história: com informação, com responsabilidade&#8230; Nessa fase, eu vou ver de que modo vou seduzir o leitor. Vou dar um exemplo pra você entender que fase é essa: Aconteceu um assalto a ônibus que mobilizou uma avenida inteira, tiveram várias pessoas mortas, e no meio da história eu descubro que foi um passageiro quem deu o tiro no ladrão, que a polícia não agiu e o herói daquela história é o passageiro. Então eu conto o crime, vou atrás de todas as partes clássicas da notícia, mas também do passageiro, porque eu quero dar um diferencial na minha cobertura. Então o modo de contar isso é muito importante. De que modo eu vou ilustrar? Quais são as narrativas que eu vou usar para contar essa história? Eu vou dar números? Vou fazer um radar com números de assaltos? Vou contar uma história em cima do passageiro que salvou todo o resto? Para mim, o enquadramento principal vai ser em cima do passageiro.</p>
<p>O passo seguinte é escolher o editor. Porque coordenar é isso. Tem uma equipe de 12 pessoas e cada um tem uma característica diferente: um tem um texto maravilhoso, outro tem um texto mais seco, outro mais objetivo. Existe aquele que não é muito bom apurador, outro é excelente, mas não tem o texto tão bom. Aí eu destino a essa equipe qual o melhor assunto para cada um. Mas no dia a dia é muito complicado porque a notícia é diária, então, às vezes, não adianta ficar planejando o dia porque o fato é mais importante do que o planejamento. Assim eu prefiro que a equipe esteja preparada para tudo. Eu faço esse tipo de coisa e fico monitorando a equipe na rua pra ver o que eles têm. Tenho que comparar o que pedi com o que eles trazem porque acontece de o que eu pedi não ser necessariamente o mais importante, daí eu reformulo a programação para apurar o que está acontecendo.   Na seqüência, chega às 15 horas o editor de fechamento que vai pegar tudo que coordenei, verificar mais uma vez se a equipe fez o esperado e ver o que é preciso mudar. Ele vai reler, dar uma nova angulação, se necessário, e mudar alguma coisa, ou continuar no planejamento que foi feito pela manhã, e fechar isso com o título, com apoio e com boas chamadas. Ele é a pessoa que vai dar uma formatação para esse texto ficar ainda mais atrativo, escolhendo um bom título e a melhor foto.<br />
<strong>Observando as últimas edições dos três principais jornais do estado, nos quais o Correio está inserido, podemos observar que os dois temas locais mais abordados pelo Correio são violência e saúde. Por qual motivo essas pautas são mais tratadas?</strong><strong> </strong></p>
<p>O motivo é o seguinte: nós estamos a serviço do leitor. Não adianta o jornalista brigar com a notícia nem com o leitor. Várias vezes que tem assunto de violência que eu não cubro de manhã; de tarde vou ao nosso site e noto que é a notícia mais lida. Então, não é inteligente brigar com o leitor. Tem que fazer o que o público quer ler. Segurança é um assunto que interessa a todos nós. Quando não tem um bom assunto de segurança na pauta, eu fico triste. Eu, particularmente, acho que temos boas histórias em segurança e a forma de contar isso que é a questão. Eu não fico colocando corpos e sangue; eu conto histórias. Acho maravilhoso contar histórias trágicas de um modo elegante. Gosto de ler e de contar. Eu acho que segurança é um assunto importante, que diz respeito a todo mundo e por isso que a gente pesa a mão. Mas a agente faz isso porque o público pede; o público manda.</p>
<p>Entre um rapaz que foi flagrado pelas câmeras do jornal pulando um carro em pleno engarrafamento do Comércio por ter roubado e a eleição da OAB, por exemplo, eu vou dar mais linhas pra história do maluco que pulou o carro. Porque a eleição da OAB eu posso resolver em menos linhas. Posso dizer quem ganhou, como foi o movimento, qual será a plataforma do novo presidente e pronto. Eu não tenho dúvidas que dou mais holofote a uma pessoa que foi pulando de carro em carro, fugindo da polícia, do que à eleição.Isso porque, a história inusitada de alguém pulando carros e da insegurança além das diversas coisas relacionadas a ela me parece muito mais interessante. As duas são notícias, não deixaria de cobrir a eleição da OAB. Mas a questão é que dou mais linhas (já que você está dizendo que eu carrego na segurança) gasto mais tinta com isso, porque eu vou ter muito mais leitores com essa notícia do que com a outra. Eu dou as duas notícias: uma eu dou mais destaque, a outra se eu tivesse espaço também daria, mas como eu não tenho&#8230;</p>
<p><strong>O Correio tem um público alvo que direciona sua linguagem e abordagem dos temas?</strong></p>
<p>A gente não é direcionado até porque a última pesquisa mostrou qu<span style="color:#800000;">e <strong>45% do leitor é classe A e B. A gente escreve pra todo mundo, para o leitor de um modo geral.</strong></span></p>
<p>A respeito da coisa de que o jornal é sensacionalista, <span style="color:#800000;">eu acho que ele é criativo e a criatividade, às vezes, derrapa.</span> Por exemplo, hoje, entre os três jornais eu não tenho nenhuma modéstia em dizer que eu prefiro a capa do Correio. Prefiro esse enquadramento, esse tratamento. Também acho o título melhor, pois é mais claro. Com ele estou indo direto pra notícia.</p>
<p>Dar a notícia no dia seguinte é muito arriscado, porque a internet e a televisão já deram há anos luz. Ou você joga um olhar sobre essa notícia, ou vai ficar igual à Internet. Eu quero atingir o leitor. Inclusive, com essa reformulação do jornal, nós não tiramos nenhum leitor do jornal A Tarde. <span style="color:#800000;">O A Tarde continua com os mesmos leitores, mas nós ganhamos outros. Tem dias que a gente vende mais que o A Tarde aqui em Salvador. Isso está comprovado pelo IVC, não é balela minha. </span><span style="color:#800000;">A gente conquistou leitor e esse leitor é o meu foco. Se ele é da classe A, B ou C e D, pouco importa. <strong>Eu quero seduzir o leitor</strong>.</span> E para seduzi-lo, seja de que classe for, você tem que ter um bom texto, com uma boa linguagem e um assunto que interesse a ele.</p>
<p><strong>Em relação aos títulos, a gente observa um tom meio sensacionalista, como &#8220;o tarado da Paralela”, alguns às vezes até trágicos&#8230; </strong></p>
<p>Eu acho que somos e gostamos de ser sofisticados. Mas um jornal que se preze e reflete a comunidade, tem que ouvi-la. No caso “O tarado” da Paralela, essa denominação de tarada estava nos seis depoimentos das meninas universitárias que foram vítimas dele. A gente apenas traduziu, só isso.</p>
<p>Há uma diferença entre sensacionalismo e tradução do real. É claro que quando você coloca &#8220;tarado da Paralela&#8221; na capa isso gera um fato, sem dúvida. Tarado é o tarado da língua portuguesa, e Paralela é um local de Salvador. Se isso não agrada do ponto de vista estético, é uma coisa, mas eu acho que esse título traduz uma realidade.</p>
<p><span style="color:#800000;">Eu trabalho no jornal há 12 anos e não mudei nenhuma vírgula na orientação para a minha equipe. Essa equipe em que eu trabalho é quase a mesma que eu trabalhei nesses 12 anos, mesmo com a mudança do jornal, e é uma equipe que tem feito textos maravilhosos.</span> A capa é uma opção do editor chefe vender bem o seu peixe. É uma opção dele, utilizar essa linguagem mais próxima do povo, que vocês chamam de sensacionalismo. Mas o jornal que você lê é a mesma coisa.</p>
<p>Por exemplo, uma coisa que foi super polêmica: a publicação da professora. Rapaz, ok. Sabe se aquele não é um assunto importante? Eu acho um assunto importante sim, a matéria que as pessoas leram de fato não ficou só na professora, a matéria discutiu sobre a exposição na mídia, questões atuais de imagens que são passadas, etc. Agora não dá para você narrar ou discutir o perigo das imagens na internet sem ter uma história real para contar, um gancho. Enfim, é uma opção do jornal fazer isso. Eu admito que alguns casos, para nós que estamos habituados com coisas mais normais, realmente dão um susto, geram um impacto. Eu, a princípio, gosto muito das capas do jornal.</p>
<p><strong>Por qual motivo o Correio* acompanhou o caso do turista agredido na ilha de Itaparica com tanto destaque? Na capa do dia 06.11 aparece um foto de página inteira do turista com o rosto ferido. Por que uma imagem pesada logo na capa? Qual os critérios de noticiabilidade e de apuração foram utilizados nesse caso?</strong></p>
<p>Eu classifico como um trunfo de reportagem. Só nós conseguimos mostrar e aquilo é fato. Um concorrente, inclusive, nos ligou para comprar a foto. Ou seja,<span style="color:#800000;"> todos queriam dar aquela foto. Sabe por quê? Aquilo é real! Agora você viu como abriu o texto lá dentro, sobre a lua cheia? Entendeu? É uma história real que impacta a gente mesmo, mas é muito triste.</span> Eu não sei o que impacta mais na foto do turista: se é a orelha na capa ou o fato de o turista vir pra cá e ficar sem orelha. Ambos são impactantes, é uma notícia extraordinariamente impactante. Decidir colocar na capa é uma decisão corajosa. Se eu fosse editor chefe colocaria? Não sei, mas tenho a coragem de colocar o real. Isso não podemos ignorar.</p>
<p>Inclusive o Correio* foi quem mais cobriu esse caso. Nós colocamos o cara sem a orelha na capa, mas por outro lado aprofundamos a discussão. Esse artifício faz a sociedade refletir sobre o assunto. Tem um limite alí da deselegância, e tem que ter muito cuidado mesmo. Mas no caso do francês, eu fico mais feliz da gente ter colocado do que não ter colocado porque só nós tínhamos a informação e tem horas que a imagem fala mais do que mil palavras. Uma imagem daquela alí realmente era importante. Impactou? Chocou? Chocou, companheira. Eu concordo plenamente, mas era uma imagem impactante e importante. Isso não significa que eu concorde com tudo. Tem muita coisa que acho ruim na capa do jornal, que eu acho que não deveria estar alí, mas tem muita coisa que eu adoro. Acho que o jornal acerta mais do que erra.</p>
<p><strong>Na construção da notícia, você procura focar o que tem de mais diferente na história?</strong></p>
<p>Não é que tenha o mais diferente, mas eu preciso de um olhar. Tenho que trabalhar para não ficar só naquele clássico: Onde? Quando? Quem? Como? Por quê? Tenho que tentar trazer algo que não foi visto por todos, eu preciso angular da forma menos comum possível.</p>
<p><strong>Na matéria sobre a morte da menina que demorou 48 horas para ter o corpo liberado, por que o Correio* optou por enquadrar mais enfaticamente a demora em liberar o corpo e não a suspeita de meningite?</strong></p>
<p>Por quê? <span style="color:#800000;">Porque para mim era mais impactante constatar que uma pessoa foi desrespeitada ao nível de não conseguir enterrar o corpo da filha. Eu acho que isso é o mais absurdo.</span> Eu procuro o absurdo, o que é mais inusitado. Isso não exclui a notícia, pelo contrário, ela é o enquadramento da notícia, o diferencial.</p>
<p><strong>O Correio* tratou o caso do crack com destaque, inclusive trazendo o caso de um jovem esquizofrênico viciado em crack que a família não consegue mais controlar a situação. O fato de outros veículos não tratarem do tema, não pode passar uma idéia de que não é uma situação tão alarmante? Ou como sensacionalismo?</strong></p>
<p>Não passa porque a gente sabe que não é e a gente só trabalha com aquilo que de fato é representativo, esse é um dos critérios. Eu falei agora há pouco que se uma notícia vai interessar a mil pessoas ou diz respeito a mil, e a outra a duzentos, eu opto pela de mil.Então eu não temo isso porque sei que é real. Então, toda aquela repercussão que o caso da Barra teve é porque a Barra de fato está abandonada e é visível. Contra fatos não há muito o que argumentar.</p>
<p><span style="color:#800000;">Os outros jornais é que não viram. Isso é uma questão de visão de cidade. Se o outro jornal não dá é problema dele. Por exemplo, o Pelourinho: quantas séries bem sucedidas que a gente fez? Nós mostramos que o Pelourinho está um horror. </span>Não se trata se ACM fez a mudança do Pelô, ou não, porque a gente deu todos os lados: de João Henrique a Wagner. É claro que aqui e alí corremos o risco de super valorizar uma notícia, mas isso é um risco que não é intencional ou irresponsável.</p>
<p>Eu respeito e gosto de mostrar a cidade. <span style="color:#800000;">Quando optou-se em colocar &#8220;tarado da Paralela&#8221; era porque as pessoas estavam falando &#8220;Tarado da Paralela&#8221;. O cara era conhecido pelas vítimas assim. Isso agride? Ok, agride. Mas é o reflexo da realidade.</span></p>
<p>É claro que precisa ter elegância, cuidado, evidentemente, mas é bom mostrar o próprio umbigo. Não dá pra eu ficar discutindo o sexo dos anjos em um jornal que circula em Salvador. Por exemplo, a gente repercutiu o caso da travesti que é amiga da prenda que foi o pivô do governador da Itália. Nós fomos na casa do travesti e mostramos a realidade dele, o que tem a ver isso com a Itália? Tudo a ver. Nós fomos na casa e mostramos quem ele era. Então é sensacionalismo ir na casa dela pobre? Como assim? Tudo virou sensacionalismo agora. Então tem que ter cuidado com as histórias, com tudo que vai contar, porque são histórias reais, de vida real. É que na verdade, a gente vive em um universo muito diferente, quando a gente entra em um universo pauleira, que mostra que a vida é aquilo alí mesmo&#8230; Dá vergonha ler sobre certas coisas, escutar certas histórias. Sem dúvida algumas são constrangedoras mesmo. Mas elas existem na realidade e o grande desafio é você contar isso com elegância e dignidade. Eu acho, porque a parte que me toca do latifúndio, a gente tem conseguido contar histórias de segurança escabrosos com certa medida. É isso que eu quero. Eu sou adepta do new jornalismo. Tem notícias que não dá para você não ser objetivo, tem umas que dá para você trazer o cenário e elementos da literatura. Eu não falo que você tenha que transformar o jornalismo em literatura, não tem nada a ver uma coisa com a outra. Jornalismo é jornalismo; literatura é literatura. Mas dá para você usar técnicas da literatura para contar uma história bem contada, isso é o que você tem que fazer. O meu objetivo é esse: contar bem as histórias, com sensibilidade, às vezes, até com o coração. Eu não tenho problema nenhum em colocar meu coração em algumas coisas. Claro que no ponto, sem ser piegas. Eu não sou adepta dessa objetividade sem o olhar. <span style="color:#800000;">Eu não vou condenar o lírico de Alexandre Lyrio quando ele diz assim: &#8220;em uma noite de lua cheia o francês teve a orelha decepada&#8221;. Eu não vou condená-lo porque ele trouxe a lua cheia, é fato, o que você não pode fazer é não dar a informação. A lua cheia era informação, não era literatura. Pronto e acabou.</span></p>
<p>O francês estava curtindo as férias no Brasil, em uma noite de lua cheia na praia e foi abordado por um grupo de assaltantes. Não dá para você contar isso? Claro que dá e tem que contar. Mas o que não dá é pra ficar inventando coisas, ir pra um enterro e dizer: &#8220;enquanto o céu era azul, neguinho ia ser enterrado&#8221;, não é isso.</p>
<p><strong>O caso da fraude do programa fome zero foi coberto pelo maior concorrente do Correio, por três dias, com matérias de página inteira tratando do tema. Por qual motivo o Correio não abordou o tema se trata de algo de interesse público?</strong></p>
<p>Primeiro, a notícia da fraude foi uma notícia exclusiva do jornal A Tarde. Eu não tive acesso a essa notícia, não tínhamos acesso à denúncia, era exclusiva. Então, nesse caso especificamente, não foi por não achar que era importante. O caso de Ravengar, por exemplo, eles não noticiaram porque não tiveram acesso. E a de Ravengar foi maravilhosa, é segurança, como é que não dá atenção a um assunto daquele de segurança?</p>
<p><strong>Você já tem alguns anos no Correio*. Como foi o processo de adaptação com a linha editorial do jornal? Você já tinha uma idéia de como funcionava ou teve muitas matérias vetadas por não se encaixar nessa linha?</strong></p>
<p>Hoje o Correio* é um jornal que busca ser plural, ou seja, <span style="color:#800000;">nós saímos do foco da política de ACM, que era o dono do jornal. Nós não estamos voltados exclusivamente para a política. </span>Antigamente o primeiro caderno era o de política. <span style="color:#800000;">Nós agora estamos voltados para tudo que é da cidade, temos espaço para cultura, economia&#8230; Para tudo. Nossa linha editorial é plural. </span>Nós buscamos dar todas as notícias, sendo ou não do interesse da casa, e com todos os olhares. Essa é a nossa linha. Mesmo que seja uma notícia que de algum modo fira ou interfira nos interesses do dono do jornal, nós damos a notícia e repercutimos todos os olhares sobre ela, todos os lados. Esse é o nosso objetivo. Não há notícia que a gente não tenha dado. No último um ano e meio eu não lembro de uma notícia que a gente não tenha dado porque o dono interferiu.</p>
<p><strong>Então, na sua opinião, a reforma gráfica foi positiva?</strong></p>
<p>Sem sombra de dúvidas. Agora tenho um jornal plural e maravilhoso porque eu posso colocar as notícias de menor extensão no 24h* e as que posso aprofundar no Mais*.</p>
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		<title>Emanuella Sombra</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Nov 2009 13:36:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>coletivosls</dc:creator>
				<category><![CDATA[Emanuella Sombra]]></category>
		<category><![CDATA[A Tarde]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;Para apurar um tema polêmico você tem que colocar o seu senso crítico a frente&#8221; Por Niassa Jamena, Bruno Brasil e Cíntia Dias Emanuella Sombra é repórter de local do jornal A Tarde . Graduada em jornalismo pela UFBA. O primeiro veículo em que você trabalhou foi aqui no A Tarde? Sim. Há quanto tempo você trabalha [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=5&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2><span style="color:#800000;">&#8220;Para apurar um tema polêmico você tem que colocar o seu senso crítico a frente&#8221;</span></h2>
<h5><em>Por Niassa Jamena, Bruno Brasil e Cíntia Dias</em></h5>
<p style="text-align:left;">Emanuella Sombra é repórter de local do jornal <em>A Tarde </em>. Graduada em jornalismo pela UFBA.</p>
<p style="text-align:left;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong>O primeiro veículo em que você trabalhou foi aqui no <em>A Tarde</em>?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Sim.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Há quanto tempo você trabalha aqui?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Desde 2007. Eu fiz dois meses de estágio e logo depois comecei a trabalhar como <em>free lancer</em>, fiquei mais nove meses e depois fui contratada como profissional. Eu acho que ao todo devo ter uns dois anos e meio.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Qual o seu estilo de escrita jornalística?</strong></p>
<p style="text-align:left;">A gente às vezes tenta fazer uma matéria um pouco diferenciada do que é normalmente publicado na editoria. Quando o tema permite que a gente faça isso, a gente faz.Pode ser uma narrativa em primeira pessoa, com a opinião do repórter sobre o que ele viu na rua, ou uma crônica sobre aquele fato ou acontecimento, de forma que o texto fique um pouco diferente, mais parecido com o <em>new journalism</em>. Algo que já se faz na <em>Piauí,</em> na <em>Carta Capital </em>e<em> </em>nas <em>Brasilianas</em> também. Agente tenta fazer, mas isso muitas vezes acaba não acontecendo por causa do tempo. É o factual na maioria das vezes.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Vocês têm que cumprir <em>deadline</em>. Como é que vocês lidam com o tempo?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Posso falar da editoria que eu trabalho, que é a editoria de local. Nós trabalhamos sempre com o <em>deadline</em> bem apertado. A gente pode até estar com um especial, que podem te dar três dias para fazer, mas pode chegar um dia e você ter que derrubar esse especial, para fazer um acidente que acabou de acontecer e ter que entregar no mesmo dia. A gente vive muito nessa loucura, de não saber quanto tempo você tem.</p>
<p style="text-align:left;"><strong> </strong><strong>E quando é que esse prazo fica mais apertado?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Quando vai se aproximando o final de semana as coisas vão ficando mais apertadas.<span style="color:#800000;">Sexta feira é o dia mais complicado de todos porque tem as edições de sábado, de domingo e de segunda que tem que ficar mais ou menos prontas. </span><span style="color:#800000;">A edição de domingo tem que ficar 90% fechada porque ela vai para gráfica sábado meio dia. Já a edição de segunda, pelo menos 50% tem que estar pronta. Então o que acontece sábado de manhã a gente apura e bate rápido para poder sair ainda no domingo.</span></p>
<p style="text-align:left;"><strong>Tem um horário específico pro deadline?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Depende muito da pauta. Se você tem uma pauta que você pegou cedo e que não é uma coisa factual, quente, é recomendável que você entregue até às sete da noite. Mas se de repente você foi pra rua, fazer uma matéria às cinco da tarde, o jornal entende que você não tem condições de entregar às sete. Aí você tem uma tolerância, pode ficar até as nove, nove e meia. O caderno de salvador costuma ser entregue para a gráfica onze horas da noite, as últimas noticias ficam até uma da manhã. Cada editoria tem um horário.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>No dia do blecaute, 10 de agosto, a gente viu que o <em>A Tarde</em> publicou a matéria no dia seguinte, na editoria de “Últimas Notícias”, enquanto os outros concorrentes deram como capa. Porque isso ocorreu?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Isso depende do editorial mesmo, se o editor entende que aquele material vai para “Últimas” ou que foi uma coisa relevante que aconteceu no país, ele pode puxar de “Últimas” para a editoria de cidade ou de Brasil e dar destaque. Foi uma decisão editorial, é uma aposta que você faz, você pode tanto acertar como errar.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>O <em>A Tarde</em> possui uma agência de notícias. A apuração dos fatos, a construção da notícia na redação do jornal, é feita na maior parte por intermédio da agência, pelos repórteres da redação que vão pras ruas, ou há um equilíbrio entre as duas formas de apuração?</strong></p>
<p style="text-align:left;"><span style="color:#800000;">No meu trabalho pelo menos, eu não vejo tanta influência da agência. Ela participa mais como uma olheira, monitorando as editorias. </span>Algumas matérias ela se apropria e vende para outros jornais. Ela pode sugerir também, mas a regra não é essa.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Como é feita a pauta diária?</strong></p>
<p style="text-align:left;">As pautas têm várias formas de surgir, às vezes agente sugere, às vezes o acontecimento por si só já é uma pauta. A grande maioria são pautas sugeridas pelo editor, pelo editor chefe ou pelo editor de outro caderno. Normalmente o editor entrega as pautas pra gente, mas agente também pode sugerir e fazer.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>De que forma o jornalista interfere na sua produção? Como essa subjetividade trabalhada na academia é colocada em prática? </strong></p>
<p style="text-align:left;">A gente tenta levar em conta principalmente o senso crítico. Para apurar um tema que é polêmico você tem que colocar o seu senso crítico à frente. Você tem que dar poder de voz às fontes interessadas e que tem opiniões diversas. Também tem que analisar o tema, você não pode simplesmente colocar as aspas e as informações. Nossa busca o tempo todo aqui é tentar ser imparcial.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>A gente ouve falar muito na linha editorial. Na hora de escrever vocês tem uma preocupação com a política do jornal? De que forma isso se manifesta? </strong></p>
<p style="text-align:left;"><span style="color:#800000;">A gente sabe que determinados assuntos ou determinadas fontes podem sofrer uma influência da editoria para que sejam tratadas de uma determinada forma. Isso pelo menos no </span><em><span style="color:#800000;">A Tarde</span></em><span style="color:#800000;"> não é tão escrachado como a gente vê no </span><em><span style="color:#800000;">Correio*. </span></em><span style="color:#800000;"> </span>Eu não sei como está agora, mas, antes existia aquele mito de que você não podia fazer um certo tipo de matéria porque você sabia que ia ser demitido. Aqui você tem liberdade pra elaborar sua pauta, colocar as fontes que você acha que são apropriadas para um determinado assunto. <span style="color:#800000;">As matérias sofrem influência sim. Agora a gente tenta de certa forma dosar essa influência com o nosso poder de liberdade de elaboração da pauta. Eu particularmente nunca passei por problemas assim, ter que mudar pauta ou trocar matéria. Mas a gente sabe que existe. </span>É um pouco de ilusão achar que o veículo “x” ou “y” é imparcial. Interesses da empresa também são colocados em jogo, e você tem que se adequar a eles. Eu acredito que esse tipo de problema ocorra mais na editoria de política e economia, local nem tanto.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Para você o jornalista escreve para o jornal, para o leitor ou para ele mesmo?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Olha, eu não escrevo para o jornal. Acho que todo jornalista pensa da mesma forma. O jornalista também é um pouco narcisista, ele quer escrever porque quer de alguma forma se destacar naquilo que está fazendo. Eu penso sempre no leitor, sobre o que ele está pensando e o que pra mim seria o ideal de matéria. Eu excluo essa alternativa de escrever pra o jornal. É o jornal que acaba se apropriando do nosso trabalho. Quando o repórter faz um bom trabalho a empresa lucra com isso.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Você publicou uma matéria no dia 13 de novembro, que falava sobre o novo estatuto do carnaval que na época estava para ser sancionado pelo prefeito João Henrique, que visa limitar o tempo que os artistas dedicam à imprensa na folia. </strong><strong>A quem você acha que realmente interessa essa questão? Você acha que existe um interesse público sobre isso, ou é apenas um disputa de poder entre empresas do carnaval, redes de imprensa e blocos maiores e menores?</strong></p>
<p style="text-align:left;">A pauta surgiu já feita para eu executar. Quando eu comecei a cobrir eu procurei ao máximo colocar as forças antagônicas no processo uma na frente da outra. O público de uma forma geral tem que entender como funciona a disputa por poder na festa. Eu acho que colocar os principais envolvidos ali, que eram as empresas, os donos de bloco, para dialogar sobre essa questão do carnaval já é uma forma clara de mostrar às pessoas o que está ocorrendo. E agente tentou incluir o leitor também. É aquele tipo de matéria que tem a função de dar a voz ao público, é uma forma de deixar as coisas claras pra quem está de fora, no caso o folião do carnaval.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>O que você pensa sobre isso? Para você é apenas uma regulamentação justa ou é censura a liberdade de imprensa?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Eu comecei a fazer a matéria tendo a opinião de que a decisão era meio arbitrária, e que parecia ser uma censura porque tentava de alguma forma regrar como o artista ia passar pelo circuito e como ele ia interagir com o folião. Eu comecei a mudar de idéia até pelo próprio processo de apuração, ouvindo algumas fontes. Acontece muito isso quando você está apurando, vem uma fonte fala uma coisa e você acaba concordando, mudando de opinião. Eu acho que de alguma forma tem que regulamentar. Só nos resta esperar pra ver se essa é a melhor forma de administrar.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Por falar em público, qual o público que o jornal visa atingir?</strong></p>
<p style="text-align:left;"><span style="color:#800000;">É meio delicado falar disso</span>. O jornal ele é voltado para o público “A”, isso é muito claro, até pelas coisas que agente ouve. Isso é colocado para a gente na forma como a pauta é elaborada, na forma como a gente aborda os assuntos e nos tipos de matéria que são publicadas. <span style="color:#800000;">É uma coisa meio implícita, você não tem esse diálogo tão claro com os editores. Com o tempo você vai aprendendo a dançar conforme a música. Em alguns momentos eu como jornalista, apesar de isso não ser uma causa política nem ideológica, tento fazer um trabalho que às vezes choca com isso. </span>Uma vez, por exemplo, eu fui fazer uma matéria sobre gravidez na adolescência e a foto que eu ia usar na matéria era de uma menina pobre, negra que tava recém parida no <em>Iperba </em>com o filho nos braços. Essa era a foto principal que agente tinha, ela era a minha personagem. Aí houve uma discussão editorial porque disseram que aquela foto não correspondia ao público do jornal. Isso acontece, mas, às vezes você pode com seu poder de argumentação segurar a foto. Você pode com pequenas coisas, com pequenos detalhes de operação de escrita subverter um pouco. Mas a orientação existe.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Você falou da foto. O que faz uma boa capa?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Sinceramente eu não sei [risos].</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Existe algum tipo de acontecimento que você possa dizer: “isso aqui daria uma boa capa”?</strong></p>
<p style="text-align:left;">A gente tem muito a situação de informação exclusiva sobre alguma coisa e que agente sente que aquilo é capa. Por exemplo, uma situação hipotética: um juiz que violentava sexualmente a secretária dele e ninguém sabe, e a gente tem essa informação na mão nós podemos abordar esse tema de uma forma mais ampla e aquilo virar manchete. Mas o processo como isso vai se desenrolando, eu não sei. Não sei até que ponto essa manchete seria uma boa capa. De que ponto de vista?  Do ponto de vista comercial, da venda, que vai fazer muito leitor comprar? Do ponto de vista crítico? É uma linha muito tênue, e eu acho que eu não tenho experiência profissional suficiente para fazer essa avaliação. Eu acho que pra mim ainda falta muita experiência para ter esse discernimento do que é uma boa manchete e do que é apenas sensacionalismo.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Falando em sensacionalismo&#8230; você também produziu uma matéria sobre a morte da aluna do Colégio Militar Jéssica Silva de Araújo. Reportagens que tratam de temas polêmicos e delicados como esse, a linha entre a retratação verdadeira dos fatos e o sensacionalismo em busca de audiência é muito tênue. Até que ponto o jornalista deve ir em busca da verdade, mesmo que ela mostre o que há de mais sórdido no ser humano? Como é que você lida com isso?</strong></p>
<p style="text-align:left;"><strong> </strong>Olha a gente tem determinadas ideologias que a gente também traz para empresa. Mas muitas vezes a gente tem uma determinação do editor que é: “-Vá cobrir a reconstituição e traga o material.” E você tem que ir mesmo. Como repórter você deixa de pensar ideologicamente quando você tem uma pauta na mão e precisa ir cobrir na rua para trazer para o jornal. <span style="color:#800000;">Acho que a gente acaba ficando um pouco refém desse sensacionalismo que você fala. Tem casos que você está cumprindo uma demanda, te mandaram fazer isso você vai e faz. É sensacionalista? Eu acho que sim, mas você está no jogo um pouco pra jogar sabe? Você está na empresa e sente que às vezes é difícil lidar com suas ideologias.</span></p>
<p style="text-align:left;"><strong>Mas existe também o mecanismo de controle do próprio jornalista não é? A forma como ele escreve, a forma como ele apura&#8230;</strong></p>
<p style="text-align:left;">Claro, eu tento em casos como esse fazer aquele texto bem <em>lead,</em> <em>sublead</em> e fontes. Uma coisa bem descritiva mesmo, no sentido reconstituição. O leitor também quer informação, a gente tem um sentimento mórbido de querer saber o que aconteceu. No <em>Correio*</em>, por exemplo, saiu uma manchete em que a foto de chamada eram várias facas, outro dia saiu a notícia do apresentador que foi assassinado em que o lead começava assim: “ Era pra ser apenas mais uma noite de festa”. Entendeu? Por mais que esses temas gerem sensacionalismo, às vezes é uma imposição e você tem que fazer, mas a forma como você escreve é sua é você que ta escrevendo ali. <span style="color:#800000;">Eu acho que existe esse controle do repórter de participar o mínimo possível desse jogo de interesse entre o leitor mórbido e o jornal que quer vender. Você pode fazer só o texto ou pode jogar com o emocional, partir para o apelo, porque tem o público que gosta disso. Eu não gosto e prefiro não fazer.</span></p>
<p style="text-align:left;"><strong>Na reforma gráfica o <em>A Tarde</em> implantou o sistema de layout. De que forma isso contribui ou atrapalha na construção da matéria? Você acha que isso delimita a notícia, pelo fato de a página já ter um formato pronto?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Acho que as reformas acabam sendo fundamentais mesmo porque o modelo ele acaba envelhecendo mesmo, de qualquer jornal. <span style="color:#800000;">Agora essa coisa do </span><em><span style="color:#800000;">template </span></em><span style="color:#800000;">eu acho que é uma decisão mais política sabe, empresarial, de você enxugar o corpo de diagramadores. É minha opinião, eu vejo que tem esse interesse. Você tendo um álbum digital de </span><em><span style="color:#800000;">templates</span></em><span style="color:#800000;">, você precisa de menos mão de obra para trabalhar. </span>Tem também o apelo das tendências, não é? Existem tendências que os gestores da empresa trazem de fora. Eles participam de seminários, observam como os jornais no restante do mundo funcionam e tentam trazer isso pra cá. Sempre tem um teórico da comunicação que diz que agora a tendência é ter mais foto do que texto. Tentando de certa forma se adequar ao leitor modelo que agente tem no Brasil. Eu particularmente acho que para o bom jornalismo isso é muito variável. O <em>New York Times</em>, o <em>El País</em> que apostam cada vez mais em textos grandes, textos massudos como chamam. Mas isso tem uma função e uma razão de ser, porque o leitor americano, o leitor europeu em geral, tem um hábito maior com a leitura diferentemente daqui. As leis de mercado estão aí e a empresa visa aumentar as vendas. Ela percebe que o leitor padrão brasileiro não gosta de ler, que muitas vezes ele quer entretenimento, uma notícia rápida, uma foto atrativa, e aí as coisas vão funcionando dessa forma. Vários elementos influenciam e eu vejo esses como os principais. Na internet você pode escrever lá, cinco páginas se você quiser, dependendo do texto que tenha, só que agora ficou muito mais difícil porque com os templates já definidos, a gente tem que se adequar a ele. Isso eu acho que é uma inversão, a gente está vivendo isso aqui na empresa, e eu me sinto em um conflito porque às vezes eu tenho uma matéria que é melhor contada em 50cm e o template só cabe 30 cm. Para as pessoas que elaboraram os templates aquilo, graficamente fica melhor, então é uma inversão. O que está importando aqui realmente, é a noticia ou é a estética?</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Muitos jornais impressos têm esse problema de espaço, ou seja, muitas vezes há notícias que não entram ou precisam ser resumidas. Entretanto, nem todos os dias acontecem fatos noticiáveis. Qual o procedimento realizado quando o jornal precisa sair e ainda não existem fatos relevantes?</strong></p>
<p style="text-align:left;">É muito difícil porque sempre tem! Se no dia não acontecer nada, você vai ter, por exemplo, aquele assessor da secretaria de desenvolvimento social que mandou um material para você falando de negros na sociedade, uma palestra, aí você vai lá e cobre, aquilo rende uma entrevista e isso pode servir de tapa buracos. Às vezes você tem realmente que escrever, &#8220;encher lingüiça&#8221; para cobrir a página porque não tem material suficiente. No jornalismo diário você não sabe o que vai acontecer no dia, você às vezes não tem planejamento e tem que lidar com essas coisas, ter que escrever mais. Acontece também que, de repente, derrubam uma matéria, porque estava ruim, tinha erro, ou porque não deu mesmo para fazer. Aí colocam o que a gente chama de “calhal”, que é um anúncio do próprio jornal. É um jogo de cintura que o editor tem que ter todo dia, ele tem que ter um tempo administrativo muito bom para pegar os temas que tem e dividir durante a semana. Se tudo der errado, se o avião cair ali do lado, ele muda, mas ele tem que ter uma organização cronológica do que ele vai dar na segunda, na terça, na quarta, na quinta para justamente não acontecer isso, além das matérias de gaveta que também servem para preencher espaços.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Hoje em dia os jornalistas encaram a notícia como um produto a ser vendido ou ainda se possui a cultura jornalística de se revelar toda e qualquer verdade?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Olhe, eu acho que aqui, eu e meus colegas temos um pouco dessa coisa lúdica ainda. Tem porque são as suas referências literárias, os jornalistas que você já leu. Aquilo que você traz como bagagem te influencia muito, eu acho que se a empresa te traz a oportunidade de colocar em pratica esses ideais, por mais que sejam clichês, mas tenham um significado, você faz.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>Qual é a responsabilidade do repórter na produção da matéria?</strong></p>
<p style="text-align:left;"><span style="color:#800000;">O repórter está numa posição muito vulnerável, porque é ele quem assina a matéria. E a gente comete erros de português, é raro, mas isso acontece. E às vezes o editor corrige erradamente, coloca vírgula onde não tem. Então pequenos ruídos de trabalho acabam expondo o repórter. Então existe todo um processo por trás que o leitor não entende.</span> Ele pensa: “Que Emanuella burra, que colocou aquilo”, entende? O mecanismo de funcionamento é muito mais complexo. Às vezes você tem que fazer uma matéria correndo, ouvindo a fonte mais fácil que for, você tem que confiar, aí “ah Emanuella, você entrevistou Albergaria pela décima vez&#8230;” A gente tenta lutar contra isso, mas questões de erros, problemas de falhas que a gente encontra diariamente no jornal, diz mais respeito à equipe como um todo do que ao repórter.</p>
<p style="text-align:left;"><strong> </strong><strong>Você é formada pela UFBA em jornalismo. Sendo uma pessoa que trabalha diretamente na área na qual você se formou você pensa que qualquer um pode exercer a profissão ou a Academia realmente traz um diferencial?</strong></p>
<p style="text-align:left;"><span style="color:#800000;">A academia tem um ranço muito difícil de combater que é a critica ao produto sem levar em conta diversos fatores de funcionamento, da notícia aos bastidores, que são fundamentais pra entender porque aquilo é assim. Eu sei porque eu já fiz grupos de pesquisa com Giovandro [Giovandro Ferreira], análise de discurso um bom tempo.</span> Muitas vezes a equipe trabalha com pouquíssima gente, os diagramadores, por exemplo. Aí fica impossível fazer das cinquenta paginas do jornal, cinquenta páginas maravilhosas, não tem como porque às vezes você tem uma equipe de cinco pessoas. Então muitas coisas nos bastidores dizem sobre o próprio jornal e aquilo não é interpretado como deveria ser pelo teórico da comunicação que está na academia. Eu fiz o percurso inverso, fiz grupo de pesquisa e vim para cá. O que faz um bom jornal não é apenas um bom repórter, é uma equipe boa, desde o editor, ao pauteiro, ao cara que vai fazer a página. O jornal como um todo tem que ser analisado, não adianta ter uma balança desequilibrada, tem o cara que é muito bom, faz cinquenta fotos e, às vezes, até por falta de referências culturais, jornalísticas mesmos, o cara que escolhe a foto não vai escolher a melhor porque ele acha que não é a ideal e aí você subverte, você não aproveita o profissional.</p>
<p style="text-align:left;"><strong>E sobre a obrigatoriedade do diploma? Qual é a sua opinião como uma profissional da área?</strong></p>
<p style="text-align:left;">Eu acho assim, que citando Gilmar Mendes, você tem que entender também que existem excelentes profissionais que passaram pela faculdade e outros tão bons quantos, que nunca estiveram na academia.<span style="color:#800000;"> Eu acho que jornalismo é assim, eu não sou favorável à obrigatoriedade do diploma. Acho que primeiro, não ser obrigado a ter diploma faz com que somente as faculdades boas permaneçam, aí você vai ter as instituições de referência. </span>E eu tenho exemplos aqui no jornal, o próprio <span style="color:#800000;">Fernando Vivas,</span> Mônica Rodrigues que era editora do “A Tardinha”. <span style="color:#800000;">Jornalismo depende muito de </span><em><span style="color:#800000;">feeling</span></em><span style="color:#800000;">, tem que ter vocação.</span></p>
<p style="text-align:left;">
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/teoriasdojornalismoufba.wordpress.com/5/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=teoriasdojornalismoufba.wordpress.com&amp;blog=10700093&amp;post=5&amp;subd=teoriasdojornalismoufba&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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